Do not feed the trolls (Não alimente os trolls)

 

Engraçado como a internet muda conceitos milenares com uma rapidez estonteante. Tem uns dois dias que eu queria dar uma recauchutada nos bons e velhos trolls (você sabe, aquele bicho que regenera em D&D). Queria buscar um pouco mais de suas origens das lendas escandinavas e tal. Coloquei meu Google fu à prova, achando que seria um simples rolar de telas. Leda ilusão. A internet acabou redefinindo trolls para outra coisa. E, a meu ver, uma coisa nada divertida – diferente do troll original.

Eis a definição da Wikipédia:

Um Troll, na gíria da internet, designa uma pessoa cujo comportamento tende sistematicamente a desestabilizar uma discussão, provocar e enfurecer as pessoas envolvidas nelas. O termo surgiu na Usenet, derivado da expressão trolling for suckers (lançando a isca para os trouxas), identificado e atribuído ao(s) causador(es) das sistemáticas flamewars.

Normalmente eu teria ido para a página de desambiguação, mas achei que o Google havia me feito um favor. Desde que o Lote ganhou algum vulto e proporção que o número de SPAM têm aumentado. E com os spammers os trolls vêm logo atrás.

Quando a internet começou no Brasil houve uma propaganda do bol que dizia que você só se identificava se quisesse. A foto era uma modelo com uma máscara à lá Zorro, que fazia a propaganda. A situação não tem melhorado desde então já que hoje a internet é quase um playgound do inferno.

Protegidos pela anonimidade de seus nicks falsos e pela muitas vezes intransponível barreira do teclado, as pessoas confundem a liberdade de expressão com uma libertinagem sem escrúpulos. A situação chega a ser tão aberrante ao meu ver que eu não imagino uma pessoa que aja como um troll como uma pessoa normal, dentro de suas faculdades mentais. Gosto de citar um exemplo bem didático sobre este tipo de ocorrência: Imagine uma roda de pessoas discutindo arte numa exposição. Uma das pessoas diz que não gostou do quadro ao lado. Disse mesmo que era uma obra “abaixo da média”. Um concorda, mas outro discorda, apontando veementemente as qualidades de tal obra. Quais são as chances dessa discussão chegar às raias de fato, com xingamentos, brigas e impropérios? No mundo real e civilizado as chances são quase zero, mas no mundo virtual elas ultrapassam os oitenta por cento.

Qualquer pessoa menos esclarecida – ou que se julgue bem mais esclarecida – sente-se no direito de postar todo o tipo de impropério e maldizeres que de outra forma não teria coragem de dizer. Podem prestar atenção nos “trollers” e “bullies” da net. Quando não se escondem em perfis falsos ou nicks estranhos se refugiam por trás do teclado. E como atacam! É uma chuva de palavrões, mandam ir para esse ou aquele lugar, levantam calúnias, enchem sua caixa postal com material indesejado ou até vírus. Quem já teve o desprazer de encontrar esses “tipinhos” sabe do que estou falando.

E como lidar com eles? Boa pergunta. Eu não sei. Na maioria das vezes que encontro alguém assim eu simplesmente ignoro e isolo. Não lhes alimento. Deixo que suas bravatas se percam no mundo virtual, num amontoado de dados perdidos. Claro que antes eu aviso o canal competente fazendo uma denúncia formal. Sei que a denúncia não levará a parte alguma, mas pelo menos agi de forma correta e idônea, diferente de tantos outros usuários, que se enfurecem sempre que são contestados.

Brigões de internet não passam de covardes. Protegem-se por trás dos muros invisíveis de seus ip’s alegando liberdade de imprensa. A mesma liberdade que não teriam coragem de exercitar no mundo real, onde existem normas e regras que um nick falso ou um mascarador de IP não podem resolver.

Por isso, amigos, peço a vocês: se virem um troll não o alimentem. Deixe que briguem sozinhos com suas sombras porque o que eles querem é apenas uma coisa: platéia para seus discursos vazios.

 

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8 Comentários (+adicionar seu?)

  1. LeyGun
    jan 30, 2009 @ 23:08:15

    Puxa…

    Eu estava mesmo precisando ouvir isto. Tem aparecido muitos trolls ultimamente com seus comentários nada construtivos. Comentários estes, que se não tomarmos cuidado nos afundam em desânimo.

    Vlw Betão.

    (X.x)o-(‘_’Q)

  2. pythonesco
    jan 31, 2009 @ 02:40:24

    Nossa, que texto profundo, realmente acho que o google lhe fez um favor, afinal é o google.

    No mais, a raça humana é assim mesmo, com seus próprios monstros, por isso da próxima vez que você rolar o dado para acertar o inimigo, pense nele como se fosse certas pessoas.

    Só cuidado para não jogar o dado longe!

  3. Phil Souza
    jan 31, 2009 @ 13:30:06

    Já fui atacado por trolls, alguns bem chatos.

    A lição que aprendi foi exatamente essa. Deixa ele lá reclamando de coisas sem sentido. Se ele passar dos limites no seu blog avise e bloqueie ele se ele continuar mesmo assim.

    Não alimente os trolls! Mandou bem betão!

  4. Mamangava
    jan 31, 2009 @ 20:15:40

    Falou e disse, Betão! Deixemos os trolls morrerem de fome! Levar a sério o que eles dizem envenena nossas cabeças.

    Em tempo: “playground do inferno” foi ótima!

  5. cfrederico
    fev 01, 2009 @ 00:22:01

    Uma boa ilustração do que você falou, Valberto:

    Pessoa Normal + Anonimato + Público = Babacão

  6. Cyrus
    fev 02, 2009 @ 16:17:09

    Sem querer ser troll, mas a forma verbal correta seria “do not feed”, já que fed é o verbo conjugado no past simple (algo como “não alimentei os trolls”).

  7. valberto
    fev 02, 2009 @ 19:28:55

    Não se pode confiar MESMO na wikipedia… Obrigado.

  8. gabriel lobato
    mar 25, 2009 @ 17:17:42

    Não alimentar o TROLL é interessante, mas tem uns que merecem resposta, é complicado se calar diante de tanta porcaria que se vê online ultimamente.

    eu sou moderador de algumas comunidades e fico realmente indignado com o que algumas pessoas postam, as vezes entram na comunidade simplesmente pra “semear a discórdia”.

    aliás, existe até comunidade disso no orkut, um grupo de pessoas que entra em comunidades especificas pra ser do contra e causr confusão.

    enfim, não dá pra se calar diante desse tipo de situação.

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