O maior problema do RPG brasileiro

O Brasil é um país que tem uma cultura que mais se parece um Borg. Ele pega alguma coisa, assimila, interpreta, dá sua própria roupagem e transforma numa coisa sua. Pegamos o futebol, invenção inglesa e criamos o jeito brasileiro de jogar. Pegamos o Jiu-jitsu e inventamos o estilo Gracie. Desde técnicas de construir casas, passando por revistas em quadrinhos, músicas e mais recentemente até mesmo filmes e desenhos animados o Brasil vem firme e forte ao longo do tempo absorvendo e assimilando tudo o que ele pode para seu benefício. É o tal do jeito brasileiro de fazer as coisas.

Mas vai ver o grande problema do RPG brazuca é que provavelmente não encontramos ainda uma maneira Brasileira de fazer RPG. Tivemos bons cenários e sistemas claro, mas será que eram realmente Brasileiros? É só uma pergunta… Millenia, um sistema simpático com um cenário divertido e repleto de ação, mas que não foi pra frente porque rpg de ficção científica não faz sucesso. Desafio dos Bandeirantes, um cenário muito bom, mas que ficou esquecido. Tormenta que inaugurou o rpg manga style. Monstros, 3d&t, Sigma, e outros menores… Era do Caos, meu cenário nacional preferido, horror urbano, paranóia e aventura, descoberta do desconhecido. E a daemon, maior editora do Brasil, onde errou? Errou aonde Todos erraram em primeiro lugar.

O que eu acredito que seja a principal falha, o principal problema do RPG no Brasil é que quem produz algo está muito mais preocupado em se defender da acusações de quem fala mal do RPG do que realmente fazer alguma coisa.

Ninguém no país realmente sabe o que é esse jogo. “Eu falo de RPG para meus amigos na faculdade”. “Eu vou  nos eventos da Bobs e REDERPG”. “Eu tenho um site dedicado ao jogo, com vários livros para baixar”. E essa propaganda de boca a boca, micro-eventos e sites realmente surtem efeito? Traz uma quantidade de jogadores suficientes para que empresas sérias e dispostas a apostarem em títulos inovadores ou formatos novos saiam da cabeça de seus idealizadores?

Eu sei que não é o suficiente. E de quem é a culpa, do jogador médio que chama seus vizinhos para jogar? Do cara que reúne uma meia dúzia de grupos e faz um evento? Não. A culpa é da própria “indústria” do RPG nacional, pois quem realmente ganha dinheiro com isso, e olha que é um dinheiro minguado, não faz PROPAGANDA. Puro amadorismo.

Não adianta ter 3 revistas de RPG e 10 sites que falam sobre o assunto, se um camarada não vai à banca para comprar esse produto. Para arrematar o pensamento… Ou quem produz RPG no Brasil faz propaganda ou vai continuar ouvindo que RPG é coisa do capeta, de gente que nem sequer sabe o que é o jogo. Além do mais, e daí se eles não sabem? O que precisa acontecer é arrebanhar novos jogadores, sempre, e esses jogadores se encontram em frente à televisão.

Sim, a propaganda deve ser feita para a televisão, para passar nos comerciais da MTV, da TV cultura, da STV, da Rede Globo, Band, que seja, de madrugada, no domingo as duas da manhã, mas precisa. A Play TV está aí, oferecendo espaço. Basta aproveitar.

Claro que outras mídias também são válidas. Mesmo em tempos de EIRPG quantos Outdoors são colocados para divulgar o RPG? Quantas propagandas em revistas jovens? Quadrinhos e rpg parecem feitos um para o outro. Quando foi a última vez que você viu uma propaganda de rpg numa revista em quadrinhos? 1994 quando a Abril editava o AD&D? A daemon está investindo numa linha de cadernos com mais de oitenta mil cadernos. A julgar pelas capas de cadernos que eu vejo por aí vai ser um big sucesso.

E quanto a patrocinar eventos de verdade? Levar um “Dia do RPG na sua escola”? fazer um sábado de demonstração de jogos e produtos relacionados à RPG nas escolas. Num universo de 500 alunos, se 10% deles já começarem a jogar serão 50 novos jogadores por evento. Faz uma escola por semana e num mês você vai ter 200 novos jogadores. Isso em escala maior, como uma empresa como a  Devir poderia fácil, fácil, cobrir 2 ou 3 escolas por fim de semana.

É minha opinião. Pois se não houver muitos novos jogadores todos os anos continuaremos num mercado amador, dominado por amadores e comprado por uns caraminguados amadores.

Não pensem que as coisas apenas são caras, quem sabe as empresas não fazem como a abrinq e custeiam as propagandas juntas, sem “brigas” mesquinhas, sem amadorismo?

Eu digo: O povo não joga RPG porque não sabe o que é. Ainda em tempo, outros países também produzem os RPGs deles e há propaganda, a exemplo do Aquelarre espanhol e do Engel alemão. Dizer uma falácia como “A Wizards é a maior do mundo e não faz propaganda” é fugir da responsabilidade. E enquanto fugirmos, enquanto não assimilarmos o rpg a nossa própria realidade, do nosso jeito brasileiro de ser, estaremos para sempre fadados ao fracasso.

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1 comentário (+adicionar seu?)

  1. Gilson
    set 17, 2008 @ 12:43:30

    Como publicitário e, principalmente, jogador de RPG, digo que você está totalmente certo.

    Para somar mais, a empresa que divulgasse precisaria mesmo de pelo menos um produto básico, com menor preço e bem didático do jogo. Assim o retorno poderia ser muito bom.

    Gilson

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