Arquivo para Comportamento

Do micro para o macro: a minha visão sobre o pensamento da Blogsfera.

Postado em Artigo, Sem sistema, pensamentos com as tags , , , em Março 12, 2009 por valberto

Eu li em algum lugar um post sobre o crescimento da blogsfera brasileira que dizia mais ou menos assim: “O cara vê um blog novo e ao invés de juntar forças com o que já existe, ele resolve montar o seu…” Antes de qualquer coisa, peço desculpas ao autor desta frase – ou de algo parecido com isso – por não poder citar adequadamente a fonte, mas não consegui marcar o local onde li isso. Mas o importante é que eu li e depois de um tempo esse fragmento de texto começou a martelar na minha cabeça.

Eu fico pensando… o que tem de errado em montar o seu próprio blog? O que me consta, o principal motivo deste blog existir é que a sua primeira encarnação nasceu como uma resposta de ojeriza á política dos grandes portais – especialmente ao portal cujo nome não pode ser dito. Ora, um portal é um grande agregador de artistas e escritores que escrevem sob uma bandeira. De repente não é o Fulano, e sim o Fulano do Blog XPTO. E como já dizia o meu amigo Fred, esse papo de sustentar os outros com o meu trabalho só serve para turbina de avião.

Claro que com o crescimento da blogsfera alguns ganham e outros perdem. Com mais gente postando o número de informações diárias aumenta muito e pode ser que aquele leitor que aparecia atrás de você todos os dias acabe te trocando por outro que atualiza com mais freqüência. Mas de boa, e daí? Se ele levar embora todos os trolls e spammers que vira e mexe eu tenho de deletar/moderar/excluir vou estar muito bem.

Eu sempre acreditei que os movimentos verdadeiros nascem do micro para o macro. Assim sendo eu prefiro que tenhamos 50 blogs que movimentam, cada um, 300 visitas por mês do que um único site que, sob sua bandeira, movimente 35 mil visitas por mês. Antes eu tivesse 20 eventos de RPG por ano, cada um com seus 50-100 jogadores do que ter apenas um, mas que movimenta 15 mil pessoas num fim de semana. Vai ver o que faltava era algum veículo que permitisse esse tipo de veiculação. Se você pensar cada blog individual como um fanzine e cada blog coletivo (com equipe) como uma revista, estamos nos afogando nelas. Mas neste caso, afogar é MUITO bom, por que expõe dezenas de visões de mundo blog, mesmo que por pouco tempo.

E se você ler isso aqui em algum lugar e tiver vontade de escrever algo para você, vá em frente. Escreva mesmo, coloque sua cara lá para todo mundo ver. Você atrairá um idiota, com certeza. Mas também te ajudará a fazer amigos. Que tal?

Por que é que tem tão poucas mulheres jogando?

Postado em Artigo, Sem sistema, pensamentos com as tags , , em Fevereiro 1, 2009 por valberto

Um dos efeitos mais legais dos eventos de RPG é reunir uma grande quantidade de gente com bons assuntos para conversar num canto só. Você nunca fica sem assunto. E no último I RPG Itinerante de Brasília a conversa rolou solta e de alto nível.

Num dos papos rolou o seguinte diálogo:

- Puxa, tem muita gente aqui, né?

- Na última contagem deu quarenta e seis pessoas.

- Quase cinqüenta pessoas!

- E duas mulheres.

- Duas? Devem ser acompanhantes de algum jogador ou mestre.

- Pois é… e por que tem tão pouca mulher nos eventos?

- A culpa é dos jogadores, cara. Eles espantam qualquer mina que aparece…

- Verdade. Quando eu vim morar em Brasília o meu problema era a falta de jogadores. O meu grupo de jogo era composto apenas por mulheres.

- Que sonho!

