Arquivo do dia: 28 de outubro de 2010

Tiroteio nosso de cada dia

Combate em Dédalo

 

Dédalo é uma terra de conflitos. E não poderia deixar de ser, uma vez que o prêmio não é uma medalha ou um monte de ouro. Estamos falando de uma luta pela simples sobrevivência. Itens simples do cotidiano tornam-se motivos para viver ou morrer: um teto sobre a cabeça, comida, água e alguma diversão. Uma possibilidade de futuro. Dignidade. A busca pela felicidade. Pergunte por que as pessoas lutam. Elas lutam pelo futuro, elas lutam pelo que acreditam.

E a luta armada é a luta pela sobrevivência. Então as ferramentas da luta são indispensáveis. As armas de fogo são verdadeiras relíquias que são tratadas com carinho. Um soldado não abandona sua arma a não ser que sua vida esteja em risco. Um soldado que volta vivo pode tentar recuperar sua arma outro dia.

As armas são quase as mesmas a vinte anos. Elas são simplesmente consertadas, remendadas, ampliadas, canibalizadas. Armeiros são pessoas respeitadas não apenas porque sabem fazer e consertar armas, mas também porque conhecem o segredo das munições. Sim, porque não existe pólvora na ilha. Você sabe que a Pólvora Negra, principal princípio propelente da munição moderna é feita com Nitrato de sódio (NaNO3), Enxofre (S) e Carvão vegetal (provê o Carbono) e nitrato de potássio (Salitre – KNO3, que provê o Oxigênio). O carvão vegetal é um elemento mais que em falta em Dédalo. Então optou-se por usar a munição subsônica, recheada com gás. O gás entra no lugar da pólvora dentro da capsula de disparo. Embora ela seja mais “fraca” que sua contraparte de pólvora é a munição mais usada.

O gás vem de material orgânico em decomposição, como fezes de animais, algas em decomposição e outros materiais. Ele é captado em cilindros especiais para este fim e colocados nas munições via injeção com um bico.

Outra característica é que as capsulas usadas são recicladas. Elas valem alguma coisa, uma vez que é muito melhor reencher o seu refil do que produzir uma nova.

Se não ganha pela mortalidade, a munição é mais silenciosa. Ela faz pouco barulho, mesmo sem silenciador. Com silenciador então, a munição ganha o nome de Quietus, ou morte silenciosa.

As equipes de segurança usam tecnologia semelhante, mas ao invés de usarem gás apenas, também usam um sistema perecido com o das armas de Gauss para expelir a munição. São chamadas de armas elétricas. Os rebeldes tentam fazer cópias destas armas, mas não têm tecnologia para isso ainda.

Já a ponta usada normalmente é de chumbo. Existe chumbo em abundância na ilha, e ele pode ser derretido com facilidade. Outras pontas menos comuns são as de cobre, as de ferro fundido e algumas até de aço.

Granadas e outros explosivos são comuns e usam a mesma tecnologia de gás. O problema é que por causa disso eles têm a efetividade limitada das munições comuns. Não existem lança-mísseis ou lança-foguetes.

Outras armas são o lança-chamas portátil, chamada carinhosamente de Drachenatem (uma corruptela de hálito de dragão, em alemão) e a besta. Sim armas mecânicas como arcos e flechas, são comuns porque são silenciosas, e não perdem potência com munição. Bestas de mão são comuns, com setas variando de 10 a 15 cm de comprimento.

Armas brancas são ainda mais comuns. Espadas, facas e outras armas são populares porque não precisam recarregar.

Dédalo é um barril de pólvora sem pólvora pronto para explodir.

 

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