Trabalhando com cenários famosos

Alguns Problemas e Soluções

O Brasil é um país “borg”. Para aqueles que não sabem “borg” é o inimigo da vez de Jornada nas Estrelas. Além de serem os mais perigosos inimigos da Federação dos Planetas os borgs tem uma característica especial. Tem como objetivo “assimilar” todas as raças e tecnologias que por ventura encontrem, desde que possuam relevância tecnológica e cultural para alcançarem o que entendem como perfeição. O Brasil faz justamente isso. Ele assimila aquilo que deseja e vai com essa assimilação em busca da perfeição. Não inventamos o futebol, mas somos o único país campeão mundial por seis vezes; não inventamos o CD, mas uma dupla sertaneja brasileira desenvolveu uma forma de baratear em mais de 80% o custo de um deles… Esportes, cinema, música, teatro, entretenimento em geral… tem sempre o brasileiro melhorando as coisas. Absorvendo e fazendo do seu jeito.

E isso inexoravelmente vai nos levar de volta ao RPG. Estamos aprendendo, depois de um longo inverno que podemos não apenas nos apropriar de jogos, temáticas e sistemas e fazer deles a base, a fundação para nossos próprios jogos. Estamos aprendendo, mesmo que tardiamente, que manuais de regras são apenas conjuntos de sugestões e não leis universais inquebrantáveis. Esta é uma evolução que eu esperava presenciar a muito tempo.

Entretanto a situação ainda é um tanto arcaica quando lidamos com cenários famosos. Especialmente quando esses cenários famosos vêm de mídias que originalmente não são o RPG. Falo de mídias como filmes, jogos de videogames e até mesmo romances.

Conheço muita gente que jamais mestraria ou jogaria no rico universo de guerra nas estrelas. Por que? Porque todo mundo sabe como a história termina em Star Wars – todo mundo sabe que foi Luke quem deu fim na Estrela da Morte e no Imperador. Todo mundo sabe que foi Han Solo que salvou a pátria no episódio 4. Enfim, a história esta contada tem muito pouco o que os jogadores podem fazer.

Problemas semelhantes se espalham para outros cenários oriundos de séries. Pegue por exemplo Deus da Guerra. Em essência é um jogo de D&D high level, mas quantas mesas com essa temática você conhece? E Senhor dos Anéis? Talvez a pedra moura da nerdice mundial Senhor dos Anéis padece do mesmo problema: a história fixa.

Bom, deixa eu contar uma coisa para vocês. Não é segredo, mas tratem como se fosse – assim eu tenho certeza que se espalhará mais rápido. Você pode alterar a história. Imagine que um dia Gundalf chega até os personagens com um hobbit ferido. Ele diz: a sociedade do anel foi aniquilada. O anel um está com este hobbit e tem de ser levado para o Monte Doom para ser destruído. Preciso da ajuda de vocês. Aventura pura e em alto grau. Ou quem sabe o seu mestre comece a história com “O Império caiu. Darth Vader e o Imperador estão mortos, mas a rebelião acabou se tornando um algoz muito pior. Os gêmeos Skywalker governam a galáxia com mão de ferro. É preciso acabar com seu império de trevas…”

Tudo isso é muito bom e não é crime algum. Você pode absorver a obra que quiser e usar dela como achar melhor. Nenhuma alteração é limite: Arquivo X mangá? Supers medieval? A nova Confraria do Anel? Resgatando Indiana Jones? Não existem limites. A não ser os que você impõe a si mesmo. Pense nisso da próxima vez que fizer uma alteração.

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3 Comentários (+adicionar seu?)

  1. Alexandre
    set 10, 2009 @ 20:10:43

    Cara, eu tinha um problema gigantesco em alterar a história já escrita.

    Os personagens do cenário eram meio que intocáveis. E eu ficava super preocupado em manter todos os acontecimentos cristalizados, como já tinham sido descritos antes.

    Bah! Besteira gigantesca! É muito mais divertido alterar tudo.

  2. Talude
    set 11, 2009 @ 02:03:34

    Acha difícil jogar em cenários famosos? Tenta jogar na Terra real com personalidades reais, aí sim é difícil.

  3. Arquimago
    set 13, 2009 @ 14:32:21

    Eu também tinha problemas em alterar o que estava nos livros de cenários, mas agora sei que tenho que fazer o mais divertido!

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