- É… mas quando eu finalmente consegui jogadorEs, o grupo se desfez. Os caras ficavam secando as meninas e falando besteiras o tempo todo. Acabaram assustando as meninas e elas nunca mais apareceram…

- Que coisa mais sem graça…

Ok, o diálogo não rolou desse jeito mesmo, mas a tônica foi essa daí mesmo. Ao que o cenário indica os homens espantam as mulheres do jogo. Por que? Antes de tentar responder, vamos ver a fala de uma jogadora/mestra de RPG: Renata Galembeck, da FaleRPG. A Renata é uma das jogadoras mais competentes que eu conheço. E, de vontade própria, resolveu fazer uma experiência de campo sobre o espinhoso assunto.

Ela foi fantasiada de licantropa-onça (roupa comum, com cauda e renataorelhas de onça, e uma maquiagem que imitava o couro de uma onça) para dois eventos: um de anime e outro de RPG, com públicos estimados em torno de 5-10 mil visitantes. O objetivo era contar quantas brincadeirinhas sem graça, comentários idiotas e cantadas imbecis ela recebia em cada evento. A resposta não poderia ser mais contundente para o nosso estudo. No evento de RPG ela recebeu, nos dois dias, mais de 50 comentários estúpidos. Alguns menos explícitos e outros bem mais. Chegou mesmo a ficar constrangida com algumas das barbaridades que ouviu. E no evento de anime? Nenhum comentário. Nenhum. Apenas pessoas perguntando, insistentemente, de que anime ela vinha.

Agora é hora de analisar. O que é que existe de tão estranho entre os homens que jogam RPG que não permite que eles ajam de forma natural e socialmente aceita com pessoas do sexo oposto? Será que nunca viram uma? Será que nunca tiveram uma namorada que não fosse a cara da Silvia Saint e a mão esquerda deles? Puxa, isso me deixa realmente frustrado!

Claro que nem todo mundo é assim. Bem, nem todo mundo, mas uma boa maioria. Por que acontece está além das possibilidades deste blog, mas num esforço de aliviar este problema, eu ofereço este guia, um pouco bem-humorado, sobre como fazer as mulheres se sentirem bem-vindas no mundo do RPG.

Para economizar tempo, não vou descrever em detalhes como reconhecer membros do sexo feminino. Pergunte para a sua mãe. Essa é a classe avançada, e vamos assumir que você realmente conhece algumas garotas ou mulheres e é capaz de falar com elas. Mas, se você é como os caras de Big Bang Theory, procure acompanhamento psicológico. É sério.

Tradicionalmente, apenas namoradas são introduzidas ao RPG. Muitas vezes irmãs e primas fazem parte do pacote também. Este pode ser um ritual hediondo se não forem tomados cuidados para proteger a amada inocente. Pessoas que tem algum laço afetivo com você estão mais inclinadas a seguir com você até a casa de alguém para ficar durante seis horas rolando pequenos sólidos poliédricos. Se você tem uma namorada, comece por ela, se ela for do tipo interessada.

Se você não tem uma namorada, não entre em pânico. Pense em alguém que você conhece que goste de quadrinhos ou ficção cientifica ou filmes de terror ou Tolkien ou (Deus nos ajude) unicorniozinhos coloridos de plástico com morangos pintados nas ancas. Senso de humor pode ajudar também. A questão é: é mais fácil trazer uma pessoa para o RPG se ela já esta metida com o gênero. Hoje em dia, com a difusão da literatura fantástica (Harry Potter e Cia.) a coisa esta bem mais simples. Dia desses mesmo vi um bando de meninas rodeando o livro “Crepúsculo” que lida com vampiros estilosos. Essas são pessoas que, se fossem minhas amigas, convidaria para uma partida de Mundo das Trevas aqui em casa.

Outro problema é o fator de higiene. Não ria, isto é serio. Nem todo mundo tem esse problema, mas aqueles que têm fazem mais do que se sobressair sobre aqueles que não tem. A maioria das mulheres percebe este tipo de coisa, portanto tome uma ducha e use o sabão. Lave o seu cabelo e o penteie. Escove seus dentes. Use desodorante. Não deixe a mancha do espaguete da noite passada na sua camiseta – as suas roupas não estão limpas só porque você não deixou nada cair nelas esta semana. Isto não é uma entrevista de emprego nem nada, mas você está pedindo para ela gastar pelo menos duas horas num espaço fechado com você e seus amigos. Pense a respeito. Ninguém gosta de sentar do lado de uma lata de lixo. Imagine se a lata de lixo estiver paquerando com você? É o cúmulo.

