Arquivo do dia: 13 de novembro de 2008

Precisamos de portais de RPG?

Precisamos de portais de RPG?

Para responder esta pergunta cabe fazer alguns esclarecimentos e reflexões sobre o tema. Levanto este ponto juntamente com o Marlon (do Inominatus) e com o RM (d’o Observatório RPG): que houve foi a pulverização do conteúdo relevante sobre RPG em diversos blogs que surgiram sobre o tema nos últimos anos.

Nos anos anteriores a Internet ainda não era “friendly use”. Montar um site era complicado e demandava uma série de conhecimentos – quando não precisava de uma grana para dar o quickstart. Desta forma, os portais surgiram como aglutinadores de autores e de conhecimentos. Os primeiros portais que me recordo dentro do RPG brazuca foram a rederpg e a primeira e finava versão do site da spell brasil. A centralização em torno de portais foi meio que natural.

Mas com o tempo isso mudou. A Internet se pos numa postura mais popular e hoje os blogs assumiram o lugar dos portais. Como isso aconteceu ainda é um pouco nebuloso para mim num escopo geral, mas foi um cisma com o dono da rederpg que fez com eu tirasse todo o meu conteúdo do seu portal e abrisse a primeira encarnação do Lote do Betão – ainda no multiply. Essa guinada gera uma nova lava de informação; informação livre e de qualidade. Você é editor da própria informação que consome quando escolhe que blogs (canais) que vai acompanhar para trocar informação sobre RPG. Dessa forma, não precisamos de alguém decidindo o que é bom ou não sobre RPG. Não precisamos ver o nosso trabalho dando fama – em certos casos – rendendo até dividendos para outros. A época de ficar de “janela” já passou, graças a deus.

Agregadores como a Lista Lúdica, o RPG.blogs e o RPGBrasil estão aí para ajudar os leitores a chegar na informação para que eles julguem sua relevância ou não. RSS e ferramentas de leitura de RSS estão aí para que o leitor possa construir seu próprio portal de informações com suas fontes de confiança. Hoje não basta apenas confiar na memória – uma boa lista de favoritos ajuda pacas.

Os portais que funcionam como reindexadores de conteúdo (que é uma tendência recente e bem-vinda de reinvenção do modelo de negócios dos portais) precisam mais do público (que produz E consome a informação, tornando o portal uma membrana de conteúdo) do que o público precisa deles.

Isso não é novidade nenhuma. Essa revolução do “eu mídia” já está aí há um bom tempo e os portais como um todo estão tendo que se reinventar pois são modelos de informação ultrapassados. A internet 2.0 trouxe para a rede a tão sonhada contribição popular onde todo mundo lê, opina e comenta – quando quer, quando quer e da forma que quer. Hoje não existe mais espaço para “tiranos-autoritários-fazem-tudo-sozinhos-donos-da-bola”. Quem não aprender a delegar, descentralizar e a cativar sua comunidade, dança.

Ter essa noção de não-dependência incentiva ações de fidelização da comunidade faz com que a concorrência entre os serviços realmente beneficie os usuários. Ela também incentiva a formação de novos blogs. Se você tem algo a dizer não precisa esperar uma lista ou um site começar o assunto: inicie você o assunto com um podcast, um blog, um fotolog, seja lá o que for. Se você tem alguma coisa a dizer, a internet está disposta a publicar e alguém – com certeza – está disposta a comentar. Colocar um portal com foco num nicho, com um pacote de ferramentas de fomento de comunidade e troca de conteúdo, ou mesmo como um balde de idéias e pensamentos que você enche de vez em quando é muito más fácil e barato do que era há 10 anos atrás quando o modelo de portal clássico “eu-sei-tudo-você-não-precisa-de-mais-nada” surgiu.

Essa é a grande virada da internet 2.0. Ela não significa que os portais acabam, mas que eles têm que repensar drasticamente seu papel em relação aos usuários e a informação. Hoje se você bancar o dono da bola (ou do portal, ou do site, ou da lista, ou do…) tudo o que você vai conseguir é ficar sozinho.

Esse artigo foi feito em cima do texto do R/M que pediu como condição de uso que eu usasse palavras como gênio, inigualável, inefável ou hipermeável ao se referir a ele. Pedido atendido, colega, pelo menos na tela do wordpress.

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