Repensando os monstros.

 

De acordo com a Wikipédia Monstro (do Latim monstrum) é o nome dado genericamente a uma criatura lendária de aspecto aterrorizante. Os monstros aparecem em lendas, livros e filmes de terror e nas diversas formas de mitologia. Numa história, o monstro encarna freqüentemente a figura do mal que é derrotada por um cavaleiro ou herói que representa o bem e as virtudes. Parece que foi feita sobre medida para um jogo de RPG. Eles são os antagonistas, as feras que vão focar no caminho dos heróis, ameaçando-lhes a vida. É este o seu papel tradicional. Mas, existe algo neles que vá além do dano, do ataque e da experiência que eles oferecem? Qual é o verdadeiro papel dos monstros num jogo de RPG?

Quando estava dando os primeiros passos no meu novo livro/cenário/sistema o GOG (Good Old Game) eu me deparei com um desafio interessante – o de repensar as raças básicas. Porque não estender isso aos monstros? Mas daí a pegar cada uma das centenas de criaturas do livro dos monstros e dar-lhe um background completo tomaria não apenas muito tempo, mas também seria um trabalho incrivelmente longo, complicado e inviabilizaria qualquer chance de jogar com o cenário. Então como trazer esses monstros para o mundo do jogo sem privar-lhes de um gostinho especial? Basta ver o monstro e ver se ele é capaz de raciocinar. Se a capacidade de raciocinar separa os homens dos animais é o que vai separar os monstros que merecem alguma coisa extra dos “sacos de pancada” comuns.

Assim sendo existem algumas categorias de Inteligência a serem definidas:

Animal: Instintivo, comportamento padrão de uma espécie animal. Não capazes de uma comunicação básica e date podem usar ferramentas quando lhes convém, mas são incapazes de raciocinar sobre isso e fazer mudanças reais nas suas vidas.

Selvagem: Este tipo de ser tem uma inteligência rudimentar. É capaz de criar artefatos e de usar esses artefatos, mas estão longe de serem civilizados. Muitas vezes vivem em tribos nômades, sem o desenvolvimento da tecnologia ou magia para além do rudimentar. Os homens-lagarto dos pântanos, os sapos-guerreiros, os trolls e outras raças se enquadram nesta categoria.

Bárbaros: são raças que ascenderam um degrau na escala do pensamento. Em alguns casos desenvolveram a escrita, a arte bélica e até mesmo a magia em alto nível, mas por algum motivo qualquer, são incapazes de viver com as outras raças. Nações escravagistas ou com muitos seres “caóticos” se enquadram nesta categoria como os bugbears, os gnolls e os kobolds.

Normal: são raças que já são civilizadas, mas por algum motivo se julgam superiores a outras. São detentores de grandes poderes na maioria das vezes. Beholders, dragões e outras criaturas mitológicas caem nesta categoria.

Mas isso só faz sentido por causa de uma outra características. Talvez a única que eu gostei do D&D 4e: os pontos de luz.

O jogo de Dungeons & Dragons presume muitas coisas sobre o cenário. O mundo é populado por uma variedade de raças, monstros estranhos que espreitam de outros planos, impérios antigos que foram deixados em ruínas pelo mundo e muito mais. Contudo agora o novo conceito sobre o mundo de D&D é bem simples: Pessoas civilizadas vivem em pequenas e isolados pontos de luz, espalhados num grande, escuro e perigoso mundo.

A maior parte do mundo é assolada por monstros em todo o lugar. Os centros de civilização são poucos e muito afastados, e o mundo não cheio de nações-estados que protegem suas fronteiras. Algumas vias tortuosas e perigosas ligam algumas cidades vizinhas mais próximas, mas se você se afasta delas, logo irá se encontrar numa floresta infestada de kobolds, cemitérios assombrados, colinas e pântanos abandonados e estepes infestadas de monstros.

Qualquer coisa pode estar esperando por você naquela estrada anã abandonada: um covil de ogres salteadores, uma torre esquecida aonde uma Lamia espera por viajantes descuidados, uma caverna habitada por Trolls, uma vila isolada humana sob a influencia de um culto demoníaco ou uma floresta negra aonde sombras e fantasmas anseiam pelo sangue dos vivos.

