A guerra e um monte de coisas que você pode aproveitar dela – parte 1

 

 

Guerra é um confronto sujeito a interesses da disputa entre dois ou mais grupos distintos de indivíduos mais ou menos organizados. A guerra pode ocorrer entre países ou entre grupos menores como tribos ou facções dentro do mesmo país (confronto interno) ou entre grupos menores de nações diferentes. Em ambos os casos, pode-se ter a oposição dos grupos rivais isoladamente ou em conjunto.

Seja lá qual for a definição asséptica que eu der guerra continuará sendo um troço injusto, maldito e miserável que acompanha a humanidade até o seu leito de morte. O objetivo deste artigo não é nem de longe fazer apologia à ela. É mostrar que mesmo uma coisa suja como a guerra pode ser transformada em temas divertidos para uma boa campanha de RPG.

Este primeiro artigo deverá ser focado nas causas de uma guerra. Porque, no fim das contas, até uma guerra precisa de um motivo.

 

Começando uma guerra

Poucas guerras podem servir tanto para aqueles, que como eu, gostam de fantasia medieval como as guerras do mundo antigo e da alta idade média. Ora, como não ficar deslumbrado pela implacável máquina de guerra romana, ou pela coragem insensata dos vikings? Como não aplaudir o estratagema de levar elefantes pelos Alpes suíços? Como não querer testar sua katana novinha na carne daquele maldito inimigo do seu clã?

Esqueça tudo o que você acha que sabe sobre guerras. Ou pelo menos o que você acha que sabe sobre as causas das guerras. Justas ou injustas, morais, religiosas, pelo direito, pela honra… tudo besteira. A guerra tem apenas um motivo: a busca pela riqueza e pelo poder do outro. Claro que você não estaria disposto a dar sua vida para que o seu país pudesse comprar gasolina mais barato que o litro de água mineral, mas para combater os terríveis terroristas que assolam aquele paizinho mini que você nem sequer consegue achar no mapa sem a ajuda do Google earth.

Então, quando você tem o motivo verdadeiro fica fácil entender porque as guerras são o que são. Claro que uma meia dúzia de iludidos dos dois lados vai achar que a disputa é por um motivo maior (religião, liberdade, etc), mas a verdade é que guerras têm apenas uma boa fonte inesgotável: o desejo de possuir o que o outro tem.

Dessas guerras talvez a mais emblemática sejam as cruzadas. Para aqueles que estão destreinados de história as cruzadas foram movimentos militares, de caráter parcialmente cristão, que partiram da Europa Ocidental e cujo objetivo era colocar a Terra Santa (nome pelo qual os cristãos denominavam a Palestina) e a cidade de Jerusalém sob a soberania dos cristãos. Estes movimentos estenderam-se entre os séculos XI e XIII, época em que a Palestina estava sob controle dos turcos muçulmanos. Filmes como Kingdom of Heaven (A Cruzada com Orlando Bloom) e jogos como Assassins Creed passam-se naquele lugar. Na escola aprendemos que a guerra se deu PR diferenças religiosas entre muçulmanos e cristãos. Engraçado como tanto a religião Cristão como a Muçulmana pregam o amor ao semelhante e logo depois saem pro pau. A verdade que o que estava em jogo não era a terra santa e sim as rotas comerciais que ligavam a Europa Ocidental às Índias. Com as rotas fechadas pelos muçulmanos que queriam cobrar pela passagem na região, só restava aos europeus empreender as navegações (o que foi feito lá por 1400-1500) ou sair no braço. Adivinha que idéia foi posta em prática primeiro?

Claro, caro mestre, você pode achar que as guerras nos jogos têm de ter motivações mais românticas ou que não sejam tão presas às crueldades do mundo real. Uma guerra étnica entre humanos e outras raças parece ser uma boa pedida aqui. Uma guerra pela libertação da terra do julgo do Império maligno (Guerra nas Estrelas, alguém?) também rende bons frutos de aventuras. Uma guerra pelo controle de uma terra em que o grande deus fulano se fez carne vale a vida de muitos clérigos. Uma guerra pela conquista para espalhar a palavra evoluída do seu povo sobre todos os povos não-evoluídos do mundo também é um motivo esfarrapado, mas interessante. Assim podemos ir seguindo.

