Repensando a Magia em GOG!

A magia em GOG

Quando comecei a reescrever GOG eu pensei num cenário em que a magia fosse ao mesmo tempo poderosa e inacessível, misteriosa e perigosa, sedutora e ao mesmo tempo devastadora. Algumas imagens vêm à minha cabeça quando é magia em jogos. E como GOG está se voltando mais para um cenário “Dark” faz sentido que sua magia seja alguma coisa mais “suja” e sangrenta que em outros cenários. Sangue aqui é a palavra certa.

Por ser sangue a primeira regra com magias é que existe um preço a ser pago por seus efeitos. Poderes mágicos, magias, habilidades fantásticas de se transformar em animais ou conjurar servos tem um preço. E este preço é pago em sangue. Não apenas com alguma gota de sangue jogada num contrato qualquer. Mas o preço é pago com compromisso, obrigações. Essas obrigações refletem-se no ethos do mago.  A palavra ethos tem origem em dialetos antigos, engolidos pelo tempo e significa valores, ética, hábitos e harmonia. Ainda mais especificamente, a palavra ethos significa para os antigos a morada do homem, isto é, a sua natureza. Uma vez processada mediante a atividade humana sob a forma de cultura, faz com que a regularidade própria aos fenômenos naturais seja transposta para a dimensão dos costumes de uma determinada sociedade. Em lugar da ordenação observável no ciclo natural das coisas (as marés ou as fases da Lua, por exemplo), a cultura promove a sua própria ordenação ao estabelecer normas e regras de conduta que devem ser observadas por cada um de seus membros. Sendo assim, os antigos compreendiam que o homem habita o ethos enquanto a expressão normativa da sua própria natureza. Embora constitua uma criação humana, tal expressão normativa pode não ser simplesmente observada, como no caso das ações por hábito, ou refletida a partir de um distanciamento consciente. Ela é muito mais que um simples conjunto de coisas que se pode ou não fazer. Quando um mago recusa-se a fazer alguma coisa que vai contra o seu ethos ele está atendendo a poderes superiores, cósmicos, está atendendo a obrigações que vão muito além do que qualquer um que não use magia pode compreender. Desrespeitar seu ethos pode trazer para o mago uma punição muito pior que a morte, em dezenas de sentidos.

Se a primeira palavra da magia é comprometimento com um código de conduta que é, ao mesmo tempo pessoal, cultural e derivado a coisas muito além da compreensão mortal, a segunda palavra talvez seja falível.  Talvez falível não seja o termo. “Geniosa” está mais adequada uma vez que a palavra magia descreve um atributo de entendimento feminino. Então além de exigir grande comprometimento de quem usa, a magia não é confiável em 100% dos casos.

O terceiro aspecto versa sobre a sutileza indefectível. A magia é sutil, mesmo que ela seja capaz de devorar cidades ou fazer chover fogo dos céus. A magia neste caso é como um lutador de artes marciais meditando antes do combate. Ela sempre pronta a explodir, com uma calma que parece calma, mas que aqueles que sabem percebê-la vão ler como um aviso. A magia não é uma ferramenta mundana para ser tratada levianamente. Magos que não respeitam a sutiliza da magia tendem a ter fins trágicos.

Outro aspecto importante é que não existem dois magos iguais. Cada aspecto do poder mágico conquistado é único – pouco importa se o seu descritor é o mesmo. Dois magos de NP 8 que lancem bolas de fogo (Raio 8 [fogo]/ explosão [fogo]/ Instantânea) podem até ter os mesmos descritores em seu poder, mas a maneira como lançam magias e como cada um vê a magia que está lançando – como essa magia foi conquistada e seus efeitos para o mago – é único.

Assim, embora a magia dê grandes poderes ao mago, também cobra deles um grande preço.

Cada jogador deve conversar com o mestre para que existem pelo menos 5 “devem” e 5 “não devem” na lista. Eis um exemplo:

Não pode permitir que algum animal de carga o carregue/ Não deve usar magia em dias santos/ Não deve beber vinho/ Não pode tonar o corpo impuro com a conjunção carnal/ Não pode ficar mais que três dias em algum lugar.

Deve rezar aos deuses várias vezes ao dia/ Deve guardar a clemência para os que se mostram valorosos em batalha/ Deve dar esmolas a todos que precisem/ Deve beber urina de uma virgem, pelo menos uma vez por semana/ Deve sacrificar um ser vivo inteligente e que confie no mago uma vez por ano.

Anúncios

3 Comentários (+adicionar seu?)

  1. Ricardo Foureaux
    fev 07, 2010 @ 17:57:18

    Parece o embrião de um bom sistema. Parabéns, e depois me retribua a visita….

  2. Filipi
    fev 08, 2010 @ 23:59:15

    Bem interessante, faz lembrar da magia bem sutil da universo da Terra-média, de certa forma.

  3. Arquimago
    fev 10, 2010 @ 10:42:54

    Bem interessante me lembrou “um pouco” na verdade a parte de “Não devem” os magos Orientais do Livro completo do Arcano.

    Parece um tipo de magia bem interessante, pois as regras são faceis e as mesmas e vai se preocupar com o mais divertido que é as diferenças entro os magos na questão descritiva.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: