Revendo mais alguns conceitos: classes

Estava revendo meus alfarrábios empoeirados de livros de D&D e AD&D esses dias. Como deve ser do conhecimento dos que visitam com alguma regularidade este humilde blog estou trabalhando numa versão OGL das regras de d20, buscando uma orientação mais “velha guarda” (old school) de se jogar D&D. E nessas passagens me deparei com alguns rascunhos de personagens que eu fiz ainda para AD&D em mil novecentos e antigamente. Eram três personagens: Javik, o Viking; Isamo, o Ninja; e Andrav, o Bandoleiro. Três personagens que fugiam ao conceito das classes básicas de AD&D naquela época. Sim, eu sei que existe o AD&D Historical Campaing com o tema dos Vikins, também sei que existe o Complete Book of Ninjas e sei que em algum lugar no Complete Book of Thieves deveria haver algo como o Andrav. Mas como eu disse, era mil novecentos e antigamente e uma coisa que naquela época não tínhamos eram livros. E o que eu fiz para resolver o problema? Improvisei, junto com alguns livros de história e alguns filmes.

O que é um Viking se não um bárbaro ou guerreiro com roupas, armas e costumes diferentes? Pensando nisso foi que Javik foi feito. Ele sabia nadar e manjeva bem o machado, rezava para o deus da guerra… quer dizer, eu não precisei de uma uma única página do AD&D Historical Campaing para me divertir. Com o Ninja foi a mesma coisa. Ele era um Ladino/Mago. Nada mais adequado. A Ninja-to era uma espada curta obra-prima e as famosas shurikens eram adagas de arremesso. Já Andrav era um caboclinho safado e boca mole. Não precisei de fichas e nem de regras para isso. Uma Int 12 e um Car 14 e uma boa dose de interpretação e o cara quase casou com uma princesa!

O que eu quero dizer é que no estilo Velha Guarda você não precisa de uma nova regra, de um novo poder, de uma nova classe de prestígio. Para ser quem você quer ser, basta agir como tal. Samurai? Um guerreiro com códigos de honra e uma espada bastarda (katana). Mais do que isso era só consultar os livros de história. Da mesma forma uma bruxa nada mais é do que uma Maga, obrigatoriamente do sexo feminino. Mesmo um Caçador de Vampiros nada mais é do que um personagem que foi focado em na perseguição, destruição e eliminação destas criaturas. O mesmo vale para qualquer um, mesmo o mais vil dos assassinos: matar não requer nenhum poder especial – apenas a habilidade de distribuir encontros entre deuses e seus devotos por meio da morte.

Na velha guarda escolher um título pomposo não força você a ir dentro de um livro novo apenas para escolher uma nova classe. Escolher um título não deveria dar a você também novos poderes ou habilidades.  Bons personagens são aqueles que aquilo que o jogador deseja. Não o contrário.

E para celebrar isso vou ressucitar estes três velhos aventureiros como eles eram em mil novecentos e antigamente. O primeiro será Javik. Nos próximos posts, teremos o ninja e o bandoleiro.

Javik, o Viking;

Raça/Classe: Guerreiro Humano Nível 3

For 17 Des 10 Con 12 Int 10 Sab 12 Car 09

CA: 16 PV: 35

Bônus de Ataque: +3

Habilidades Especiais: Foco (Machado), Empurrar.

Perícias: Natação +4, Escalar +4, Iniciativa +1, Intimidar +3, Profissão: Marinheiro +2.

Jogadas de Proteção: Fort +3 Ref +1 Fort +1

Equipamento: Machado (1d8), Arco (1d6), 20 flechas, Escudo, Cota de Malha, Elmo, Espada Curta (1d6), Cinto com Bolsas, Mochila, Saco de dormir, 3 tochas.

6 Comentários (+adicionar seu?)

  1. rsemente
    nov 26, 2008 @ 13:23:40

    Boa época essa: Quero um cavaleiro medieval=geurreiro, quero umninja=ladrão, quero um homem das cavernas=guerreiro… A época do D&D e da falta de livros. Nessa época o GURPS Reinou, pois um simples livro já permitia realizar quase todos conceitos possiveis, e com mais uns 3 suplementos permitia tudo!

  2. Daniel R
    nov 26, 2008 @ 21:05:13

    Aê, também sou da velha guarda! Que nova classe o quê, criativo é quem sabe trabalhar com o que tem!

  3. outrabelem
    nov 26, 2008 @ 22:04:17

    Bacana a matéria. Mas esse conceito de classe eu sempre achei ridículo, das obrigatoriedades e limitações obrigatórias que nunca entenderei, pois tenho mais o que não fazer e muito mais para jogar.

    inté!

    Gilson

  4. Gilson
    nov 26, 2008 @ 22:07:45

    Bacana a matéria. Mas esse conceito de classe eu sempre achei ridículo, das obrigatoriedades e limitações obrigatórias que nunca entenderei, pois tenho mais o que não fazer e muito mais para jogar.

    inté!

    Gilson

  5. valberto
    nov 27, 2008 @ 08:54:03

    Eu aprendi uma coisa: as pessoas gostam de limites. Se vc dá ao cara qualquer coisa par ele ser, a maioria se embanana. mas quando vc diz: olha, pode ser desse jeito, daquele jeito ou daquele outro jeito, as pessoas parecem que brilham. Muitos dos meus personagen memoráveis só vieram de limitaçãoes; não existiriam se eu estivesse com todas as escolhas.

  6. mexicano21
    dez 08, 2008 @ 05:14:36

    Concordo com o valberto, porque isso acontece com os meus jogadores também.

    Mas sabe, eu descobri porque isso acontece. Porque meus jogadores olham todas as regras, vêem o que pode deixar o seu personagem “mais poderoso”, e vão montando ele de acordo com isso, estabelecendo metas em talentos, classes de prestígio, etc. Se nada disso existisse, temo que todos os guerreiros seriam iguais, e o jogo ficaria chato. Não sei como resolver, talvez não haja um jeito. Talvez esse seja simplesmente o jeito deles se divertirem. As minhas insistentes tentativas de fazê-los interpretar mais e bater e comprar menos não mudam esse comportamento em absolutamente nada. Apenas acrescentam alguns adjetivos aos personagens que eles não fazem idéia de como explorar.

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