Num jogo de RPG a causa da guerra pode não estar clara. Aliás, ela nem precisa estar clara. Por que os Coy e os Martin estão em guerra? “Ninguém se lembra mais o motivo, mas fato é que um Coy bom é um Coy morto” diria Jet Martin se fosse perguntado a respeito. Talvez a guerra tenha começado com um simples mal entendido que cresceu a longas proporções depois de mil anos de atividade militar. Entre alguns outros motivos de guerra podemos citar:

A Guerra preservativa – ocorre quando uma nação, estando sob a ameaça de outra, não encontra alternativa senão a de tomar a iniciativa do confronto, fazendo isso como forma de defesa. São consideradas “legais”, de acordo com a Organização das Nações Unidas(1948) ou Liga das Nações(1918).

A Guerra de partida ou Ataque é a melhor defesa – a nação antecipa agressivamente o confronto, pelo conflito subversivo efervescente das massas, sem que existam provas consistentes o bastante para se justificar, antes do oponente do confronto. Ex.: invasão do Iraque, que culminou na queda de Saddam Hussein.

A Guerra por procuração ou Doutrina – nações confrontam-se indiretamente, financiando os conflitos efervescentes subvertendo as massas populares, cujos resultados dizem respeito aos interesses delas. Ex.: ocasião em que os Estados Unidos da América financiaram a Grécia contra o avanço do comunismo.

Bom, agora que você já tem um motivo para a sua guerra. Vamos ver como esse lance de motivo funciona na prática.

A nação A, rica em recursos naturais tinha boas relações com a nação B que por sua vez trocava a matéria prima e alimentos por material industrializado. Ia tudo bem entre A e B quando houve uma grande seca. Tanto A e B sofreram muito com isso. Mas B sofreu mais, já que A não tinha alimentos para exportar. Logo A ficou mal vista em B justamente porque num momento de necessidade “aqueles malditos egoístas de A não souberam repartir o pão e deixaram nosso filhos passando fome”. Um ranço como esse evoluiu até que um jovem capitão, criado ao largo da fome, da miséria, e da morte resolve invadir A para pegar tudo que “por direito divino lhes pertenciam”. Conflito instantâneo.

Não perca, logo logo (quando deus quiser) uma série de missões e papéis que os jogadores podem assumir durante uma guerra.

 

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4 Comentários (+adicionar seu?)

  1. Leo
    ago 10, 2009 @ 22:43:27

    Olá,

    “Na escola aprendemos que a guerra se deu PR diferenças religiosas entre muçulmanos e cristãos”

    Não sei em que colégio vc aprendeu isso, desde que a ditadura acabou que virtualmente todos os livros de história de 2º grau são escritos por marxistas.

    Mas reduzir TODOS os conflitos à busca por poder econômico é que é uma ingenuidade, típica do materialismo histórico mais superficial.

    O ser humano é muito mais complexo do que o bolso. Guerras podem SIM ser por motivos CULTURAIS, por MODOS DE VIDA conflitantes, afinal, o homem não costuma lidar confortavelmente com o que é diferente.

    Abraço!

  2. valberto
    ago 11, 2009 @ 03:42:46

    Ginásio Monsenhor Macedo, em plena ditadura militar de Figueredo. Lembra dele?
    Que bom que gostou da matéria. A segunda parte não tarda a vir.

  3. Felipe
    ago 13, 2009 @ 23:19:35

    Gosto de guerras,apesar de apenas 11 anos mas sou lider de um grupinho de uns 20 ou 30 garotos

    Antes de guerriarmos fasemos uma negociaçao,por que sempre da brigas nos cargos e tem bases mais fracas do que as outras,a base do meu grupo e uma construçao abandonada.As armas sao pedras de barros,a base que nao resistir a tantas pedras desiste e perde.
    E assim que as nosssas guerras funssionam.Eu queria saber a opiniao das outras pessoas porque eu nao sei se ficou muito bom.

  4. Felipe
    ago 13, 2009 @ 23:25:42

    As nossas guerras sao apenas para conquistar outros territorios enimigos ou para saber quem e e o mais forte.

    O que deixa mais indefeso nosso cla sao os atakes surpresas.

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