Os novos heróis do Olimpo – um fanfic de Percy Jackson

Oliver

Se havia alguma coisa que Oliver odiava nesta vida eram quartos de hotel e aeroportos. Quartos de hotel tinham sempre a mesma cara, o mesmo cheiro, os mesmos sorrisos falsos na recepção. E aeroportos, bem, ele não sabia dizer por que, mas também os odiava. Achava que tinha algo a ver com o barulho, o movimento incessante de gente ido e vindo, as bagagens na esteira rolante, ou as longas horas esperando conexões.

E para seu desespero, quartos de hotel e aeroportos faziam parte da sua vida com muita frequencia. Aos 14 anos, o passaporte de Oliver já estava na sua terceira encarnação. Não que ele tivesse destruídos as outras duas, mas porque não havia mais espaço para carimbar! Tudo culpa de sua única família viva que conhecia, o tio Eduardo. O tio era professor universitário, pós-doutorado em alguma coisa. Quando estava em casa – ou no quarto de hotel – era um sujeito legal, espirituoso, mas sempre com alguns tiques nervosos. Era um tipo esquisito, acadêmico, que ganhava a vida dando cursos rápidos e palestras pelo mundo. Ele era amigo pessoal de gente como Bill Gates, Steve Jobs e já tinha até mesmo sido convidado para jantar na casa branca… O tio era mesmo uma figura, quando estava por perto.

Citar o nome do tio era ao mesmo tempo divertido e doloroso. O tio era irmão do pai de Oliver. Tomás de Albuquerque, o pai de Oliver, era professor de filosofia e ciências da computação (tudo a ver!) na Universidade de Illinois, em Chicago. Foi lá que ele conheceu Astrid, sua mãe, uma famosa jurista e astrônoma (tudo a ver de novo!). Bem, famosa é modo de dizer, uma vez que vasculhando a internet durante anos ele nunca encontrara mais informações do que seu tio havia lhe dado. Seu nascimento também era envolto em muito mistério: Astrid desaparecera numa noite de verão para não dar mais notícias. Um ano depois, seu pai morre num acidente de carro. E finalmente Oliver surgiu na recepção do quarto de hotel do recém doutorado Eduardo de Albuquerque. Oliver jamais vira uma foto da mãe, mas o tio jurou que quando completasse 16 anos, tudo seria revelado.

Oliver não era capaz de se lembrar de ter passado mais que seis meses numa única cidade. Só naquele ano, era o quarto país que visitavam. Se bem que o Brasil era meio que uma “base de operações mais ou menos fixa”. Com um roteiro como esse a educação tradicional era impossível. O tio contratava tutores, mas na maior parte do tempo, incentivava Oliver a buscar, ler e conhecer coisas que o interessavam. Com pouco mais de 1,60m e 50 quilos, cabelos curtos e castanhos, e quase nenhuma aptidão para os esportes, Oliver voltou-se para o mundo virtual. Ah, e como era bom nisso. Era como se os computadores o entendessem! Era capaz de aprender a usar qualquer programa de forma quase que intuitiva. Não só isso, era bom de eletrônica e programação também. Seu celular era uma mistura de i-phone chinês, com notebook, e mais meia dúzia de outras peças e programas.

E justamente naquela noite, Oliver estava a pouco mais de quatrocentos metros do Aeroporto Internacional de São Paulo. Sentado, aproveitando a rede wi-fi da lanchonete ele estava um pouco apreensivo. Uma das esquisitices do tio era seus mirabolantes “planos de contingência”. Ele tinha planos e protocolos para serem seguidos em virtualmente qualquer situação: desde ataques de zumbis, inundações em escalas globais, megaterremotos, a queda de um meteoro e até a terceira guerra mundial entre Canadá e Turquia. Muitos deles eram risíveis, mas outros, ele fazia questão de praticar. Aquele parecia ser um deles, mas estava ficando real demais. O tio estava dando aulas na USP e o deixara na Biblioteca do departamento de filosofia. Ele leu tudo o que quis sobre Empédocles – e até mesmo o que não quis – escaneou algumas páginas e nos últimos vinte minutos antes do almoço estava se divertindo com os quadros de humor de Marcelo Adnet. Foi quando a mensagem chegou no seu frank (abreviatura de fransknstein, o modo carinhoso como ele tratava seu celular-tablet-pc-torradeira -e-mais alguma coisa): “protocolo 122-1”.

