Repensando as classes básicas I – Halflings

 

“Quando o teu arco se tiver partido e tiveres gasto a última flecha, dispara, dispara com todo o coração.”

 

Guerreiros honrados e caçadores astutos

Foi a dois mil anos atrás que as primeiras naus da frota de arcas humanas atingiram a costa das terras Vellenar. Estas naus humanas, cheias de refugiados, deixavam para trás suas moribundas terras em busca de um presente de seu deus: uma terra verde onde o mel e o leite verteriam à vontade, e onde eles pudessem viver em paz. Os registros históricos não são bem acurados neste ponto, mas ao que tudo indica aqueles primeiros 600 mil humanos vinham fugindo de uma perseguição religiosa em sua terra de origem.

Quando eles chegaram começaram a montar suas vilas e a tomar a terra para si mesmos. Só não sabiam que ali já existia uma raça de humanóides pequenos e ferozes: os Kesan. Chamados pelos humanos de Halflings (metades de um ser, devido a seu tamanho) eles foram amistosos com os visitantes. Este talvez tenha sido seu grande erro.

Na época os Kesans se dividiam em seis grandes nações ligadas entre si por laços culturais comuns e pelo idioma: os pés-peludos, os pés-calvos, os pés-leves, os baixos, os altos e finalmente os verdes. Essas raças concentravam-se no norte temperado, na costa leste e na zona mais central de Vellenar. As nações eram independentes entre si, cada uma com seus próprios costumes e até mesmo alguma rivalidades. Mas até aquele momento eram os donos da terra e a mantinham para as gerações futuras.

Com o avanço da civilização humana os kesans foram sendo empurrados de suas terras. Os humanos, certos de que esta a terra prometida a eles por seu deus trataram de expulsar os kesans como se fossem animais. Eles tentaram resistir, mas não eram páreo para as armas e armaduras desenvolvidas pelos humanos. As doenças trazidas pelos colonizadores também dizimou muito dos antigos moradores. Estima-se que cerca de 70% da raça dos halflings desapareceu graças a essas moléstias.

Depois de uma sangrenta batalha, um armistício entre os dois povos foi assinado. Os kesans foram empurrados para a costa oeste e vivem num território dez vezes menor do que eles tinham antes, espremidos entre comunidades humanas.

Os kesans dão grande valor a vida em família. Crianças são tratadas como verdadeiros tesouros, protegidos e resguardados como se fossem bênçãos dos deuses. Nas famílias a mãe é responsável pelo cuidado e educação dos filhos. Se um casal não tem filhos eles costumam fazer oferendas em templos para conseguir filhos. Em muitos casos costumam fazer oferendas aos deuses, pedindo o tão desejado filho. Em último estágio podem adotar crianças órfãs.

Assim como em outras sociedades é esperado das mulheres que obedeçam a seus pais e esposos, mas diferente dos humanos, as mulheres kesans são iguais aos homens em muitos aspectos da lei. Elas possuem o direito de possuir terras, tornarem-se xamãs ou mesmo guerreiras, e até mesmo defenderem-se nos tribunais da lei. Em se tratando de punições, as mulheres recebiam o mesmo tratamento dos homens. Fêmeas de qualquer raça são muito respeitadas na sociedade kesan.

Rapazes são ensinados por seus pais ou parentes masculinos a uma profissão. Mulheres recebem treinamento semelhante, mas este fica por conta das mães. Em casos não tão raros existe a troca de papéis. Por volta dos sete anos as crianças aprendem os rudimentos da escrita, religião, meditação, agricultura, caça e pesca.

As crianças são ensinadas também o respeito e cuidado com os idosos. É esperado que um filho se responsabilize por seus pais quando estes alcançarem a velhice. Ao momento da morte de seus pais, os filhos recebiam a herança. É incluído neste butim de herança todos os bens dos falecidos. Dívidas e promessas não cumpridas dos pais também são herdadas. Um filho pode renunciar a todos os bens de seus pais – incluindo seu nome, mas este é um fato muito raro. Se uma família não tinha descendentes, a tribo divide o butim.

Tanto homens como mulheres são educados, em algum momento de suas vidas, a cuidarem dos filhos e a assumirem a gerência da casa e dos negócios da família. Um homem ou mulher que não tem controle sobre sua vida (vive em vício ou embriaguez) é considerado um pária na sociedade.

As tribos e nações vivem em grupamentos semi-nômades dentro da terra que consideram como sua. A idéia é que se você tem muita terra para tomar conta, por que ficar sentado num canto só? Por causa disso kesans domesticaram vários tipos de animais, como os lagartos corredores, cavalos, boares e os búfalos d’água.

O casamento chega cedo para muitas delas. Elas casam geralmente por volta dos vinte e quatro anos. É esperado que um kesan só se case se ele é capaz de manter um lar. Casamentos são arranjados pelos pais das crianças, mas uma mulher ou homem com mais de vinte anos pode recusar o arranjo do seu casamento perante um conselho tribal.

O divórcio é uma opção, embora não seja tão comum. Se um marido maltratar sua esposa ela pode buscar refúgio na sua família de origem. Se a família de origem não puder ajudar ou o marido continuar a importunar a esposa, ela pode buscar ajuda legal. O mesmo vale para os homens. Nem mesmo o chefe da tribo está acima desta lei. Qualquer um pode declarar o divórcio perante um conselho tribal, depois de três sessões de reconciliação falhas. As crianças são livres para morar com os parentes que desejarem. Crianças menores de sete anos ficam normalmente com a mãe, mas um juiz pode arbitrar quem estiver mais habilitado para cuidar dos filhos.

O cozimento dos alimentos é feito em tradicionais fornos e fogões de barro ou em fogueiras abertas. A madeira é pouco usada, sendo que eles usam mais pedras de fogo para suas fogueiras. A comida é assada, cozida, fervida no vapor, frita, gratinada, empanada ou assada. Os pratos são feitos de barro e madeira. A cerveja é a bebida mais popular e o pão é o alimento mais popular. Juntos eles fazem a base da dieta halfling. A cerveja é feita a partir de cavada seca e o pão de trigo. Outros temperos envolvem o azeite, a azeitona, o louro, o mel, a salsa, o alecrim e a pimenta de cheiro. Além disso, realizavam atividades de caça a animais de grande porte como os búfalos e bisões. A caça desses animais envolvia uma grande preparação capaz de exigir a participação de aldeias inteiras. A carne obtida desse tipo de caça era dividia entre as famílias participantes, os ossos utilizados para o artesanato e fabricação de armas e o couro para a confecção de roupas e tendas.

Personalidade

Guerreiros orgulhosos e xamãs devotados.

O coração de um kesan arde com a chama da bravura. Eles demonstram uma coragem que poucas raças maiores podem superar. Muitos de seus atos de bravura são chamados de lendas por outros povos e nações. O seu orgulho de guerreiro só é comparável com a sua fé e com a força com que defende suas tradições e seus costumes.

Possuem um sendo se equilíbrio muito antenado com o mundo, jamais consumindo mais comida do que realmente precisam. Eles gostam de pratos bem simples, bebidas agradáveis, bom tabaco e roupas confortáveis. Embora possam ser atraídos por promessa de riqueza, eles costumam trocar todo o ouro que ganham por outros bens. Segundo o chefe dos Pés-peludos “tente comer um pedaço de ouro quando estiver com fome”.

Descrição física

Pequenos e práticos…

Medindo cerca de 90 centímetros, não costumam passar dos 18 quilos, tendo seus cabelos e olhos pretos ou castanhos. É muito raro ver um halfling de barba ou bigode, embora costumem deixar crescer longas costeletas. Gostam de roupas confortáveis, simples e praticas. Ao contrario dos membros de outras raças eles escolhem o conforto no lugar da ostentação da riqueza. Atingem a vida adulta aos 20 anos, vivendo pouco mais de um século e meio. Vale a pena ver as alterações que cada nação oferece.

Pés-peludos: possuem peso e altura compatíveis com o comum da raça. Sua principal característica é o peito do pé coberto por um abundante tufo de pelos. Eles são os mais sociáveis dos kezans. Sempre que vão perfazer alguma ação social ganham um bônus racial de +2.

Pés-calvos: são os mais parecidos com humanos. Alguns deles podem até mesmo se passar por crianças humanas. Muito observadores, recebem um bônus racial de +2 para todos os testes que envolvam os sentidos.

Pés-leves: também chamados de corredores. Apreciam a vida ao ar livre e gostam muito de esportes que envolvam corridas, saltos e acrobacias. Sempre que estão envolvidos em algum teste que exija corrida, salto ou acrobacia adicionam um bônus de +2 aos testes.

Baixos: são das nações mais raras. São ainda menores que um kesan comum, mas também são mais troncudos. Sua resistência física é lendária. Recebem um bônus racial de +4 a todos os testes de fortitude que realizem.

Altos: vivem mais ao norte. São mais altos que os kezans comuns (média de 30 cm) e tem constituição fina, semelhante a dos elfos. Um alto kezan pode ser passar com facilidade como uma criança elfa (alguns têm até orelhas pontudas). São os com mais afinidade para o aprendizado da magia, recebendo um bônus de +1 em todos os efeitos mágicos que produzirem.

Verdes: vivem nas florestas e apesar do nome não têm pele verde. Possuem cabelos verdes. São os que têm mais relação com a natureza, produzindo xamãs e druidas de grande poder. Podem falar com criaturas da natureza, especialmente das florestas, à vontade.

Tendência

Aventuras em clã…

Tendem a ser neutros e práticos. Apesar de se sentirem confortáveis com a mudança, também tendem a depender de constantes intangíveis, como vínculos de clã e a honra pessoal.

Relações

Amigos te todos…

Os Halflings tentam conviver bem com todo mundo – mesmo os humanos, que eles vêm como “espíritos mal orientados”. Eles possuem facilidade em se relacionar com anões, elfos ou gnomos, sendo sempre úteis independentemente do lugar onde se encontram. Como a sociedade humana muda muito mais rápida se comparada a das raças de vida longa, elas freqüentemente oferecem mais oportunidades a serem explorada, portanto, os Halflings são mais encontrados próximos as terras dos humanos.

Terras

Protetores sagazes e viajantes dentro de seus quintais

Os halflings possuem suas terras próprias. Protegem suas terras, onde podem se beneficiar dos recursos que essas oferecem. Geralmente formam comunidades muito unidas em meio às cidades humanas. Eles também formam comunidades em áreas seguras e montam vilas auto-suficientes. Suas casas são enormes tendas feitas de couro de animais e decoradas com enfeites de madeira e osso. Podem ser facilmente camufláveis. Um caminhante menos observador pode passar ao lado de uma vila kezan sem perceber.

 

Modificadores raciais

• +2 Destreza, –2 Força. Halflings são pequenos e ágeis, mas são fracos.

• Pequeno: Como uma criatura Pequena, um halfling ganha um bônus, devido ao seu tamanho, de +1 na Classe de Armadura, de +1 nos ataques, e de +4 em testes de Esconder-se, mas ele usa armas menores das que de um humano.

• O deslocamento base de um halfling é de 6 metros.

• +2 de bônus racial em testes de Escalar, Pular, e Furtividade (cumulativos com qualquer outro bônus racial que possuam).

• +1 de bônus racial em todos os testes de resistência (cumulativos com qualquer outro bônus racial que possuam).

• +4 de bônus de moral nos testes de resistência contra medo: Esse bônus é cumulativo com o bônus de +1 nos testes de resistência em geral dos halflings.

• recebem acuidade com arma como Talento Racial.

• +2 de bônus racial em testes de Ouvir.

• Idiomas Básicos: Comum e Halfling.

• Classe Favorecida: Ranger. O nível de Ranger de um halfling multiclasse não conta para determinar se ele sofre uma penalidade nos pontos de experiência por multiclasse.

 

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2 Comentários (+adicionar seu?)

  1. Heitor
    jan 01, 2009 @ 20:21:25

    Da-lhe, Betão! Mais uma matéria massa sobre raças e conceitos. Suponho que você tenha pego como base os halflings selvagens de Eberron, mas aplicou uma roupagem bastante original: a do nativo americano tribal (inclusive, há algum tempo esbocei uns orcs incas!). Uma boa iniciativa, já que muitos autores nacionais parecem ter “medo” de utilizar elementos nativos da cultura de seu país ou continente, alegando o famoso “escapismo”. Mas isso é coisa para se falar em outra hora…

  2. valberto
    jan 01, 2009 @ 20:25:46

    A verdade é que ali tem mais que os indios norte americanos. As seis nações vieram obviamente deles, juntamente com a cultura humana os espremendo, mas boa parte de seus costumes veio dos egípcios.

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