TPK ou não TPK, eis a questão

TPK ou não TPK, eis a questão

 

Total Party Kill (TPK) ou “Wipe” é o termo coloquial para quando, em um único encontro no decurso de uma aventura de RPG, o grupo inteiro de personagens dos jogadores é morto. Enquanto muitos jogos permitem personagens de outros jogadores para ressuscitar companheiros mortos de alguma maneira, um TPK geralmente resulta no final (prematuro e sem graça) da campanha ou os jogadores fazendo novos personagens – ou ambos, conforme o caso. Em poucos turnos, meses e meses de desenvolvimento da história e dos personagens vão por água abaixo. Uma frustração tão grande que pode afastar uma pessoa do hobby por um bom tempo, e em casos menos dramáticos, render apelidos para mestres como “matador de grupos”, entre outros. A própria idéia do “Mestre sem Noção” surgiu de uma dessas experiências de TPK.

Para muitas pessoas o TPK é um elemento natural do jogo. O risco de vida é comum na vida dos personagens de RPG – tanto quanto é para qualquer personagem de outras mídias. Não haveria graça se o personagem não corresse nenhum risco. Para outras pessoas o TPK é uma espécie de lição que deve ser aprendida cedo ou tarde por todos os jogadores. Afinal, enquanto você não “levar fumo” não vai aprender a se cuidar. Existe hora de atacar e hora de fugir (Vejam, um dragão vermelho! Vamos pega-lo!) Outros dizem que TPK é culpa do mestre que não soube dosar bem os desafios da aventura. Desafios demasiadamente grandes e NPCs queridinhos do mestre costumam ser uma combinação que muitas vezes leva ao TPK (Vocês vêem um enorme dragão vermelho voando nos céus! Rolem iniciativa!)

Independente de quem tem culpa – se é que culpa existe – as pessoas têm opiniões diferentes sobre como o TPK ocorre. De uma maneira geral o mestre tem de ser justo e coerente. Afinal o arsenal é dele. Por outro lado boa parte das TPKs que eu presenciei foram por conta dos jogadores que simplesmente não entendem que a idéia de “vamos bater em retirada e reagrupar depois” existe e pode ser usada. Se o mestre deve ser justo, os personagens deve ter um mínimo de noção para evitar o pior.

Um mestre deve ter muito cuidado com esse tipo de abordagem. Como dito acima um Wipe mal planejado pode ser o fim de jogo para algumas pessoas. Não podemos esquecer que o RPG é um jogo que também lida com emoções e em última instância um personagem é uma espécie de reflexo do jogador. Afinal foi o jogador que viveu a vida de Gregzor, o guerreiro mago nos últimos meses de vida – e é o jogador que vai sentir a sua perda.

RPG é diversão, acima de tudo. Se o grupo não se diverte alguma coisa está errada. Dar um Wipe tem grandes chances de estragar a diversão dos outros, certo? Então só precisamos banir o Wipe das mesas garantindo que as coisas corram como queremos – sem estragar a diversão de ninguém, ok?

Errado. Um exemplo disso é aquele eterno “guardião salvador do último minuto”. Os personagens estão tomando aquela surra e quando estão para serem eliminados chega uma figura salvadora e os livra do perigo. Enquanto uma ferramenta para ser usada para ensinar uma lição sem dar TPK a figura do salvador é bem válida. “Jovens guerreiros, um dragão é desafio demais para vós. Atenham-se a desafios de vossa categoria. Posso não estar nas redondezas quando estiverdes em perigo mortal novamente. Tenho certeza que se treinardes com afinco poderás um dia dar cabo de tais feras. Mas hoje não podeis”. Ao estarem à beira da morte E serem salvos de TPK os jogadores podem aprender a cuidar melhor das encrencas que arrumam.

Mas cuidado para que ela não seja usada como muleta pelos jogadores. Grupos podem ser salvos uma ou duas vezes, mas se passar disso eles ficam mal acostumados. E daí, se eles sabem que vão ser salvos no último minuto, começam a fazer besteira.

Um TPK pode ser usado para além da questão didática de ensinar a fugir. Ele pode ser usado como uma forma de mudar completamente a tônica de uma história. Imagine que os personagens são contratados por uma mercador para dar cabo de um lorde vampiro e são derrotados. Eles são destroçados e morrem, mas antes que comecem a rasgar suas fichas você diz algo assim: o corpo de vocês dói e a primeira coisa que vocês escutam são as orações do sacerdotes. “que bom que acordaram” diz o mercador, vestindo um traje de guerreiro. Agora que estão oficialmente mortos podem trabalhar para a resistência.

Seja lá como o mestre venha a usar o TPK, ele deve ser acima de tudo muito justo e verificar se o TPK servirá para o bem estar da campanha e dos jogadores.

 

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1 comentário (+adicionar seu?)

  1. Jagunço
    out 08, 2009 @ 15:41:28

    O TPK é uma forma pouco divertida de lembrar que RPG, além de história, é um jogo: envolve aleatoriedade e estratégia. Mas ele não de todo cruel. Pode ser engraçado sim e pode, simplesmente, acabar com um grupo que não tem funcionado como um grupo de personagens coeso(ou com uma campanha chata mesmo). :)

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