Este protocolo dizia assim: “vá ao quarto de hotel e na recepção peça pela maleta que eu esqueci. Pegue a maleta e rume para o aeroporto. Compre uma passagem para Brasília, com o cartão de débitos que está na maleta. Lá, acesse seu e-mail e pegue o nome e o telefone do contato que vai te dar guarita. Saia da cidade imediatamente. Se eu não o encontrar no aeroporto, não espere por mim. Não confie em ninguém, especialmente a polícia e os homens de preto”.

Quem lesse o material estaria convencido da loucura do tio. Mas não Oliver. Ele sabia que era sério. Não era a primeira vez que o tio aprontava das suas. Nas primeiras vezes Oliver bem que achou engraçado: era como estar num filme de James Bond, mas com o passar dos tempos a “fuga rápida da cidade” começaram a chatear.

E dessa vez a situação era mais que real: a maleta estava lá, esperando por ele. Dentro dela haviam alguns documentos assinados de autorização de viagem de menores, algumas centenas de dólares, quatro mil reais em dinheiro, algumas moedas de e ouro da Grécia Antiga (como era  mesmo o nome? Dracma?) e seu passaporte. O problema é que não havia apenas um passaporte e sim vários. Todos com sua foto, mas de nacionalidades diferentes: a da Itália lhe conferia o nome de Bernardo Stelle, a francesa o chamava de Phillipe Etóiles e havia mesmo uma russa que o chamava de Andrei Zvezdy. Havia também uma foto, velha e marcada, onde ele reconheceu o tio e o pai ao lado de um avião a jato. Na aeronave lia-se o nome Dedallus Project. Sentada na cabine estava uma figura feminina, que só deus sabe como, ele reconheceu como sua mãe imediatamente. Havia também um canivete suíço.

Então, lá estava ele, decidindo-se entrar ou não no saguão principal e ir pegar seu voo. O check-in terminava em dez minutos. Ele empurrou uma porção de fritas frias e oleosas para entro da boca e chupou o último gole de coca pelo canudo. Nada do tio aparecer. Oliver jogou o capuz do casaco por cima da cabeça e colocou a maleta dentro da mochila. Era uma mochila de couro, um dos poucos objetos que herdara de seu pai. A mochila estava estranhamente leve e sem peso, apesar de estar com algumas mudas de roupa.

Por fim, tomou coragem e atravessou a rua, passando pelas portas automáticas que levavam ao saguão principal: sem saber ele estava embarcando na maior aventura de sua vida.

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1ª postagem de maio

É bom estar de volta

Bom, faz tempo que não escrevo aqui, não é mesmo? Tempo demais. Tanta coisa para atualizar e tanta poeira para espanar que nem dá vontade de fazer nada. Mas vamos ver se eu consigo me forçar a escrever algumas mal traçadas linhas.

Estou lendo atualmente a saga de Percy Jackson.  A Marca de Atena. Não é o melhor dos livros da série, mas coloca muita coisa em perspectiva. Achei legal o fato do Riordan ter amarrado a história com personagens que passaram em outros livros. É um cuidado fino que a maioria dos autores simplesmente não tem. É bom ver as faces antigas retornando depois de 3 ou 4 livros.

Já tenho uma história em mente e pretendo mestrar essa história no próximo encontro d30 – no melhor estilo adaptação. O sistema vai ser uma mistura de Shotgun Diaries e Scion (da White Wolf). A única dúvida que eu tenho mesmo é se vou usar personagens prontos ou se vou deixar que os jogadores criem seus próprios.

Outra novidade é que eu gostei muito do resultado do playteste que eu fiz de um sistema medieval ainda sem nome. Ele é meio D&D/meio Daemon reunido o que há de melhor dos dois sistemas. O que esta pagando é que eu estou trabalhando com duas mecânicas distintas: a de magia para magos e a de ataques especiais para outros personagens. E isso vem me quebrando a cabeça porque não funciona ter duas mecânicas distintas para fazer basicamente a mesma coisa – que é causar dano no inimigo.

Assim sendo, no próximo playteste eu vou tentar usar uma mecânica unificadora: magias, efeitos de combate e manobras especiais vão seguir a mecânica de ataque especial. Você monta como quer e paga pontos por ele. Vantagens custam pontos e desvantagens dão pontos. Por exemplo, um arqueiro poderia fazer um disparo especial que afetasse mortos-vivos. Técnica Especial, com os efeitos Condição Especial (precisa do arco para ser ativado), Afeta (mortos-vivos). Dessa forma podemos emular qualquer técnica ou ataque mágico que os jogadores conheçam ou pensem, Passou disso, improvisamos. A lista já via bem grande com efeitos como: Afeta (tipo de criatura), Não causa dano, Veloz, Em Aérea, Vampirismo, Paralisia, Névoa, Energético (tipo de energia), entre muitos outros. Estou louco para testar.

De resto, nenhuma novidade. Alguém recomenda alguma série boa para assistir que não seja mainstream?

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Conversando sobre Skyrim

Faz uns meses que eu converso com um camarada pelo chat do gmail sobre skyrim. São sempre conversas rápidas do tipo “ontem descobri tal coisa” e “você já tentou forjar daedric?” e coisas do gênero. Esse meu camarada não joga RPG de mesa – que agora sendo chamado pela mídia especializada de RPG offline (que ironia).

De umas semanas para cá nosso papo tem se voltado mais para o RPG offline – embora eu saiba que dentro dos gêneros de videogame, Skyrim está mais para Adventure com características de RPG do que para RPG mesmo. Eu o convenci a procurar um grupo de jogo e experimentar. E assim ele fez. Encontrou um grupo de D&D na sua região e jogou duas partidas. Ele detestou.

Não o jogo em si. Ele gostou da interação da mesa, fez novas amizades e conheceu coisas nerds que ele nem supunha que existissem. Mas ele não gostou da limitação das regras. Ele me disse que quase caiu para trás quando ouviu as explicações para a magia vanciana (prepara por dia, solta e esquece), que magos não poderiam usar armaduras e que havia classes de personagem, cada uma praticamente com um sistema próprio. Ele me reclamou disso por intermináveis nove minutos de conversa (nunca tínhamos nos falado por tanto tempo antes).

Eu comentei com ele que existem outros sistemas que ele poderia experimentar. Alguns mais engessados como D&D que funcionam dentro de premissas muito específicas (e mesmo assim ainda muito divertido) e outros muito mais soltos como Shotgun Diaries (igualmente muito divertido). Mas ele queria algo mais como ele estava acostumado. Porcentagens, combate medieval, raças fantásticas… daí eu sugeri que ele desse uma olhada no sistema daemon, da editora de mesmo nome. Expliquei que pela minha experiência em jogos, daemon é o mais próximo da meta-mecânica de Skyrim que existe: um mago pode usar armadura, soltar magia de cura enquanto tiver mana o bastante para tal e que não haviam classes, mas sim kits (espécie de pacote pronto de personagem) que são opcionais.

Esse nosso papo me fez repensar algumas das minhas escolhas como mestre e jogador ao longo destes anos. Sendo por sistema, seja por escolhas mecânicas e de meta-jogo. É bom quando esse tipo de coisa acontece e nos faz repensar mais sobre o nosso modo de ser e de agir. Não apenas sobre o jogo, mas por outros aspectos da nossa existência terrestre (hmm, esse soou filosófico…)

Estou aguardando o nosso próximo encontro para saber se ele achou algum grupo de daemon (acho difícil, já que o sistema anda meio abandonado e sem lançamentos). E quem sabe eu não me anime a finalmente colocar algumas notas de jogo no formato daemon e ver como elas se saem.

Até a próxima.

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Projeto Day After – parte 2: o Soldado Alistado

O SOLDADO ALISTADO

“Por Cyre, pelo Imperador, pela Chama Prateada!”