Quando você for fazer o convite, seja discreto. Aqui você tem de ter um pouco de “alma de bom vendedor”. Vale a pena perguntar se ela conhece ou já ouviu falar do jogo. Desmistifique as dúvidas dela de forma direta e simples. Por fim, é uma boa idéia descobrir se ela já jogou alguma coisa antes e se ela gostou ou não. No que ela se interessa que se parece com RPG? Ela sabe o que é um RPG? Se ela estiver interessada, continue com a abordagem. Não comece a contar a historia de uma partida cheia de detalhes mecânicos – “e ai eu rolei um sucesso decisivo…” Não gaste 30 minutos descrevendo seu personagem ou a sua última sessão a menos que ela pareça realmente interessada. Pense na última vez que um jogador lhe contou sobre uma campanha num sistema que você nunca jogou. As anedotas devem ser breves e diretas. Uma última coisa, incrivelmente importante: não abaixe o olhar para a camisa dela! A vasta maioria das mulheres fica incrivelmente ofendida com isso! Mesmo que esta mulher em particular não fique, ela vai pensar que você está tentando cantá-la. Faca isso no momento apropriado. Nós estamos tentando chamá-la para uma sessão de jogo, lembra-se?

A escolha do jogo também favorece esse tipo de abordagem. Há duas coisas para se considerar aqui: gênero e facilidade para se jogar. Se o seu grupo joga uma campanha de longo prazo e nada mais, pule esse tópico, mas esteja pronto para ajudá-la como você faria com qualquer jogador novo. Se você pode escolher, introduza-a a um jogo que tenha um sistema simples e um gênero conhecido. Particularmente eu gosto muito do sistema Storyteller para apresentar o RPG para novatas do sexo feminino. Basta preencher bolinhas para fazer o personagem. Você não precisa sequer ficar preso ao tema dos vampiros, jogando com o que quiser. Mas vampiros estão de volta à moda de tempos em tempos. Procure sempre por sistemas simples e de popular. Por fim, mas não menos importante, você pode tentar qualquer safra de D&D popular no seu canto do bosque. A mecânica é meio desajeitada, mas todos os seus jogadores devem conhecer o jogo. Eu ainda estou para ver um jogo introdutório de espada e bruxaria que consiga vencê-lo.

Importante. Lembra-se quando eu mencionei para você não olhar para a blusa dela? O que? Já esqueceu? Volte e leia de novo! Leu? Ótimo. Agora comprometa-se a dar a mesma informação para os seus amigos também! Eles não devem olhar para a camisa dela.

Está certo. Você a trouxe aqui, agora não a afugente. Deixe o humor doentio de lado por uma sessão ou duas – isso não vai te matar. Em pouco tempo, ela vai estar inventando seus próprios usos pouco ortodoxos para os poderes ou disciplinas. Além disso, é ruim que outro personagem mate o dela. Esse tipo de coisa é comum e pode tornar uma campanha interessante, mas não causa uma boa impressão para uma iniciante. Outro ponto é que da mesma forma que o personagem dela não deve morrer logo de cara, ele também não deve ser protegido de qualquer estupidez. Trate-a com justiça, como você faria com qualquer outra pessoa que nunca jogou RPG.

Se os outros jogadores gostaram dela e todo mundo se divertiu, certifique-se de chamá-la para a próxima sessão. Confira os passos novamente, só para refrescar sua memória. Se ela não estiver interessada, é isso. Ela pode não ter o que é necessário para ser um jogador de RPG. Mas se você reencontrá-la e ela começar a tagarelar sobre o background da personagem dela, ela provavelmente foi fisgada para a vida toda. Esteja preparado para jogar, qualquer dia desses, um jogo mestrado por ela.

Tudo bem que o texto é bem humorado, mas temos de fazer um ponto de reflexão que não se encerra aqui: por que os jogadores espantam as mulheres de suas mesas? Quem quiser pode ajudar criando sua própria teoria como se fosse um meme.

