The result is a bitch

Quando a conseqüência vira uma bola de neve.

A situação foi levantada neste post lá no goblin e me fez pensar a respeito. Quando é que uma ação dos personagens pode desencadear algo muito maior do que eles mesmos? O texto a seguir é de uma das leitoras do Goblin, a Dani Toste:

“Penso assim, imagine uma situação em que um grupo de heróis precisa invadir a casa de um lorde maligno para pegar um item importante, de repente eles acabam sendo presos por arrombamento e invasão; dai tem que fugir da prisão: virando fugitivos procurados; acabam tendo que matar alguns guardas durante a fuga: viram assassinos impiedosos. Enfim, tudo isso pode virar uma bola de neve na qual eles mal conseguem pensar na missão que tinham que cumprir para salvar o dia.”

Quando o mestre quer por a lei atrás dos jogadores muitas vezes ele o faz sem o devido controle. Ele deve ser parcimonioso quanto a isso. Ele deve ter cuidado para que um grupo de heróis ou pelo menos de aventureiros não sejam, de uma hora para outra, transformados no Inimigo Público Número 01 do reino.

Dessa forma ele deve pensar: se fossem um grupo de NPCs, o que o reino usaria para caçá-los? Essa é a lógica envolvida. Afinal, se o reino tem soldados o bastante para formarem patrulhas em todas as cidades, capacitados para reconhecerem os personagens assim que os verem, por que essa guarda toda não é usada para dar cabo dos grandes vilões do cenário? É uma pergunta pertinente se você pensar bem: o motivo dos jogadores serem as estrelas do cenário é porque eles podem dar conta dos grandes vilões e ameaças do cenário (ou pelo menos eles podem tentar) – coisa que os guardas comuns não podem.

No exemplo citado pela Dani os personagens tiveram apenas uma maré de azar. Para limpar o nome deles pode ser um pouco mais complicado do que deveria ser desejado. Da mesma forma que o mestre ajudou a sujar o nome deles, colocando guardas inocentes no caminho, ele também deve dar a esponja e o sabão para que a limpeza comece. Imagine que enquanto estão em fuga os jogadores são abordados por um agente do serviço secreto real (sim, esse tipo de coisa já existia desde aqueles tempos) que faz a eles a seguinte oferta: “Precisamos de alguém com suas habilidades para se livrarem de [coloque aqui a ameaça a ser eliminada]. Façam isso e serão homens livres”. Para quem não sabe esse é um dos clichês mais simples de Hollywood, presente em filmes como “Fuga de Nova Iorque”, “Comando dos Condenados”, “Triplo X” e tantos outros. Pode ser que a fama de “caras maus” até mesmo ajude os personagens a chegar até o verdadeiro vilão da história.

Um dos exemplos sobre essa situação ocorreu quando eu jogava com um elfo ladino/mago em AD&D, chamado Jaffar Al Garrand. Acabamos pisando no calo de um nobre e ele espalhou por todos os lados cartazes de procurados com nossos retratos. Ou pelo menos desenhos, como aqueles cartazes de procurados do velho oeste. Enquanto os outros jogadores se desesperaram eu resolvi tomar uma ação um pouco mais direta. Raspei a cabeça e com a ajuda de óleos especiais bronzeei minha pele. Agora eu parecia mais um clérigo que um ladino/mago. Veja bem todos procuravam um elfo com longos cabelos vermelhos, bigode e cavanhaque e não um clérigo elfo zen budista de cabeça raspada. Com este disfarce eu fui até a casa do nobre e o assassinei. Fiz com que parecesse suicídio e deixei uma carta testamento em que ele nos absolvia das acusações. Foi praticamente um jogo solo aquele dia, mas foi muito divertido. Mas só funcionou porque o mestre não forçou a barra e deixou que a coisa funcionasse.

Mas Valberto e quando os caras são maus mesmo, de verdade e não se importam com isso? Bom, dê a eles motivos para se importarem. Vai ser divertido que quando eles cheguem na cidade pela primeira vez todos os aldeões corram. Mas depois da 5ª ou 6ª vez que isso acontecer vai começar a ficar chato. O rei vai sim mandar suas forças para caçar os personagens, mas só até um limite. Depois disso ele vai buscar heróis para caçar os vilões. Um grupo de NPCs, cuja história provavelmente terá ligações com a história dos personagens pode ser a pedida ideal. Afinal, agora eles vão estar do outro do cartaz de procurados.

Seja qual for a ação dos personagens o mestre deve estar pronto e confortável para seguir com ela. Dê corda, se for o caso e deixe que o mundo continue girando.

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3 Comentários (+adicionar seu?)

  1. Fernando del Angeles
    mar 17, 2010 @ 00:36:21

    Perfeito, realmente queria ter escrito este texto, complementa em muito o meu. Realmente deve se ter cuidado com as consequencias, foi o que respondi a dani Toste, só deve ser usado o que interessa ao grupo. Um jogo não pode ser chato para nenhum dos jogadores, então se é interessante para todos, que os personagens sejam caçados e sejam o inimigo n°1, que assim seja, mas chega uma hora que fica chato. Então cabe ao mestre resolver essa bagunça, ajudar os jogadores, oferecer meios para tal…

    Parabéns, vou colocar o link do tu texto lá nos comentários no goblin, abração…

  2. alvaro o bardo
    mar 17, 2010 @ 10:26:17

    muito bom o texto que post meu velho, tenho a mesma opinião que você a lei deve servir para restringir e também proporcionar novos plots de história e não para atrapalhar os jogadores

  3. Arquimago
    mar 17, 2010 @ 12:37:47

    Bom artigo estou acompanhando no Goblin mas seu exemplo e texto foram muito bons!

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