– Petrus Arevencci, Cabo da 2ª falange, do 4º batalhão, da 7ª Legião de Cyre.

Quando a sua nação precisou, você não deu as costas e nem fez corpo mole. Usando a espada e o escudo, ao lado de seus companheiros você marchou para o campo de batalha pronto para enfrentar qualquer ameaça. Você não é um oficial graduado, nem um herói, nem nada especial, mas cumpriu com o seu dever. Você lutou por sua nação e sabe, que independente do resultado da guerra, você deu o seu melhor.

Aventurando-se: Você é um soldado, pura e simplesmente. Você serviu na guerra, realizando tarefas como patrulhamento de áreas, longas marchas forçadas ou dias de calma aparente pontuadas por explosões de fúria em meio a batalhas, cercado por sangue e carnificina. Em algumas raras ocasiões você foi encarregado de missões mais especializadas, tais como infiltração ou resgate, isso quando esse tipo de coisa era deixado para agentes muito mais capacitados que você. Mesmo quando você depois que recebeu baixa do exercito o teor de suas aventuras não tendeu mudar, uma vez que suas habilidades são voltadas para o confronto com o inimigo – seja ele quem for.

Personalidade: Você pode ser um entusiasta da guerra, sempre pronto e ansioso para encontrar o inimigo face a face, ou pode ser um soldado relutante, inspirando muito mais pelo senso de dever do que pelo desejo de ação (assim como Tom Hanks em O resgate do Soldado Ryan). Seja qual for o caso, você é leal a sua nação, seu governo e seus comandantes superiores. Eles sabem, e você também sabe, que você fará aquilo que for preciso. Você é habilidoso em infligir dano e levar violência ao inimigo. Quer você ame ou odeie este talento, ele é muito valorizado. O seu treinamento militar faz você brilhar entre os combatentes de fim de semana.

Comportamento: Você sabe do seu lugar no mundo, quem você responde e quem responde a você, e você costuma ficar desconfortável em locais sem uma clara estrutura de comando. Você prefere deixar alguém trabalhar as estratégias e táticas e depois explicar o seu papel em no grande plano. Sua experiência em combate é valiosa e embora você possa oferecer a sua opinião, só costuma fazê-lo se solicitado. Você recorre a violência e a ações rápidas para resolver seus problemas, não porque seja violento ou tem desejo por sangue, mas porque foi acostumado a fazer assim. Seja lá o que você fizer, dentro ou fora do exército, você fará de tudo para proteger sua nação.

Como você soa: Você costuma manter suas opiniões para si mesmo, oferecendo-as apenas quando solicitado. Sua fala é recheada de termos militares: você não faz rondas, você patrulha; você não faz compras, você requisita material. Tanto faz se você é tagarela ou não, seus colegas vão perceber que quando for a hora de trabalhar, é a hora de trabalhar.

Variantes: Você não precisa ter, necessariamente, servido uma nação para ser um soldado. Vários clãs e tribos guerreiras têm seus próprios exércitos e as diferenças entre um soldado tribal e um civilizado são meramente cosméticas.

Uma variante do soldado é o especialista. Ele atuou em alguma área muito específica dentro da grande máquina de guerra que são os exércitos. Você pode ser especializado em combate na selva, táticas de guerrilha, combate mágico, etc.

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Novo arquétipo para Caçadores Caçados: o jornalista do oculto

Começo hoje uma série de postagens sobre o tema Caçadores Caçados, de Vampiro a Máscara.

Aproveitem.

O jornalista do oculto

Background:  Desde os tempos de escola você sonhava em ser um repórter famoso, cujas reportagens corriam pelo sacco3mundo inteiro.  Sendo assim, logo depois de entrar na faculdade de jornalismo, você conseguiu um estágio, contando apenas com um pouco de talento e muito entusiasmo. Ao final da faculdade uma oportunidade de trabalho surgiu num tablóide sensacionalista. Era o começo da sua jornada. Isso foi a dez anos atrás. Eventualmente você acabou sendo escalado para cuidar da sessão de bizarrices e esquisitices do jornal. Coisas como celebridades que afirmavam ter visto alienígenas, passando por anomalias genéticas expostas como aberrações e especialmente crimes estranhos e sem explicação.

