O antigo mundo das trevas é um só?

 

 

Será que o Apophis das Múmias é a Wyrm com outro nome e vista de outra ótica? A Trindade Metafísica dos magos são a Wyld, Weaver e Wyrm com outros nomes e uma outra concepção? Ou são coisas diferentes? A Wyld é a Wyld e o Dinamismo é o Dinamismo, a Weaver é a Weaver e a Estase é a Estase, a Wyrm é a Wyrm e a Entropia é a Entropia? Será q elas são a mesma coisa com nomes diferentes? Ou coisas realmente diferentes, mas apenas parecidas? O mais importante: Elas coexistem? Caim é um filho da Wyrm? Caim = Wyrm? Outra opção?

Eis aí uma série de perguntas interessantes. Muito mesmo. E para respondê-las eu vou buscar inspiração num mundo mais antigo e muito mais complicado que o antigo mundo das trevas. O mundo dos quadrinhos, mais especificamente o universo Marvel. É, você sabe, o mundo onde o Demolidor e o Quarteto Fantástico dividem a mesma cidade.

Eu sempre me questionei como é possível que existam tantas “sub-realidades” dentro da mesma realidade do mundo dos quadrinhos. De um lado nós temos o Quarteto Fantástico ás voltas com viagens pelo tempo e o espaço, Os Vingadores com guerras interplanetárias e aniquilação em escala galáctica, os X-men arrancando ilhas da face da terra e o Justiceiro trocando tiros com traficantes meia-boca perto do apartamento do ex-fotógrafo e atual professor de química Peter Parker. Não parece possível que seres como a Fênix Negra e o Homem-Sapo sobrevivam no mesmo mundo ao mesmo tempo. Mas existem. E se dão bem – na maioria dos casos.

Com o mundo das trevas é a mesma coisa. Temos os vampiros aqui, os lupinos ali, os magos acolá e meia dúzia de “outras coisas” se esfregando aqui e ali em busca de um lugar na sombra. O fato deles se encontrarem depende muito mais do editor da linha (no caso o narrador) do que o cenário em si.

O que muda é o foco da visão de cada um. Para os lupinos o foco é a Wyrm, para os vampiros é a Golconda, para os caçadores são as estacas. Nenhum deles está errado. Quando imaginamos que o mundo tem mais de 6 bilhões de seres humanos dá para entender como é que temos tanta coisa reunida que praticamente nunca se toca ou se encontra. Puxa, numa cidade como São Paulo temos favelas com casas sem água encanada da Sabesp e na mesma cidade temos piscinas cheias de água mineral. Socialites gastam mais de 50 mil reais com a festa de uma cadelinha enquanto que pessoas vão presas por roubarem um quilo de feijão que custa menos de noventa e nove centavos. Eu morei quatro anos em São Paulo sem saber que o vizinho do outro lado do pátio jogava RPG!

O mundo é grande. Cabe tudo debaixo do mesmo teto. Mas não precisa ser tudo ao mesmo tempo agora: seu primo distante não precisa ser um carniçal de um vampiro poderoso, que por sua vez é tio-avô de um mago que namora uma múmia reencarnada que é a síndica do prédio onde aquele grupo de caçadores de aberrações se reúne para tomar umas cervejas de vez em quando. Parcimônia: o mundo não tem, mas o narrador é obrigado a ter.

No mais você pode adotar a política da visão hegeliana. Só existe se eu quero que exista. Caim só existiu/existe realmente se os jogadores forem vampiros. A Wyrm só existe de fato se os jogadores forem lobisomens. Simples e direto. Nada de teorias forçadas montadas com base em regras complexas tiradas de livros obscuros. Simples assim.

O WoD não é uma colcha de retalhos; ela está muito mais para um tipo de realidade alternativa, suja e bem cruel.

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2 Comentários (+adicionar seu?)

  1. Mornaax
    jul 18, 2009 @ 20:17:51

    Muito interessante, mas que tudo isso “faz sentido” é impossível negar.

    :D

  2. Gilson • RPG • educação
    jul 19, 2009 @ 11:37:12

    Pode crer!

    Gilson

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