Vai uma quest aí, mano?

 

Quest é uma palavra de origem inglesa que designa busca. A primeira vez que a ouvi foi num conto em inglês, de um livro sem capa, que encontrei por acaso na biblioteca do colégio que eu estudava. “The Quest for the Holy Grail”, se não me falha a memória. Contava as desventuras de atrapalhado e bem intencionado um descendente de Sir Percival que tem de encontrar santo Graal e salvá-lo das mãos dos terríveis comunistas.

Para uma aventura de RPG, a quest, ou a busca é o que move os personagens: seus objetivos e metas a serem alcançadas. Pode ser algo relativamente simples, como conseguir bastante dinheiro para tirar a família da miséria ou algo bem mais complicado e virtualmente impossível como purgar o mal de todo o mundo. Pode ser que a sua busca seja por iluminação, conhecimento, paz interior, mulheres bonitas, ou pasme, apenas porque é mais divertido do que ficar em casa comendo biscoitos na frente da lareira! Este último, inclusive, era a história de um halfling ladino de AD&D que jogou na minha mesa por muitos anos. O cara era herdeiro de uma vasta fortuna, mas preferia se aventurar porque era menos chato.

Para os novos jogadores – especialmente os que têm sua iniciação nos MMORPGs as quests são pequenas missões que, ao serem completadas, beneficiam o personagem com itens especiais, experiência dinheiro ou ambos. Neste caso a idéia da missão é bem simples e normalmente envolve os ditames de ir e vir dos jogos eletrônicos. Claro que ela pode se desdobrar em um sem número de outras missões.

 

Osric Tennembaund: “Olá nobre aventureiro. Que bom que pode encontrar alguém disposto a ajudar. Estamos com pouco pessoal e preciso que pessoas que levem este relatório até o Delegado Valdrin, em East Shore. Claro que há uma recompensa: 1 moeda de ouro para cada um e mais 3 moedas de prata pás as despesas de viagem”.

Delegado Valdrin de East Shore: “Mas estas notícias são mesmo preocupantes. Aqui no relatório diz que os bandidos estão usando as velhas minas de prata como rede de transporte de escravos ilegais, por baixo das barbas das autoridades. Digam amigos, não gostariam de investigar a veracidade desses fatos? Tragam para mim uma prova de quem está por trás deste esquema e vos recompensarei. Tenho esta bela espada bastarda cintilante (espada bastarda +2, brilhante – feitiço Luz 1/dia)”.

Sub-delegado Dulley: “Mestre Valdrin? Ele não está. Foi chamado para uma reunião de emergência na fortaleza de Sentinel Rock. Esta carta é para ele? Bem Sentinel Rock fica ao sul daqui, seguindo pela Floresta Enevoada. Cuidado, dizem que esta infestada por lobisomens. Aliás, eu soube que um comerciante em Sentinel Rock para bem pela pele curtida desses bichos. Se você levar 10 peles de lobisomem para ele, ele fará para você a capa dos lobos (capa mágica, defesa +2 – proteção contra o frio/ lobos não atacam)”.

 

Ou seja, em alguns jogos as quests se resumem a ir do ponto A ao ponto B, pegar X itens e entregar no ponto C ou coisas assim. Serviço de escolta, de coleta, de eliminação de alvos, tudo gira na mesma roda. Jogos mais modernos, sem o apelo medievalesco também se apropriam dessa dinâmica. É o caso das missões conseguir listas de carros, ou missões de assassinato em jogos como Saints Row ou GTA.

E como você pode usar a quest na sua mesa de jogo? Basicamente ela funciona como uma missão, uma espécie de desafio grande a ser vencido, com normas mais ou menos rígidas. O mercador quer dez presas de tigre branco e não de tigre azul. Encomenda deve ser entregue durante o dia e não durante a noite. O alvo deve ser trazido vivo… e por aí vai.

Segue um exemplo de Quest:

 

Objetivo: Eliminar 10 bandidos da facção Garra Escarlate.

Recompensa: 10 moedas de prata por cada emblema da Garra Escarlate que for conseguida.

Começa com: o sub-delegado Duley, em East Shore.

Termina com: o sub-delegado Duley, em East Shore.

 

As quests são ferramentas bacanas, mas cuidado para que elas não fiquem chatas. Pode ser divertido matar 300 kobold miners no seu MMORPG apenas para achar um Fragmento de esmeralda, mas num RPG de mesa esse tipo de coisa fica enfadonha e impraticável.

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6 Comentários (+adicionar seu?)

  1. Janary
    out 30, 2009 @ 13:25:02

    Betão, ótimo post, principalmente para o pessoal mais novo que está descobrindo algo mais que o RPG virtual (eu mesmo nunca consegui mes acostumar com ele…). Material bem interessante, que pode, inclusive, ajudar mestres veteranos que perderam um pouco da velha prática ou coisa assim.

  2. césar/kimble
    out 30, 2009 @ 16:28:58

    4e? Aqui?! ;)

  3. valberto
    out 30, 2009 @ 20:06:37

    Esta mais para World of Warcraft, mas valeu como piadinha.

  4. fernandofenrirx
    nov 02, 2009 @ 06:03:57

    Novo layout! Massa!

    realmente bem Wow.. heheheh Muito bom, como sempre. :D

  5. cochise
    nov 04, 2009 @ 05:22:52

    Olá. Eu sou Cochise César e já tentei fazer isso uma vez e não deu certo, mas pode ser que agora dê.

    Quero convidar você a contribuir com um portal colaborativo de RPG. Um lugar onde apareçam só os posts mais importantes, independentemente de quem seja o autor ou em que site ele esteja.

    Uma forma de tornar mais visível o conteúdo importante.

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    O RPG Brasil é um agregador colaborativo.
    Isso quer dizer que ele é um site “grande”, mas que vive de doações de conteúdo da comunidade. A idéia é que qualquer um possa “doar matérias”, inclusive eu.

    Todos os blogs tem posts relevantes e não relevantes. Agregadores tratam todos da mesma maneira. Colocal todos eles listados lado a lado. Separar os artigos que realmente valem a pena ser lidos dos que não valem é uma tarefa difícil.
    Mas há mais blogs do que se pode acompanhar, (aproximadamente 150) portanto seria necessário uma grande equipe para fazer uma seleção doque realmente importa.
    Agregadores colaborativos partem do princípio da autocensura para resolver esse problema.
    O autor sabe que os comentários que fez sobre as férias não são relevantes para pessoas que não sejam seus amigos. E ele sabe que o review de um jogo ou o novo NPC que criou é.
    A ideia é que ele divulgue seus posts relevantes para a comunidade através desse site. Assim, o melhor conteúdo da blogosfera é indexado aqui.
    Não publicamos aqui matérias completas, apenas chamadas, então o leitor interessado tem que ir ao blog de origem da matéria para lê-la por inteiro.
    Nesse negócio ganha o leitor ganha por ter acesso a um conteúdo filtrado e o autor ganha por aumentar suas visitas e visibilidade

  6. Talude
    nov 07, 2009 @ 02:11:42

    Um jeito fácil de explicar os quest é falar que eles são como os Rampages nos GTAs antigos.

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