Arquivo do dia: 16 de outubro de 2010

Cyberpunk vinte o que?

Dando novos rumos ao cyberpunk

 

Faz algum tempo eu venho com esta idéia na cabeça de dar um rumo novo aos cenários cyberpunks. Por algum motivo a idéia dos cenários decadentes e cheios de cromo dos anos oitenta não quer sair da minha cabeça, mesmo sabendo que jamais chegaremos a nada minimamente parecido com aquilo. Na verdade, o cyberpunk, como foi pensado por Gibson e seus colegas, lá nos tempos áureos de CP 2020 e Shadowrun teve mais erros que acertos. Não surgiram as supercorporações, os governos não caíram e um monte de outras cosias não rolou.

Então cyberpunk passou, a meu ver, de futuro possível para futuro pretérito, uma vez que ele nunca foi futuro perfeito. Acredito que a sobrevivência do gênero pode se dar de duas formas: reinventando tudo à nova luz do mundo moderno – onde o foco é a telecomunicação e a informação; ou dando um visual retro ao cyberpunk já existe.

A idéia que eu estou bolando é focar tudo num cenário retrô. Uma mega-cidade chamada Dédalo. Construída em um futuro próximo, como parte de uma visão contemporânea verde, Dédalo foi um modelo de vida sustentável. Uma cidade 100% artificial, na forma de uma enorme ilha, tornou-se uma casa para os cientistas e pensadores concentrados em tornar a visão uma realidade, enquanto os seus patronos ricos construíram um paraíso de lazer.

Mas logo a ameaça de uma crise ambiental global tornou-se real: os pólos glaciais derreteram, o nível do mar subiu, e a própria sobrevivência da humanidade estava ameaçada. Milhares de pessoas do todo fugiram para Dédalo como uma última esperança. Refugiados agarrados à esperança de sobrevivência chegavam dia após dia, enquanto os fundadores e seus descendentes lutaram para manter a ilha.

Agora, Dédalo perdeu o contato com o que restava do continente e existe em isolamento total. Como a diminuição dos recursos – renováveis ou não – o equilíbrio de poder está comprometido e ameaça descambar para um terrível conflito.

Sem governo capaz de tomar conta do lugar as pessoas sobrevivem em zonas. Estas zonas por sua vez são governadas por milícias, grupos pequenos e fortemente armados, que funcionam como um clã ou guilda. É como se cada zona da cidade fosse um feudo e que em via de regra todos os feudos estão meio que em luta uns com os outros. Homo hominis lupus. Imagine como se fossem favelas sobre o controle do tráfico. As pessoas que moram lá, a grande maioria, só querem sobreviver. Quem invade e entra em guerra são os milicianos.

Sei que o cenário assim não parece grande coisa ou mesmo que ele parece limitado. Mas o que você me diz dele?

 

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