A impunidade por detrás do monitor

 

Eu me pergunto às vezes se as pessoas têm mesmo noção. A idéia que me passa é que muita gente não tem a menor idéia do que está falando quando entra na internet. Entre comunidades do Orkut feitas apenas para “irritar e chamar atenção”, passando por páginas feitas apenas para dar “phishing” em senhas alheias e até mesmo podcasts que trabalham para ser apenas “nervosinhos” para chamar a atenção. É mesmo uma tristeza que uma ferramenta com tanto potencial para a informação seja usada desta maneira.

Quando a internet começou no Brasil houve uma propaganda do bol que dizia que você só se identificava se quisesse. A foto era uma modelo com uma máscara à lá Zorro. Fora uns poucos especialistas com acesso ao IP alheio a internet é o playgound do inferno. Spammers, hacker, lammers, pseudo-pensandores agem para cima e para baixo, protegidos pelo anonimato de seus nicks falsos e pela muitas vezes intransponível barreira do teclado. E não chega a ser difícil não. Veja quantos amigos você tem na rede. Quantos deles você conhece mesmo, pelo nome de batismo? Quantos você já viu frente a frente? Tenho amigos de mais de 20 anos que eu nem sei que cor tem seus cabelos (ou se possuem cabelos)! E se é isso com amigos, que dizer com estranhos?

Imagine uma roda de pessoas discutindo arte numa exposição. Uma das pessoas diz que não gostou do quadro ao lado. Disse mesmo que era uma obra abaixo da média. Um concorda, mas outro discorda, apontando veementemente as qualidades de tal obra. Quais são as chances dessa discussão chegar às raias de fato, com xingamentos, brigas e impropérios? No mundo real e civilizado as chances são quase zero, mas no mundo virtual elas ultrapassam os oitenta por cento. Se você esta numa roda de amigos pode até dizer alguns impropérios, mas jamais o faria se estivesse diante de uma câmera de TV ou de um documento assinado.

Qualquer pessoa menos esclarecida sente-se no direito de postar todo o tipo de impropério e maldizeres que de outra forma não teria coragem de dizer. Podem prestar atenção no “trollers” e “bullies” da net. Quando não se escondem em perfis falsos, ou nicks estranhos, se refugiam por trás do teclado. Isso quando não se utilizam de podcasts devidamente ancorados em locais para além mar, em servidores fantasmas ou ilegais. Qual foi a última vez que você viu uma pessoa que assina nome e sobrenome ter coragem de falar o que pensa? Não, citar o Diogo Minardi não vale.

Os trolls atacam. E como atacam! É uma chuva de palavrões, mandam ir para esse ou aquele lugar, levantam calúnias, falam todo o tipo de coisa errada, enchem sua caixa postal com material indesejado ou até vírus. Quem já teve o desprazer de encontrar esses “tipinhos” sabe do que estou falando. Alguns posam até de prestadores de serviços, vejam vocês! Uma laia de criaturas duas caras, cheias de uma infindável carência por atenção, que vivem basicamente para atacar os gostos dos outros.

E como lidar com eles? Boa pergunta. Não existe receita de bolo que funcione com todas elas. Na maioria das vezes que encontro alguém, ou algum site assim eu simplesmente ignoro e isolo. Deixo que suas bravatas se percam no mundo virtual, num amontoado de dados perdidos. Claro que antes eu aviso o canal competente fazendo uma denúncia formal. Sei que a denúncia não levará a parte alguma, mas pelo menos agi de forma correta e idônea, diferente de tantos outros usuários, que se enfurecem sempre que são contestados. E enfurecer os outros parece ser um tipo de esporte pela internet esses dias. Nunca vi tanto ódio destilado junto como nas últimas semanas. A idéia que dá é que realmente falta mais alguma coisa na formação dos homens de hoje em dia. Algum tipo de hombridade que obviamente se perdeu ao longo destes anos de revolução tecnológica.

Brigões de internet não passam de covardes. Protegem-se por trás dos muros invisíveis de seus ip’s alegando liberdade de imprensa ou de expressão. A mesma liberdade que não teriam coragem de exercitar no mundo real, onde existem normas e regras que um nick falso ou um mascarador de IP não podem resolver. Imagino que ainda vou viver para ver pessoas sendo responsabilizadas legalmente por aquilo que afirmam no mundo virtual, da mesma forma que são penalizadas no mundo real. Não acho que seja sonho. Mas que eu queria ver logo, ah, eu queria mesmo.

 

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3 Comentários (+adicionar seu?)

  1. d.darkangellus
    abr 20, 2009 @ 04:37:55

    Só um comentário, quanto mais participo do orkut, mais desanimado fico.

    Visitava e participava de comunidades frequententemente, para não dizer diariamente, contudo a presença constante da ignorância e estupidez,resolvi buscar novas opções.

    Abrçs e Bons Jogos.

  2. rsemente
    abr 20, 2009 @ 20:19:22

    Meu Orkut existe, mas é abandonado, faço questão de avisar a todos que não uso, não gosto e não coloco minha foto (a foto que uso na net é antiga…).

    Mas sobre essa mascaras virtuais e tal estou pensando em criar uma matéria sbre isso para RPG…

  3. Fabiano Neme
    abr 24, 2009 @ 15:35:43

    Eu acho isso uma grande besteira. Não tem sentido se importar com os trolls e os bullys da internet. Dar bola pra eles é que nem responder a xingamento de bêbado. Ok, tu não levou desaforo pra casa, mas, ei, pra que xingar o bêbado? De que adiantou?

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