Colocando um pouco de verossimilhança na sua vida

Colocando um pouco de verossimilhança na sua vida

Vero-q-que? Mas palavra grande. É de comer, de beber ou é xingamnto? Nem uma coisa e nem outra. Verossimilhança, em linguagem corrente, é o atributo daquilo que parece intuitivamente verdadeiro, isto é, o que é atribuído a uma realidade portadora de uma aparência ou de uma probabilidade de verdade, na relação ambígua que se estabelece entre imagem e idéia. Em outras palavras são maneiras de fazer com que a sua criação faça sentido. Fazer as pessoas pensarem ou comprarem a idéia de que aquele lugar fantástico ou situação que você está descrevendo não apenas faz sentido, mas poderia existir com alguma boa vontade.

Exemplos são melhores que conceitos neste caso. Que tal explorar um templo abandonado em busca de um antigo artefato mágico? Parece divertido. Vamos lá. Ora, se é um templo abandonado por que existe um labirinto de quartos e nenhuma capela? Onde fica a cozinha? A dispensa? Onde dormiam os monges que nela habitavam? E se ele está mesmo abandonado, por que em todas as salas existe um monstro diferente? Levanto também a questão das dungeons temáticas, onde o cenário também é um desafio em si que se integra com as criaturas que lá habitam. De volta ao templo, se integrarmos a história do templo também teremos um motivo para que ele esteja abandonado, criaturas que nele habitam, e até mesmo a disposição das salas.

Alguns jogos de MMORPG são famosos por fazer isso. Alguns o fazem com maestria. É o caso de Ragnarok. Um destes exemplos é a dungeon que fica em baixo da nova cidade Payon: aquele conjunto de túneis e labirintos é o que sobrou da velha Payon que caiu soterrada por um terrível terremoto. Aqueles que não morreram imediatamente foram transformados em mortos-vivos, que ficam mais poderoso a medida que chegam perto do centro da cidade: então num nível mais em cima temos esqueletos e zumbis, num segundo nível, as fantasmas das virgens e num terceiro nível temos criaturas mortas-vivas inteligentes que comandam aquele eco-necro-sistema.

Outro exemplo é o de uma maldição sobre um santuário. O Santuário de Rachel. Um marido triste pela morte da esposa resolveu fazer-lhe um templo-mortuário, com vários andares. Uma deusa ficou enciumada e condenou os trabalhadores do lugar a permanecerem para sempre limpando e dando manutenção no local, mas sem nunca termina-lo totalmente. Estes trabalhadores, convertidos em criaturas meio autômatos, meio celestiais são escravos da maldição. Dungeons assim são instigantes e trazem para o jogador uma sensação de verossimilhança – uma sensação de que “isso poderia mesmo acontecer” ou “que isto faz sentido”, como nós já explicamos.

Mas eu não quero saber de nada disso – reclama o garoto com blusa do Nightwish – quero é detonar monstros e quanto mais, melhor. Claro, cada um a seu momento. Vamos pegar o seu desejo por sangue e fazer o que você deseja.

Galustia foi, num passado distante, um grande reino. Arrasada no passado por um grande cataclisma suas grandes cidades foram abandonadas. Incontáveis anos mais tarde uma floresta tropical cresceu entre suas ruínas, escondendo-as na selva. A história de Galustia e suas grandes cidades hoje não passam de contos de fada.

Mas, em todo conto de fada a um pedaço de verdade. Numa das cidades ao sul da antiga capital existia um templo, dedicada à deusa da cura. Lá, segundo as lendas, existia um item muito poderoso capaz de curar qualquer doença. Lenda ou não, a filha do rei esta doente e seu pai esta disposto a investigar todas as curas possíveis.

A viagem não será fácil. A floresta está infestada por elfos selvagens, avessos ao contato com homens. Como se não fosse o bastante um grupo de homens lagarto mudou-se para as ruínas da antiga capital e hoje está em guerra com a nação élfica. Dizem que o templo é habitado pelos espectros dos seus antigos sacerdotes.

Feras selvagens, elfos, homens lagarto, espectros e quem sabe até um dragão verde – florestas – aguradam os roladores de dado. Nada mal, hein?

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3 Comentários (+adicionar seu?)

  1. Cassiano
    nov 09, 2008 @ 15:47:53

    Taí um blog que acabou de entrar nos meus favoritos!!

    Boa matéria, parabéns!!

  2. valberto
    nov 09, 2008 @ 19:49:25

    Obrigado Cassiano. :)
    Se puder, dê uma olhada nas postagens antigas.

  3. rsemente
    nov 11, 2008 @ 12:02:33

    Realmente a verossimilhança é algo que procuro na minha campnha, por isso não coloquei nenhuma dugeon pura no jogo, elas são bem toscas se vistas friamente. a primeria dungeon que criarei vai ser agora, e utilizará o conceito do templo abandonado que sofreu ataque de algo em escavações (Diablo na veia :)).

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