Trabalhando com nomes
Trabalhando com nomes
Esses dias eu estava revisando o GOG e percebi que o texto descritivo das cidades não estava bom. Os nomes, especialmente, soavam estranhos e muito, mas MUITO sem graça. Só depois de algumas leituras é que eu percebi que eu não estava dando nomes como eu gostaria de dar. Claro, como jogador carimbado eu queria fugir dos nomes comuns e batidos de fantasia medieval para batizar o meu cenário. Queria que soasse familiar, que fosse fácil guardar o nome de alguma vila ou cidade e que, de certa forma, soasse clichê. Ocorre que, pelos nomes que eu estava usando, estava sendo mesmo muito mais clichê do que eu queria.
Então, como abordar a questão dos nomes das vilas e cidades para que fique uma coisa legal? Para que fique fácil de lembrar? O primeiro ponto foi partir para o mundo moderno. As cidades têm nomes que significam algo. Nomes que simbolizam algum momento de sua história, alguma personalidade importante, algum marco geográfico. Decidi então que cada vila e cidade teriam um nome que se adequaria a alguma característica da cidade, sempre com nomes compostos. Decidi também que usaria nomes em português.
Por exemplo, tínhamos a vila de Green Flame, que passou a se chamar Chama Esmeralda. Mas por que deste nome? Chama Esmeralda é uma cidade pequena, situada a aproximadamente 400km de Forte Decór, capital do reino de Abdera. Um fato curioso que ocorre na cidade (e que dá nome a mesma) é que qualquer chama que adentre a seus limites ou que seja acesa dentro deles assume uma tonalidade verde. As brasas da fogueira, as chamas das velas, a forja ardente dos ferreiros, tudo tem a cor esverdeada. O que não passa de uma curiosidade para os moradores motivou estudos de diversos pesquisadores ao longo dos anos, mas sem nunca chegar a qualquer conclusão. As chamas comportam-se como qualquer outra chama, com exceção da cor. Quando as chamas abandonam os limites da cidade, retornam a sua coloração original. Com pouco mais de 2500 habitantes, e com boa parte deles (cerca de 65%) vivendo na zona rural, a cidade é considerada pouco mais que “um ponto e um nome” nos mapas oficiais. Este é o espírito dos nomes que eu quero incorporar ao cenário e acho que o processo vai indo bem até agora. Então não se espante se nos próximos posts você se deparar com cidades como “Coroa de Espinhos”, “Caldeirão das Almas”, “Rio Veloz”, ou “Rocha Ardente”.
Outro termo que eu estou tomando emprestado do mundo real é o “não praticante”. Ele é mais usado com os Haravitas. Muitos deles abrem mão de seus rígidos costumes religiosos, ou intencionalmente os deixam de lado, mas, sem perder o título de Haravita. Mais ou menos como o católico brasileiro que vai à missa de vez em nunca, se confessou uma vez nos últimos 5 anos, mas quando perguntado a respeito de sua religião, responde”Católico não praticante”. Assim são muitos dos haravitas, especialmente os estudiosos e os comerciantes. Especialmente estes últimos tem severas críticas a controladora Igreja Haravita e a maneira como ela trata os outros seres viventes.
Bom, era isso. Desculpem por ter demorado tanto a escrever.

Fevereiro 12, 2009 às 1:20 pm
Muito legal, realmente nomes com sentido (e com background) ficam mais legal que green flame, green vilage, vilage people … A imagem de onde, muito legal e condizente com o post.
Fevereiro 12, 2009 às 1:54 pm
A imagem veio com o google quando eu coloquei medieval village.
Fevereiro 12, 2009 às 2:49 pm
Isso aí, Val. Melhor fazer um cenário com nomes embasados e que façam sentido em relação à ambientação, do que se preocupar em agradar “fãbóis” de anglicismos.
Fevereiro 12, 2009 às 2:53 pm
Ah, e apesar de ser sacramentado pelos costumes católicos, hoje me considero apenas “cristão”.
Fevereiro 12, 2009 às 6:57 pm
Sinceramente, eu acho que quando bem trabalhando, não importa a língua que estiver, o nome vai soar legal e bem bolado. Não gosto de coisas soltas, sem nexo nenhum ou simplesmente ligado a uma coisa totalmente louca (cidades com nome de chocolate e coisa do tipo).
E quanto aos trolls, sem problema, nada que algumas tochas e machadadas não resolva.
Fevereiro 14, 2009 às 8:09 am
Antes o português a pseudo-idiomas e inglês. Com paciência dá pra fazer ótimos nomes compostos que não soam idiotas. Agora, de estrada do perigo, montanha da morte e vale dos mortos já tem demais… =P