Ao longo dos anos trabalhando nesta linha editorial você começou a perceber certo padrão nas notícias que investigava e publicava: corpos encontrados no rio, completamente sem sangue ou parcialmente devoradas; pessoas encontradas nas florestas completamente destroçadas (em pedaços mesmo); pessoas que se diziam caçadores de vampiros e que achavam que estavam salvando a humanidade das criaturas da noite.

Certa vez a investigação da morte de uma prostituta imigrante ilegal sem nome te levou a descobrir a verdade que você sempre buscou. A notícia, que se publicada, te traria toda a fama que você sempre quis. Você foi atacado naquela mesma noite por uma coisa que não poderia ser descrita de forma que não a de um vampiro. Você viu as garras, as presas, o olhar inumano… e você lutou da melhor maneira que conseguiu: correu por sua vida. Escapou por pouco. No dia seguinte você já tinha reunido tudo para expor de vez a existência daquela criatura: imagens de câmeras de segurança por onde você tinha passado, testemunhas ocasionais, transcrição e gravação da ligação que você fez para o 911 pelo celular e a resposta dada pelos policiais da rádio patrulha que te ajudaram naquela noite. Você reuniu tudo num dossiê multimídia e entregou ao seu editor esperando pelo prêmio pulitzer… que nunca veio. A história foi enterrada, as evidências destruídas e você recebeu ordens expressas, para o seu próprio bem, de que nada mais fosse dito a respeito daquele evento. Você sabia que era algo bem maior do que uma prostituta morta ou a exposição de uma lenda urbana. Sempre que você levava o assunto para outro jornal, revista ou editor, coisas estranhas aconteciam com você.  Até que você entendeu o que estava se passando: apenas vampiros se beneficiariam com o seu silêncio, Você percebeu que os vampiros eram os verdadeiros donos dos meios de comunicação. O que eles diziam, virava verdade na boca do âncora do jornal do meio dia. Era assim que eles se mantinham escondidos, em pleno século XXI, dos olhos cada vez mais vigilantes do mundo.

A única maneira de levar a verdade para as pessoas seria começar uma cruzada solitária pela verdade. E foi o que você fez. Demitiu-se e tornou-se um jornalista freelance. Atualmente você publica suas “descobertas” através de publicação menores, marginais e no seu pequeno, mas crescente blog. Seu nome começou a circular e de uma hora para outra você começou a ser apontado como um dos grandes especialistas do mundo moderno. Alguns o consideram um louco, outros o idolatram. É uma posição meio conflituosa: se por um lado você tem agora toda a fama com o que sempre sonhou, você pode vir a se tornar um mártir nas mãos (ou garras) das mesmas criaturas que você está denunciando.

Você nunca foi do tipo que lutava com os punhos. A caneta, o teclado, a inteligência e a coragem são as suas armas, na construção de dossiês sobre os monstros que você caça indiretamente.

Recentemente alguns de seus “leitores” apareceram mortos – nas mesmas circunstâncias estranhas que você cobria no começo de sua carreira. Outros desapareceram completamente da face da terra. Outros, pelo que você ficou sabendo, engajaram-se com relativo sucesso na luta contra vampiros, destruindo seus covis e libertando pessoas de suas maléficas influências. É um fardo pesado demais para uma alma carregar, mas enquanto você escrever, outras pessoas estarão dispostas a lutar. Você apenas espera que dure o bastante para que o seu grande trabalho seja concluído.

Aparência: você nunca foi do tipo atlético e o tempo que passa escrevendo ou revirando a noite em busca de notícias para alimentar seu blog não favoreceram o seu porte físico. Você é ágil com as mãos e já aprendeu que correr e poder saltar alguns muros e cercas pode ser a diferença de sua vida e morte. Você está sempre com seu material de trabalho a mão: canetas, papel, gravadores, notebooks, tablets, smartphones, tudo pronto para registrar seja lá o que for.