Do not feed the trolls (Não alimente os trolls)

Postado em Artigo, Sem sistema, pensamentos com as tags , , , , em Janeiro 30, 2009 por valberto

 

Engraçado como a internet muda conceitos milenares com uma rapidez estonteante. Tem uns dois dias que eu queria dar uma recauchutada nos bons e velhos trolls (você sabe, aquele bicho que regenera em D&D). Queria buscar um pouco mais de suas origens das lendas escandinavas e tal. Coloquei meu Google fu à prova, achando que seria um simples rolar de telas. Leda ilusão. A internet acabou redefinindo trolls para outra coisa. E, a meu ver, uma coisa nada divertida – diferente do troll original.

Eis a definição da Wikipédia:

Um Troll, na gíria da internet, designa uma pessoa cujo comportamento tende sistematicamente a desestabilizar uma discussão, provocar e enfurecer as pessoas envolvidas nelas. O termo surgiu na Usenet, derivado da expressão trolling for suckers (lançando a isca para os trouxas), identificado e atribuído ao(s) causador(es) das sistemáticas flamewars.

Normalmente eu teria ido para a página de desambiguação, mas achei que o Google havia me feito um favor. Desde que o Lote ganhou algum vulto e proporção que o número de SPAM têm aumentado. E com os spammers os trolls vêm logo atrás.

Quando a internet começou no Brasil houve uma propaganda do bol que dizia que você só se identificava se quisesse. A foto era uma modelo com uma máscara à lá Zorro, que fazia a propaganda. A situação não tem melhorado desde então já que hoje a internet é quase um playgound do inferno.

Protegidos pela anonimidade de seus nicks falsos e pela muitas vezes intransponível barreira do teclado, as pessoas confundem a liberdade de expressão com uma libertinagem sem escrúpulos. A situação chega a ser tão aberrante ao meu ver que eu não imagino uma pessoa que aja como um troll como uma pessoa normal, dentro de suas faculdades mentais. Gosto de citar um exemplo bem didático sobre este tipo de ocorrência: Imagine uma roda de pessoas discutindo arte numa exposição. Uma das pessoas diz que não gostou do quadro ao lado. Disse mesmo que era uma obra “abaixo da média”. Um concorda, mas outro discorda, apontando veementemente as qualidades de tal obra. Quais são as chances dessa discussão chegar às raias de fato, com xingamentos, brigas e impropérios? No mundo real e civilizado as chances são quase zero, mas no mundo virtual elas ultrapassam os oitenta por cento.

Qualquer pessoa menos esclarecida – ou que se julgue bem mais esclarecida – sente-se no direito de postar todo o tipo de impropério e maldizeres que de outra forma não teria coragem de dizer. Podem prestar atenção nos “trollers” e “bullies” da net. Quando não se escondem em perfis falsos ou nicks estranhos se refugiam por trás do teclado. E como atacam! É uma chuva de palavrões, mandam ir para esse ou aquele lugar, levantam calúnias, enchem sua caixa postal com material indesejado ou até vírus. Quem já teve o desprazer de encontrar esses “tipinhos” sabe do que estou falando.

E como lidar com eles? Boa pergunta. Eu não sei. Na maioria das vezes que encontro alguém assim eu simplesmente ignoro e isolo. Não lhes alimento. Deixo que suas bravatas se percam no mundo virtual, num amontoado de dados perdidos. Claro que antes eu aviso o canal competente fazendo uma denúncia formal. Sei que a denúncia não levará a parte alguma, mas pelo menos agi de forma correta e idônea, diferente de tantos outros usuários, que se enfurecem sempre que são contestados.

Brigões de internet não passam de covardes. Protegem-se por trás dos muros invisíveis de seus ip’s alegando liberdade de imprensa. A mesma liberdade que não teriam coragem de exercitar no mundo real, onde existem normas e regras que um nick falso ou um mascarador de IP não podem resolver.

Por isso, amigos, peço a vocês: se virem um troll não o alimentem. Deixe que briguem sozinhos com suas sombras porque o que eles querem é apenas uma coisa: platéia para seus discursos vazios.