Repensando as raças básicas I – Golias:

 

“Mas é claro que eu sou o mais forte aqui” – última frase que se ouviu antes que a taverna que reunia seis aventureiros Golias fosse destruída em meio a uma terrível briga.

 

 

Gigantes em força, puros de alma.

 

A raça dos Golias é uma das raças mais ancestrais que se tem notícia. Os primeiros relatos falam de um suntuoso império numa ilha afastada do mundo moderno, onde a magia e a arte prosperavam. Seu tamanho e força propiciavam a defesa que precisaram para estabelecer seu império.

Os Golias nunca foram dos povos mais brilhantes e inteligentes. Eles sabem disso. Mas justamente por saber desta deficiência foi que eles trouxeram os melhores professores que podiam, pelo preço que lhes era exigido. Tutores elfos, engenheiros gnomos, artífices anões e até mesmo os exímios caçadores Kezans foram convidados a emprestar sua cultura ao povo dos gigantes. Mesmo isso não os satisfazia: emissários e estudantes – sempre escolhidos entre os mais talentosos da raça – eram enviados para outras nações, sempre tentando trazer o que de melhor havia naquelas regiões.

O salto evolucionário foi lento, mas constante. As primeiras cidades lembravam uma mistura da arquitetura dos outros povos, trazendo pouco ou nada da cultura Golias. Mas com o passar dos anos e seguindo seu próprio ritmo e peculiaridades os Golias ascenderam a uma linda e prospera civilização. Muitos aspectos de outras raças ainda imperavam neles: o amor pela natureza, aprendida com os Kezans; a escolha consciente da liberdade, aprendida com os Gnomos; o gosto e o prazer pela arte refinada, aprendida com os Elfos.

Suas cidades eram pouco mais que vilas auto-suficientes, ligadas entre si por limpas e bem cuidadas estradas de duas mãos. Um simples, porém eficaz sistema de comunicação, feito por falcões mensageiros interligava todo o império. A derrocada começou quando o Imperador Sozeen desrespeitou os velhos ensinamentos e iniciou uma expansão militar para o norte de sua ilha. Essa expansão encontrou um vale escondido entre as brumas. Um vale rico em recursos de todo o tipo, mas que já tinham um morador nativo: formians – uma raça semi-inteligente e coletiva que era a evolução natural das formigas. As tropas do imperador avançaram sobre a principal colônia formian, no intuito de devastá-la. A batalha foi feroz, mas o Imperador calculou mal a quantidade de inimigos. Para cada formian abatido, seis outros tomavam o seu lugar. Em desvantagem numérica e com pesadas baixas o exército se retirou. Mas os formians, ao invés de cessarem a perseguição como era de se esperar, continuaram a perseguir o exército derrotado. A invasão começou pelas vilas mais próximas ao vale enevoado e prosperou devastando tudo em seu caminho até atingir a cidade capital. Acuado por seus ministros o Imperador renunciou. Assumiu seu filho mis velho que ordenou retirada de toas as tropas, evacuação das vilas e cidades e fuga para além mar. Navios gnomos foram chamados às pressas para transportar os refugiados. Milhares não conseguiram chega ao porto, cercadas por tropas inimigas. Diz-se que mesmo o ex-imperador, Sozeen morreu combatendo as terríveis feras para que outros escapassem.

A fuga foi penosa e teve muitos prejuízos além das mortes. Boa parte da cultura havia se perdido para sempre e praticamente a esperança de encontrarem novo lar. Ao desembarcarem nas terras gnômicas as famílias se reuniram em clãs e cada grupo partiu em busca do seu lugar no novo mundo.

A unidade básica de sua organização social tornou-se o clã, composto por famílias aparentadas que partilhavam um núcleo familiar comum. Muitos tornaram-se nômades, criando gado e o levando através do continente em busca de pastagens. Com o fim da monarquia os Golias deixaram de ter uma classe social nobre. Essa foi assumida pelos chefes de clã que recebem o nome de Patriarcas ou Matriarcas. As classes sociais sobreviventes foram os homens livres, os servos, artesãos, refugiados e escravos. Este último grupo não possuía direitos políticos. A esta estrutura secular, agregou-se os sacerdotes (druidas), bardos e ovados, todos com grande influência sobre a sociedade.

As manifestações artísticas Golias possuem marcante originalidade, embora denotem influências élficas e gnômicas. Há uma nítida tendência abstrata na decoração de peças, com figuras em espiral, volutas e desenhos geométricos. Entre os objetos inumados, destacam-se peças ricamente adornadas em bronze, prata e ouro, com incisões, relevos e motivos entalhados.

Alguns estereótipos foram associados à cultura dos Golias, como imagens de guerreiros portando capacetes com chifres, ou asas, combatendo com martelos e maças gigantes, comemorações de festas com taças feitas de crânios dos inimigos, entre outros. Essas imagens se devem em parte ao conhecimento divulgado sobre os Golias durante os primeiros anos do seu êxodo.

Assim como os gnomos a vida em família é importante para um Golias. Laços familiares são mais fortes que o ferro. A religião é politeísta com características animistas, sendo os seus ritos quase sempre realizados ao ar livre. O calendário anual possui várias festas místicas, como as celebrações dos equinócios e solstícios.

Embora se saiba que os Golias adoravam um grande número de divindades, do seu culto hoje pouco se conhece para além de alguns dos seus nomes. Tendo um fundo animista, a religião Golias venera múltiplas divindades associadas a atividades, fenômenos da natureza e a outras coisas. Entre as divindades ainda cultuadas podem ser citadas Taillanta e Mechia, as deusas da natureza, e Enopa, a deusa dos cavalos. Entre as divindades masculinas incluíam-se deuses como Goibiniu, o fabricante de cerveja, e Tan Hill, a divindade do fogo.

 

Personalidade

Um povo sem pátria, em busca de seu lugar no mundo.

Golias tendem a ser gentis e curiosos em relação ao mundo, embora não sejam capazes de acompanhar o raciocínio rápido de outras raças ou seus movimentos ágeis. Apesar de sua inclinação para a bondade são amplamente competitivos, sempre querendo determinar quem é o mais forte, o mais esperto, o mais rápido, etc. Essa competitividade também se estende a outras raças, mas um Golias jamais desafia alguém por simples bravata. Eles desafiam sim em busca de superação, mas jamais o fazem sabendo que perderão com certeza.

 

Descrição física

Gigantes e fortes.

Golias são uma raça de criaturas grandes. Sua altura varia entre 2,10m a 2,50m e seu peso vai de 100 a 130 kg com facilidade. A cor de seus cabelos tende a ser escura, mas alguns possuem cabelos dourados ou vermelhos (normalmente esta cor de cabelos está associada á habilidades mágicas). A pele é sempre pálida, com exceção para os que vivem à beira-mar. Homens mais velhos tendem a deixar crescer suas barbas, evoluindo para bigodes e barbichas bem-cuidadas. Mulheres costumam usar os cabelos curtos ou presos em rabos-de-cavalo. Praticamente todos os membros dessa raça usam algum adereço em forma de jóia. Os mais comuns são anéis e broncos, mas piercings e tatuagens não são descartadas.

 

Tendência

Bravos e tolos aventureiros

Assim como outros povos tendem a ser neutros e práticos. No entanto sua natureza também tende para a bondade, especialmente com membros dói seu próprio povo. A solidariedade muitas vezes encerra facetas que vão contra as leis.

 

Relações

Reservados com estranhos e familiares com amigos.

Golias são reservados para aqueles de fora do seu círculo familiar e de amizade, mas depois de algum tempo acostuma-se com as pessoas AA sua volta, tratando-os com mais gentileza e calor. Não fazem amigos com facilidade, mas quando o fazem é por toda a vida. A única raça que parecem não se relacionar bem são os humanos, que os vêem apenas como bestas de guerra.

 

Terras

Os Golias não possuem mais terras próprias. Em vez disso, vivem nas terras de outras raças, onde podem se beneficiar dos recursos que essas oferecem. Geralmente formam comunidades muito unidas em meio a terras ermas, especialmente gnomas e elfas. Porém estas comunidades são conhecidas por aproveitar oportunidades, emigrando em massa para uma região oportuna, quando, por exemplo, uma nova mina é aberta ou uma guerra devastadora torna difícil encontrar trabalhadores braçais. Se as oportunidades são temporárias, a comunidade recorre e se translada de novo, no momento em que a exploração se esgota. Se a oportunidade é duradoura, os Golias se organizam numa nova vila. Por outro lado uma comunidade pode encarar a migração como modo de vida, guiando carroças ou botes de um lugar para o outro sem nenhuma casa permanente.

 

Ajustes de Habilidades: +2 Força, +2 Sabedoria, -2 Destreza, -2 Inteligência.

Tamanho Médio: Como criaturas Médias, Golias não têm nenhum bônus ou penalidades especiais devido ao se tamanho.

Deslocamento: O deslocamento base de um Golias é de 9 metros.

Corpo Fechado: Os Golias têm uma armadura natural de +4 quando não usam nenhuma armadura mais pesada que a Média.

Visão no Escuro: Golias podem ver no escuro a até 18 metros. Visão no Escuro é apenas em preto-e-branco, e Golias podem agir normalmente com nenhuma luz.

Inimigo Natural: Bestas mágicas. Todos os Golias aprendem a caçar Bestas Mágicas. Quando combate uma dessas criaturas um Golias ganha um bônus de ataque de +2 e um bônus de dano de +4.

Corpo Grande: Todas as tentativas de agarrar ou manobras que levam em conta o tamanho da criatura tratam o Golias como Grande e não como Médio.

Sangue Gigante: Para todos os efeitos relacionados à raça, um Golias é considerado um gigante.

Idiomas Básicos: Comum e Gigante. Idiomas Adicionais: Dracônico, Gnoll, Goblin, e Abissal.

Classe Favorecida: Guerreiro. O nível de bárbaro de um Golias multiclasse não conta para determinar se ele sofre uma penalidade nos pontos de experiência por multiclasse.

 

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2 Comentários (+adicionar seu?)

  1. Remo
    jan 02, 2009 @ 21:38:16

    Mais uma raça com mais personalidade(TM)!
    Gosto especialmente como a cultura é detalhada, num grau que não se vê em livro básico nenhum por aí.

    Minha única ressalva é para certos talentos que refletem cultura, não raça. Claro que se pode argumentar que tais raças têm uma cultura unificada (como parece ser o caso), mas seria bacana (e fica como sugestão), fazer alguns “pacotes” culturais, apresentando uma mesma raça com umas três culturas distintas.

    Outra coisa interessante: creditar as ilustrações. Sempre é legal saber quem empregou tempo e esforço para executar os desenhos, e é mais justo com o artista.

  2. valberto
    jan 03, 2009 @ 00:11:29

    Não se preocupe Remo… quando chegar na parte de cruzamentos interraciais vc vai perceber como certas habilidades somem quando colocadas em outro contexto. Por exemplo, como seria um elfo criado por kezans?

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