Dicas de Roleplay:  você está caçando o mais perigoso dos predadores conhecidos pelo homem – mas os melhores jornalistas não chegam a lugar nenhum sem correr algum risco. Você muitas vezes recorre a sua fama e conhecimento sobre o sobrenatural para conseguir pistas ou para se safar de alguma situação mais cabeluda. Mas no seu íntimo você está sempre aterrorizado com a possibilidade das criaturas da noite virem em seu encalço. Você gosta de pensar que é uma espécie de gênio, lutando contra criaturas muito mais poderosas que você, mas, numa briga, você não duraria mais que um par de socos antes de cair no chão, em pura dor.

Natureza: Mártir

Comportamento: Idealista.

Físico: Força 2, Destreza 3, Vigor 1

Social: Carisma 2, Manipulação 5, Aparência 2

Mental: Percepção 5, Inteligência 2, Raciocínio 3

Talentos: Prontidão 1, Representação 1, Empatia 2, Esportes 1, Lábia 2, Manha 2

Perícias: Condução 2, Armas de fogo 2, Segurança 2, Reparos 3, Furtividade 3, Sobrevivência 1

Conhecimento: Investigação 2, Ocultismo 3, Política 1, Computador 2, Acadêmicos (jornalismo) 3.

Antecedentes: Contatos (Media) 2, Fama 2, Recursos 2

Virtudes: Consciência 3, Autocontrole 4, Coragem 3

Humanidade: 7

Força de Vontade: 5

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Nova Disciplina para Vampiro: a Máscara.

Mechanicles

Essa disciplina é uma marca do fim dos tempos. Foi vista pela primeira vez e documentada com o surgimento dos primeiros computadores tipo desktop, na década de 70.

Poucos vampiros foram catalogados como possuidores das habilidades descritas aqui. A grande totalidade de indivíduos com essa habilidade são Caitiffs.

1º nível: controle simples. Com este poder um vampiro pode fazer uma máquina ativar-se e cumprir a tarefa com que foi designada, sem que precise ser operada manualmente. É como se o membro possuísse um controle remoto. Ele pode fazer um rádio ligar, ou desligar, mudar de estação, aumentar ou diminuir o volume, por exemplo. Pode fazer com que uma arma dispare, ou que ejete o pente de balas, sem nenhum motivo aparente.

Sistema: O vampiro gasta 1 ponto de sangue e faz um teste de Raciocínio + Reparos. A dificuldade padrão é seis para máquinas complexas e vai aumentando a medida que as máquinas vão ficando menos complexas. Uma pistola Glock dispararia com dificuldade 6 enquanto que uma flintlock de 1770 precisaria de uma dificuldade 9.

2º nível: shutdown.

O vampiro pode fazer uma máquina parar de funcionar sem qualquer aviso ou motivo aparente. Carros enguiçam, computadores desligam, armas emperram, geradores se desligam e por aí vai.

Sistema: O vampiro gasta 1 ponto de sangue e faz um teste de Raciocínio + Reparos. A dificuldade padrão é sete. O alcance é o campo de visão do vampiro. Apenas uma máquina pode ser afetada por vez. A máquina volta a funcionar depois de algumas horas ou se alguém conseguir repará-la.

3º nível: controle remoto. Este poder se parece muito com o controle simples, sendo que agora o vampiro pode estender seu controle para ações mais complexas. Ele não apenas pode fazer um carro ligar, como pode conduzi-lo como se estivesse no volante. Ele pode operar um computador à distância, por exemplo, mas não poderia fazer com que um rifle saísse flutuando por aí, mirando e disparando nas pessoas.

Sistema: O vampiro gasta 1 ponto de sangue e faz um teste de Raciocínio + Reparos. A dificuldade padrão é seis para máquinas complexas e vai aumentando a medida que as máquinas vão ficando menos complexas.

4º Os olhos da máquina. O vampiro pode, se quiser, ficar invisível a qualquer detecção por máquinas. Ele não será visto ou filmado por câmeras de segurança, sua presença não ativará detectores de movimento, máquinas de raio x ou mesmo ultra-som não irão detectá-lo.

