E o que é que eu tenho a ver com isso?

Pingback danado de bom. Leia o original em:

http://factoriarpg.blogspot.com/2009/08/e-o-que-e-que-eu-tenho-ver-com-isso.html

Houve um tempo em que as coisas eram simples. Vocês estavam passando por uma vila, ela estava sendo atacada por goblins e porque vocês eram bons cometiam um pequeno assassinato em massa e livravam a vila.

Aliás, parece que os goblins andam é atrás de vocês com um inexplicável instinto suicida, porque se você visitassem a vila haveria uma grande chance dela ser atacada.

Deixando as brincadeiras de lado, está um fator muito importante. O motivo. por que vocês estão andando de uma vila para a outra em vez de casar, ter filhos, etc? Por que ao chegar na vila resolvem por a vida em risco para matar goblins?

Muitas vezes em nome da história acabamos jogando para escanteio a motivação do personagem. E algumas vezes isso gera conflitos. O caso clássico do jogador que simplesmente conta para você “meu personagem não vai nesse gancho”, e te faz reformular toda a história (ou acoxambrar um meio de forçar ele a ir).

Aqui vão algumas dicas para garantir o bom funcionamento da história:

-10 – Converse com os jogadores sobre o que é a história

Nem entro em detalhes que post no assunto não falta nesse blog, inclusive o anterior. Chegue a um consenso sobre que história e que personagens oa que quase tudo se resolve.

0 – Seja pessoal

Nada é mais frustrante que ver jogadores embasados em conceitos abstratos como bondade para definir se vão ou se ficam. Talvez isso possa funcionar para sacerdotes como paladinos ou clérigos, mas na vida real mesmo entre os sacerdotes há controvérsias.

É preciso que haja um motivo pessoal para as ações do personagem. No mínimo um motivo pessoal para ele ser bom. Mas é preciso ter baixelas de ouro! É preciso que o personagem tenha algo mais que duas linhas de história para se definir seus motivos. Claro que também não chega às duas páginas de prelúdio. Nunca precisei de mais do que cinco minutos de entrevista para descobrir o prelúdio do personagem com riqueza de detalhes se descontar as pausas para pensar.

Quem é, onde nasceu, por que escolheu esta profissão, como se relaciona com a família, como anda a vida amorosa, profissional, acadêmica… O que de marcante aconteceu até agora, como isso te afetou, e pronto.

1 – Seja intenso

Nada é mais broxante que um velho “quis seguir a profissão do meu pai”. Existem seis bilhões de seres humanos no mundo e você tinha que pegar para representar justamente o mais medíocre? Compare…

Um garoto que queria ser soldado e se submeteu a uma experiência, vestiu uma bandeira, foi uma herói, hibernou umas décadas, acordou combateu o crime se apaixonou algumas vezes, uma delas por uma criminosa, eventualmente se revoltou contra os governantes de sua nação mas nunca abandonou seus princípios.

Um garoto que queria viver uma vida medíocre, foi picado por uma aranha, tentou ganhar algum dinheiro em cima disso e perdeu seu tio-pai por isso, enferentou inúmeras tragédias da morte de amigos até os valentões da escola, a perda de seu amor, o encontro de outro amor, a perda de uma filha, o reencontro com pais e a perda deles e acabou ao final disso tudo se tornando um homem.

Um rapaz que quis seguir a profissão do pai e por isso comprou uma espada e virou aventureiro.

Qual personagem é mais interessante? Seja intenso. No passado e no futuro. Planeje a revolução que acontecerá com o personagem em futuro próximo. Faça com que aquele pedaço de papel seja uma pessoa escolhida a dedo porque é o melhor, o mais interessante, o mais adequado.

2 – Seja pessoal e intenso

Sim, de novo. Depois dos personagens criados para a história acordada coletivamente seguindo os princípios da pessoalidade e da intensidade, é a hora do jogo. Faça os jogadores terem motivos pessoais para segui o seu gancho. Mais que serem fisgados por ele, faça com que eles queiram subir pela linha. Como? Simples. Todo personagem pessoal e intenso está cheio de ganchos. Para exemplificar, três palavras e três personagens, um para cada:

Recuperar:

Mavin amava Isabela. Mas pobre como era nunca se casaria com alguém como ela. Ele sabia que ela também o amava, apesar dela nunca poder ter dito isso abertamente. Sempre que ele ia cortar lenha ela se debruçava na janela da casa vizinha e ficava olhando. Por isso que assim que completou 15 anos Mavin se despediu de sua mãe e seu pai e saiu da casa onde sua família vivia como empregada e saiu em busca de dinheiro. talvez não das formas mais honestas, mas com o objetivo mais puro no coração. Roubou, trapaceou, trabalhou e por fim conseguiu a pequena fortuna que precisaria. Anos comendo mal, dormindo mal trabalhando duro sem gastar com conforto fizeram com que aos 21 Mavim parecesse ter 30. Mas ao voltar para sua cidade, sua grande cidade natal descobre que Isabela fugira duas noites depois de sua partida. Que foi violada e morreu de parto, tendo sua filha enjeitada pela família e doada para um orfanato.

Hoje Mavin busca por onde quer que possa estar essa filha de Isabela. A única parte dela que ainda vive.

Vingança

Assínia se lembra. não pode esquecer dos vultos pálidos subindo em sua cama todas as noites. A tocando com seus corpos gelados. Se alimentando de sua juventude. Os mortos pervertidos que a usaram, atormentaram. Ela não sabe quanto tempo ficou presa, naquele quarto de pedra com uma larga cama de dossel negro. Sabe que quem a prendeu ali foram os mortos. que ela nada mais era que uma droga para eles. Uma maneira de se sentirem quentes e vivos novamente. Ela sabe disso porque escapou. Um dia, eles não pararam de lhe bater. Achou que fosse morrer e ficasse com eles lá, mas não morreu. Acordou nas cercanias de uma vila lamacenta onde descobriu que existiam outra pessoas como ela. Vivas. Aprendeu a ser gente e entendeu o que tinham feito com ela. Entendeu e odiou. Sabia que havia outros lugares como aquele. Sabia que havia mais mortos andando sobre a terra do que devia. Hoje ela os caça.

Dever:

Dizem que a Guerra acabou. Nós sabemos que não é assim. Sabemos que o inimigo não vai fazer nada são se fortalecer. Sabemos que a guerra só acaba quando o último inimigo cai. Por isso reuni vocês aqui. Quando perdi o olho me disseram no hospital “A guerra acabou para você soldado”. Depois disso ganhei mais da metade das minhas medalhas. Não vou ficar em casa polindo minhas armas enquanto homens morrem nos campos de batalha protegendo a nossa pátria. Nem eu nem vocês. Os governantes frouxos que comandam esse país nos levaram a essa trégua quando temos condições de ganhar. E nós vamos ganhar. Do meu primeiro pelotão sobramos eu e mais três amigos, três patriotas. todos nessa sala. Quantos perdemos, quantos bons homens morreram para alguns governantes indolentes dizerem que a guerra acabou antes dela estar terminada? Em nome da nossa pátria, por nossas famílias e em memória dos nossos amigos que tombaram até agora, não desistiremos até que a guerra esteja ganha. A guerra não acabará até que o último inimigo caia. E vamos derrubar até o último filho da mãe!

São personagens que podem ser encaixados em vários tipos de histórias, em várias épocas, em várias culturas. E que com o gancho certo podem ser envolvidos em váários tipos de histórias, vide Fox Mulder, que indo atrás de alienígenas já encontrou até navio fantasma.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: