Por onde andam os sistemas?

Dia desses estava passeando pelo Orkut quando um tópico deste tipo me chamou a atenção. Era de um cara que jogava a mil-e-uns anos e estava preocupado com o “sumiço” dos títulos de RPG que ele gosta. Ele reclama, inclusive, de que hoje em dia 70-80% das discussões giram em torno do d20 e seus correlatos e o resto gira em torno de 3d&t e Storyrteller clássico. O mais interessante é que ele pergunta também o por que disso tudo.

Vou me atrever a responder, mas não lá… respondo aqui.

De boa? O sumiço não é só dos títulos. É de um monte de coisa. A primeira coisa que sumiu para dar fim a RPGs carismáticos como GURPS, Shadowrun, Cyberpunk 2020, Castelo Falkenstein, Toon e coisas do gênero são os livros. Sem livros não tem como o público desses livros se renovar. E nem me venha dizer que internet resolve isso porque eu não conheço um moleque de 14 anos disposto a vencer as regras complicadas de Shadowrun com aquelas ilustrações medonhas na frente de um PC.

Outra coisa que sumiu foi a divulgação. Como as pessoas podem vir a gostar de GURPS se nem sequer sabem que ele existe? O último lançamento do sistema foi o Artes Marciais, em 2002. Dois mil e dois. Cacete, já tem o que isso? Sete anos! Em sete nãos não se produziu nada, absolutamente nada, para o GURPS. Se não se produz, se não se divulga, se não se conhece, como é que você pode pensar na possibilidade de uma revista falar a respeito deste sistema? Quando saiu a última matéria escrita numa mídia impressa sobre o GURPS? Na finada Dragão Brasil que morreu faz tempo? Para os jogadores mais jovens (o grupo do meu filho, por exemplo), que jogam a pouco mais de três anos, GURPS é um som de arroto, Shadowrun é um jogo de tiro do Xbox e Cyberpunk 2020 deve ser um filme estranho que passa tarde da noite na Record.

Poxa Valberto, não dá uma de Fabiano! Cadê os dados para você provar isso? Bem acho que a palavra de um lojista, neste caso, um que trabalha com RPG e tem sua própria editora vale bem mais que a minha e a de qualquer Fabiano neste assunto.

Valberto: Você não trabalha com GURPS porque ele é não é free, ok? Mas a DS é famosa por fazer adaptações e usar ilustrações de outros jogos e mídias como filmes, seriados e jogos de videogame – como foram as matérias de Zillion, do Deus da Guerra, do Chobits… a questão que eu faço é se a restrição do que é “free” só é usado em sistemas de RPG.

Guilherme Svaldi: No caso de GURPS especificamente a revista não trabalha porque o jogo simplesmente não existe mais no Brasil. Tu és um jogador veterano, e talvez tenha perdido um pouco da perspectiva… Mas faz CINCO anos que nada de GURPS é publicado. Quem é novo nem sabe que um dia isso existiu.

Valberto: Foi só um exemplo…

Guilherme Svaldi: OK eu entendi que foi um exemplo, mas a questão é quase tudo cai nesse exemplo. Tem poucos sistemas sendo publicados hoje em dia. Mas enfim, respondendo à sua pergunta. A lei da imprensa permite que sejam usadas ilustrações de marcas registradas por revistas, desde que sejam citadas as fontes. E se tu pegar a primeira página da DS, existe um agradecimento à Editora JBC e à Paramount Pictures Brasil, pelas imagens de Hellsing e do Watchmen, respectivamente. Foi tudo feito conseguido com as assessorias de imprensa. Essa é a mesma lei que permite que um jornal faça uma resenha de um filme ou livro, por exemplo.

Valberto: É… eu não peguei a revista – ainda.

Guilherme Svaldi: Na verdade, a revista nem saiu. :S Eu quis dizer, se você ver quando ela sair… Me expressei errado…

Valberto: Sem problemas…

Gostaria de pinçar só uma frase do cowboy de Poá, a fim de encerrar minha resposta ao cara da RPG Brasil do orkut: “Quem é novo nem sabe que um dia isso existiu“.

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7 Comentários

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7 respostas para Por onde andam os sistemas?

  1. Pra mim, ver GURPS sumir é uma boa coisa. É um dos sistemas que mais abomino.

    Sobre os outros, realmente é uma pena, especialmente com referência à bunitaça edição de 20 anos de Shadowrun que saiu nos EUA.

  2. tavernadoleo

    Tenho sorte de ter conhecido GURPS, meu azar foi depender da Devir.

  3. É uma pena mesmo ver que o Brasil é carente de sistemas. Mas se eles não vendem por aqui, fazer o quê…

    Ótimo post, Valberto, bom pra se pensar.

  4. d.darkangellus

    Concordo com tudo que foi dito acima,até pq estava lá no orkut nesse tópico.
    E só um adendo:

    “Poxa Valberto, não dá uma de Fabiano!”

    Este Fabiano vai dar o que falar,um verdadeiro marco na história. ;)

  5. shingowatanabe

    Bom Post Valberto.

    O pessoal que é blogueiro, visita fóruns e fala inglês realmente as vezes perde um pouco da perspectiva de como é o RPG no mundo real. De todos os grupos de RPG que eu tive, o único que se importava com noticias de RPG fora a antiga DB era eu. Isso me faz pensar em várias coisas como por exemplo o fato do RPGista padrão só procurar informaçções na internet de RPG que ele já conhece ou de livros para baixar…

  6. Bom post Valberto. Concordo muito com a afirmação que você deixou em itálico no final.
    É uma pena. Só acho que á culpa por isso [e não falo só de Gurps, é claro] é das editoras.

    Tenho uma dúvida. Se alguém puder me responder, por favor.
    A Devir tem gente que trabalha setorizada. Pessoal pra tradução de sistema X, pessoal do sistema Y, etc. O pessoal que traduzia [leia-se: qualquer sistema que a editora detenha os direitos e não lançou no Brasil] perdeu o emprego?

  7. Pequena correção: O último título de GURPs publicado foi o Psiquismo, em agosto de 2003. Não muda muito o argumento, mas o pessoal tende muito a lembrar do Artes Marciais e esquecer desse.

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