Sistema: não é preciso de nenhum teste para ativar este poder. Ele dura até o fim da cena. O vampiro precisa gastar um ponto de sangue para ativar este poder. Um vampiro pode ocultar mais uma pessoa, mas para fazer isso a pessoa deve estar perto do vampiro e o vampiro ainda precisa gastar um ponto adicional de sangue.

5º nível: Forma Perfeita. O vampiro não pode mais ser ferido por armas e objetos tecnológicos: balas vão passar por ele como se o vampiro não existisse (embora ainda perfurem suas roupas). O mesmo se dá por facas, ataques sônicos e qualquer coisa que venha de máquinas ou tecnologia avançada. O personagem ainda sofre dano por arcos e flechas primitivas, estacas, fogo, luz solar, garras e armas naturais de outros predadores (como lobos, cães e outros vampiros). Este poder exige o gasto de um ponto de força de vontade para ser ativado e dura até o fim da cena.

Não existem níveis avançados desta disciplina.

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Mais um conto curto de x-crawl.

É a festa dos melhores do mundo da associação mundial de exploração extrema de dungeons. O mundo inteiro está olhado. Pela quarta vez seguida um arqueiro, um elfo das terras argentas, recebe o título de melhor jogador do mundo. Com 145 mortes confirmadas no campeonato deste ano, ele aceitou o “gládio de ouro” – o maior prêmio do esporte neste último domingo, numa cerimônia realizada em Zurique. O nome é o mais famoso dos jogos desde o lendário Spartacus: Lionel Mássimo. É, com dois “ésses”.

Eu desligo a tv na hora que começam a falar as estatísticas do cara. Como se eu não soubesse de todas elas: o primeiro cara que antes dos 25 anos é quatro vezes gládio de ouro. O primeiro cara a eliminar cinco membros de uma equipe rival num único encontro, removendo a histórica marca de Gerd Muller. Só no campeonato da Liga Castelana ele fez 65 mortes confirmadas. Uma média de 4 mortes por jogo. Eu estava ao lado de Mássimo em todos os confrontos, afinal eu sou companheiro de equipe dele.

Não me leve a mal. Não sou uma pessoa invejosa ou vingativa. Mas existe mais gente na equipe do que apenas o Mássimo. Você saberia dizer o meu nome? O nome do outro atacante? Quem sabe o nome do defensor? É a vida… os jogos tem dessas coisas.

Eu fico pensando cá comigo como seria se não houvesse o resto da equipe e fosse somente o Mássimo. Como ele se sairia de forma solo, contra todos os monstros e desafios de uma dungeon? Como ele se sairia sem minhas magias de cura, sem meus encantamentos de proteção, sem o escudo dos defensores? Não creio que ele se sairia. Duvido que passasse da primeira sala.

É um pouco injusto, sabe? Todo mundo joga, mas ele leva a fama. Todo mundo dá sangue, mas é ele que estrela a propaganda de TV. Alguns de nós morrem na arena, como foi o caso do Tzavi, mas é ele que tem tratamento vip nos centros de saúde.

Muitas vezes eu penso em abandonar o esporte. Já tenho 28 anos e alavanquei uma boa fortuna nesses anos todos de jogos. Tenho algumas casas espalhadas pelo mundo e sou sócio em alguns empreendimentos. Não seria nada mal lançar um restaurante de Cusine Internazionale, e viver de renda pelo resto da vida. Poderia fazer como o meio-orc brasileiro, como era mesmo o nome dele, Ronald e entrar para a política dos bastidores do esporte. Ah a quem quero enganar? Não é para mim. Quero mesmo é a vibração do combate, a emoção de uma morte confirmada (kill, como dizem os americanos), a adrenalina de saber que aquele lance pode ser o seu último.

Desço as escadas e saio para rua. É uma pequena Villa perto da cidade do México. É tranqüila e discreta. Vejo alguns garotos correndo pela rua, brincando de Exploração Extrema. Passam por mim como um foguete. Um deles me cumprimenta: Buenos dias señor” e me mostra um pôster onde estou de armadura completa lançando uma magia de proteção sobre um companheiro caído. Eu assino o pôster e vou embora, seguindo o meu caminho. Vai ser uma boa temporada…

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