Este post é uma obra de ficção coletiva chamada “meme dia Z”. Como mostro no texto, os “infectados” são o Nitro e o Talude.
É engraçado como de uma hora para outra você deixa de ser o professor esquisitão para ser o sabe tudo sobre alguma coisa. Até uma semana atrás eu era só um professor de filosofia procurando que internet móvel ia colocar no computador da minha esposa. Hoje eu sou o chefe de segurança interino das forças combinadas de defesa do gama e entrono. Ou simplesmente sou o cara que manda no esquadrão mata zumbi.
É estranho pensar que passamos de defensiva para ofensiva apenas com algumas dicas estratégicas e boa comunicação. Tenho de agradecer aos novos rádios do governador e aos caras do BOPE-DF que entenderam rapidinho como dar cabo dos zumbis com armas e sem armas. Com eles pude organizar uma defesa funcional contra as hordas de mortos-vivos. Atualmente temos controle total sobre o setor central do gama, 30% do setor norte e 40% do setor sul – incluindo o nono batalhão de polícia militar.
A situação é estável e razoável, mas tende a piorar assim que este alerta for ao ar. Temos uma área segura, toda a comida de residências, restaurantes e supermercados foi confiscada pela polícia e esta sendo dispensada aos poucos, parcimoniosamente, entre a população sobrevivente que pela última contagem (terça-feira) deu 23.522 pessoas. Qualquer pessoa capaz de segurar uma arma de impacto e com um mínimo de treinamento físico e senso de equipe esta convocada à lutar. Pena que não tenha sobrado nenhum técnico de futebol na região que realmente saiba o que está fazendo.
Estamos racionando água e combustível. As equipes de assalto têm sempre a mesma estratégia para limpar uma área. Primeiro passa um rolo compressor para esmagar os zumbis. O caveirão vem depois, adaptado com 4 ninhos de atiradores em cima. Depois vêm os jeeps com armamento leve e por fim, a tropa de choque num ônibus modificado. Os ataques são fortes e tem como objetivo dispersar ondas de mortos vivos.
A partir de domingo o projeto dos carros de som estarão em funcionamento. A idéia é simples, e o projeto piloto provou funcionar bem. Um carro de sim, tocando música bem alto atrairá todo o zumbi nas redondezas capaz de ouvir alguma coisa. Vamos tentar atraí-los para um local cheio de bombas que ainda esta sendo preparado pelos especialistas em fogos de artifício. O objetivo é explodir em chamas, para que não sobre nada do lugar.
Os médicos são os mais resistentes aos métodos de salvamento. Amputações e antibióticos experimentais garantiram que 4 dos 23 pacientes mordidos por zumbis sobrevivessem. Qualquer pessoa mordida por um zumbi deve ser amarrada e levada imediatamente ao médico mais próximo.
Sei que o meu texto colocado assim limpo e pensando faz parecer que as coisas são simples. Não são. Apesar da minha esposa e filho estarem bem vi dezenas de companheiros tombarem em batalha e à noite, impreterivelmente, sou acossado pelos rostos daqueles que não pude salvar. O meu MSN continuará ligado a internet, via rádio. Não sei quanto tempo poderei continuar transmitindo. Tenho certeza que o Talude e o Nitro estão por aí, em algum lugar, vivos. Ambos tem esposas/namoradas. Foi isso que me manteve vivo.
Bom, é isso. Somos uma free zone. Provavelmente a última do DF. Estou tentando contato com o Fred, mas não consigo. Sei de outros pontos do Brasil, como o Morro da Fumaça que está se organizando também. Agora, se me dão licença, uma manada de zumbis acabou de romper a barreira de quadra 12 do setor sul. É perto demais daqui para não mobilizar tudo o que temos.