Esse tal de preço

Uma coisa que sempre me deixou cabreiro no mundo do RPG é uma coisinha chamada “preço”. Afinal, se eu somar, atualizado e corrigido, tudo o que eu já gastei com RPG ao longo da vida eu poderia comprar, à vista, um carro popular ou com algum esforço até um carro um pouco mais chique. Mas o preço é uma das coisas que sempre acompanha o RPG e, em minha opinião, é um dos motivos do jogo não ser muito conhecido no Brasil.

Existem basicamente dois tipos de produtos à venda no mundo: os de lucro pequeno e de grade rotatividade e os de lucro grande e pequena rotatividade. Uma carteira de cigarros, por exemplo, é um produto de baixo lucro e de altíssima rotatividade. Isso faz com que o cigarro seja um produto rentável. Você ganha pouco, mas vende muito, o que equilibra seu caixa. O contrário disso é um livro de luxo. Ele é caro e vende pouquíssimas unidades. Justamente por ter seu preço alto ele precisa de poucas unidades para dar lucro. Quando eu produzo 10.000 edições de um álbum luxo de quadrinhos que custa R$40,00 reais ao consumidor final, eu estou esperando um retorno alto, mesmo que as vendas sejam baixas. E situando-se nesses dois extremos temos todos os produtos do mundo: desde a balinha de dois centavos até a nova Ferrari esportiva que custa um porrilhão de dólares.

Outra coisa nesse lance de preços é o mercado. RPG no Brasil é um mercado pequeno. Não creio que gire em torno de mais de 100 mil praticantes ativos. Desses, a grande maioria é composta de adolescentes, gente com idades entre 12-16 anos, com um poder aquisitivo baixo. Outra característica do RPG no Brasil é que o seu projeto de marketing é nulo. Não existem propagandas, plano de expansão, nada. As editoras dizem que não vendem porque ninguém conhece seus produtos, entretanto para que se conheçam os produtos é preciso ter propaganda. Para ganhar é preciso gastar. Mas ninguém quer gastar, arriscar num plano de marketing. Um bom produto se mede, entre outras coisas, por sua característica de se vender ou a necessidade que ele cria.

O que nos joga ao preço das revistas de RPG. Quanto deve custar uma revista de RPG? Qual é a melhor estratégia? Baratear o custo da revista, fazendo seu acesso mais econômico ou afunilar ainda mais o mercado?

Um argumento comum que eu escuto é que revistas especializadas, por terem um público menor, deveriam custar mais caro. Quem gosta realmente delas não vai se importar com os sucessivos aumentos e vai comprar a revista de qualquer maneira. É por isso que temos uma enxurrada de revistas na banca com preço lá na lua: como esperam que elas vendam pouco, que pelo menos dêem bom lucro.

Outro argumento é que uma revista deve ser econômica no preço. Assim não vai sobrecarregar quem gosta dela e mesmo quem não gosta muito do que está ali publicado pode vir a investir nela, uma vez que ela não custa tanto assim. Uma revista desse tipo tem, teoricamente, um alcance maior.

Eu mesmo já deixei de comprar ótimas revistas por causa do preço alto. E praticamente todas as revistas mensais que eu comprava foram sucessivamente sendo deixadas para trás. O preço de todas elas estava acima das minhas possibilidades. Uma das que me interessou em comprar custa em torno de R$10,90. Não parece muita coisa, mas com o meu atual orçamento, cada centavo poupado é um centavo ganho. O preço de uma revista é essencial na hora de comprar ou de deixar a revista na banca. Um dos motivos que me fez comprar o RPG Quest e deixar o Reinos de Ferro na prateleira foi justamente o preço. Comparando o custo benefício dos dois produtos, minhas finanças e minhas necessidades como jogador, o Quest foi a escolha certa – e mais do que isso foi a escolha possível.

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1 comentário (+adicionar seu?)

  1. Gilson
    set 18, 2008 @ 12:38:42

    É foda mesmo… Quando temos que viver no mundo real das nossas contas e falta dinheiro para outras coisas.

    Gilson

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