Roleplay ou não roleplay… eis uma importante questão

Roleplay ou não roleplay… eis uma importante questão.



RPG é a sigla para role playing game, uma modalidade de jogo não competitivo surgido no final dos anos 70 nos Estados Unidos. Mas isso você já sabia. O grande diferencial do RPG é justamente que você pode ser quem você quiser ser dentro do jogo. Aquele tímido rapazinho que sempre fica por último na escolha do time de futebol pode ser Redgard, o bravo – guerreiro invencível. Aquela menina que gosta de Linkin Park pode ser uma super heroína, colocando no chinelo supers como o Batman e a Mulher-maravilha. Esta é a beleza e o “pulo do gato” do RPG. Ele colocou regras no bom e velho “polícia e ladrão”.

Mas ultimamente eu venho percebendo uma certa diáspora entre os jogadores. Um problema que se arrasta a décadas. Um problema que eu só vejo no Brasil. O que é o “role play” de roleplaying game? Qual é o limite da interpretação? É verdade que certos  RPGs dão mais ênfase a interpretação que outros?  E se isso realmente ocorrer um RPG com mais “role play” do que “game” é melhor do que um que tem mais “game” que “role play”?

Vamos começar pela primeira das perguntas. O que é role play? Segundo o dicionário role play  é algo como interpretar um papel. Fazer de conta que é alguém que você não é ou agir como outra pessoa agiria. Em sã consciência eu jamais investiria contra um dinossauro munido apenas com uma espada de ferro e uma armadura de couro, confiando além da minha habilidade, nos encantamentos que um mago que usa uma cabeça empalhada de lobo como chapéu colocou em mim. Eu não. Mas o meu ranger saurian shifter não apenas faria isso, mas faria isso mesmo sem magias. Interpretar é ser aquilo que você não é. É andar nos chinelos de outros. É fingir de forma convincente que você é outra pessoa. É interpretando que Sean Connery e outra duas dúzias de atores talentosos ganham suas vidas.

Já sabendo disso eu posso aferir que “role play” é uma parte indispensável de roleplaying game. Não é a única parte, mas não pode faltar. É como o queijo em um cheesburguer. Você pode ter muito queijo, você pode ter pouco queijo, mas se você quer um cheesburguer, você tem de ter queijo. O que nos leva a questão: qual o limite da interpretação? Vamos ver os dois exemplos abaixo sobre o mesmo caso: um paladino enfrentando um vilão.

J1 – Ser de perfídia interminável. Arrepende-te de teus pecados e prepara-te para rever teu criador pois a hora de teu julgamento chegou. Eu sou a lâmina da justiça, o peso dos atos e sou àquele que vou destruir teu império de vilanias.

J2 – Seu miserável. Seus dias de bandido chegaram ao fim. Vou torá-lo com minha vingadora sagrada +7! Smithe Evil!

Qual dos dois é o que mais interpretativo? O de cima? O de baixo? Qual dos dois concorreria ao Oscar? O que é interpretar dentro d eum jogo de RPG? Nas minhas palavras é impostar um pouco a voz e falar como se você fosse o personagem. É se divertir fazendo isso. Não preciso ter feito cinco anos de teatro, não preciso chorar na mesa quando o personagem do vizinho morre, não preciso decretar um dilema moral quando sugo a vida de um pequeno gato doméstico na minha ânsia por sangue. O limite da interpretação é o limite que o jogador impõe a si mesmo. E nada além disso. Não existe jeito certo de interpretar a não ser com alguma coerência. Afinal de contas como é que uma pessoa compra “pacifismo” e saí por aí cortando os outros como se tivesse comprado sanguinolência, sadismo e fúria. Então que fique claro: para mim interpretar é fingir com coerência ser aquilo que você não é. Ponto.

É verdade que certos  RPGs dão mais ênfase a interpretação que outros? Não. Não existe sistema que dê mais ênfase a interpretação do que outros. Existe apenas RPGs com mais regras que incentivem a interpretação. Mas sozinho um RPG tem tantas chances de interpretar quanto uma taurus de disparar sozinha dentro de uma gaveta. O que ocorre é que alguns livros direcionam mais para onde a interpretação do jogador deve seguir. Quando você lê “O guia do jogador de Vampiro: 2ª edição” você encontra um direcionamento para a sua interpretação. É para onde os autores esperem que você dedique seus esforços de ser o que não é, na direção que eles acham correto. Em RPGs que não possuem isso dão um a liberdade maior para o jogador uma vez que eles não dizem para onde você deve voltar suas atenções.

Como já vimos não existe RPG mais role play, mas se ele existisse seria melhor que outros? Não. Todo mundo esquece que role play é apenas parte da equação. Um bom “role play” sem um bom “game” não funciona nada bem. Por que para fazer um cheesbuerguer você não precisa apenas de queijo – precisa de pão, tomate, alface, hambúrguer, uma boa chapa e molho.

No fim das contas apenas o brasileiro típico, refém da onda vampiro de interpretar, fica preocupado realmente coma interpretação sheaksperiana. E acredite não é o meu caso. Acho que o RPG é importante quando ele se diverte. Não me adianta nada exagerar na interpretação e esperar que todos o colegas de mesa tenham feito curso superior de artes cênicas apenas para interpretar um paladino, um ranger e um feiticeiro num fim de tarde de sábado regado a salgadinho, refrigerante quente e quem sabe, pizza…

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5 Comentários (+adicionar seu?)

  1. Alexandre Ðraco
    out 23, 2008 @ 17:02:50

    Ótima colocação.
    Gosto de hamburger com bastante queijo, e boa parte dos meus jogadores não decepciona.

  2. rsemente
    out 23, 2008 @ 18:50:29

    Eu até que gostaria de mais queijo no amburger, mas parece que sou um pouco intolerante a lactose, mas mesmo assim sempre tento a maxima coerencia. Não dá para exigir sheaksper de niguem :P

  3. newtonrocha
    out 24, 2008 @ 10:59:54

    Do lado do mestre, o mais doido é interpretar diferentes personagens sem ter um aneurisma cerebral. E quando você tem que narrar/interpretar o diálogo entre dois ou mais personagens diferentes? hahahaha! O lance fica totalmente esquizofrênico, mas eu me divirto!

  4. Trackback: POSTERS DE RPG #4 - INTERPRETAÇÃO NO RPG! (Tio Nitro - Humor Nerd) « Nitro Dungeon - RPG Blog
  5. Daniel Anand
    out 27, 2008 @ 13:11:06

    Eu usaria a segunda opção sempre: “Seu miserável. Seus dias de bandido chegaram ao fim. Vou abri-lo ao com minha vingadora sagrada! Smite Evil!” Só tiraria o +7, que é meta-jogo demais. :-)

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