Essa situação de medo e de insegurança é muito mais comum do que se imagina. Apesar de ter descrito as raças básicas com cuidado existe um grande espaço de terra entre cada uma delas. São dias de viagem da élfica mais próxima até sabe deus lá onde. As Cida sãos seguras, mas o que está em volta delas não é. É por isso que não existem muitos reinos e sim muitas cidades-estados, independentes entre si, mas que partilham da mesma cultura. Os humanos Haravitas estão dando os primeiros passos tímidos na direção de tomar controle de suas terras, mas não tem meios para isso ainda. Imagine a seguinte situação: você comprou um terreno e cercou esse terreno. Deveria, portanto, ter controle sobre tudo o que entra e Said ele não é? Constrói sua casa e só depois de muito tempo percebe que ali existia, talvez bem antes de você comprar o terreno, um ninho de cupins. Como você não viu isso antes? Como lidar com a situação agora? Agora imagine isso em grande escala. Cidades estado podem ser separadas por pouco mais de 50km e nunca derem conta uma da outra. Some isso aos monstros e seu verdadeiro papel no jogo: tornar o mundo mais perigoso com sua presença.

Não podemos esquecer que graças a presença destes monstros as pessoas comuns olham para o mundo selvagem com pavor. Poucas pessoas são muito viajadas – mesmo os mais ambiciosos mercadores se mantêm nas estradas, ou rotas mais conhecidas. As pessoas temem aquilo que espreita na antiga floresta e alem das colinas desoladas no final do vale, porque o que estará lá provavelmente está faminto e hostil. Avançar por terras desconhecidas são coisas que apenas aventureiros fazem.

Não podemos esquecer o pano de fundo principal, que eu ainda não comentei: esta é a segunda era do mundo. Antes dela houve uma era mais prospera onde os poderosos dragões ensinaram a magia e as artes para os primeiros seres pensantes do mundo. Mas isso é assunto para outro post.

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5 Comentários (+adicionar seu?)

  1. Havoc
    jan 09, 2009 @ 15:33:52

    A definição fica meio falha em alguns casos. Drows, por exemplo, são criaturas civilizadas quando falamos sobre suas relações com duergars e outros monstros do underdark com os quais comercializam, mas são bárbaros para elfos e outras criaturas que são escravizadas por eles.

    Talvez os monstros devessem ser agrupados por sua capacidade social em relação a outros monstros, e não apenas por sua inteligência natural.
    Gosmas, mortos-vivos (burros) e animais não interagem com criaturas diferentes, geralmente.
    Trolls, kobolds e goblins vivem em comunidades fechadas, hostis ao mundo externo
    Drows, anões e humanos conseguem viver em uma sociedade aberta o suficiente para permitir a entrada de estrangeiros para o comércio, mesmo que em alguns casos essa permissão seja restrita.
    Dragões, por sua vez, são criaturas que não tem o menor interesse em viver em sociedade, já que não querem dividir suas posses.

  2. Romullo Ritchie
    jan 09, 2009 @ 16:14:12

    Sinceramente, Dragões poderiam viver em comunidades e isso, de fato, seria mt interessante. Agora e se mudarmos os conceitos e uma tribo troll tivesse um grau de civilização mais avançado? E os goblins dos Reinos de Moreania? Eram uma raça e tanto. Creio q se repensarmos os conceitos, poderemos distinguir alguns monstros e fazê-los parte de uma estrutura um pouco verossímil. Aliás, vcs acham q uma tribo orc do leste tem o msm way of life q a tribo de orcs do oeste? Eles podem pensar de uma forma beeeem diferente. Quem sabe uma é hostil a humanos enquanto a outra vive para o comércio?
    Abçs!

    http://gaiaspriest.blogspot.com/

  3. valberto
    jan 09, 2009 @ 19:26:15

    O que é Moreania?

  4. Romullo Ritchie
    jan 09, 2009 @ 22:04:32

    Moreania é um cenário compatível com Tormenta (na verdade Moreania é um outro continente um pouco distante de Arton) em que os animais pediram aos deuses para evoluir. Daí nasceram raças Moreau (como daquele conto de ficção científica q hj já ñ é mais tão ficção…) ou seja animais com traços humanos e vice e versa e eles se dividem em clãs. Outro ponto interessante é por parte dos goblins q tinham um império, eram uma raça avançadíssima tecnológicamente e decaíram. O módulo básico deve ser lançado pela Jambo ainda nesse semestre.
    Abçs!

    http://gaiaspriest.blogspot.com

  5. valberto
    jan 09, 2009 @ 23:29:06

    Ahhh….

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