Noções de um pseudo-game designer.

Noções de um pseudo-game designer.

Quando eu comecei a imaginar a mecânica do dado da história e de suas variantes (Pontos de Enredo, etc), não havia como saber o que ia acontecer. Eu sabia que num primeiro momento os jogadores iam estranhar a proposta, que não ia saber de usar e pior, que talvez até esquecessem, como é o caso dos pontos heróicos que eu introduzi, mas eles nunca usam.  Outro receio é que acabasse se tornando uma coisa burocrática e imprestável que travaria o jogo.

Mas no fim das coisas eu sou só humano e uma das coisas que me faz humano é a capacidade natural de estar enganado. E olha, poucas vezes eu fiquei tão feliz por estar enganado. Os jogadores não apenas pegaram a idéia do Dado de Enredo (este é o nome final da mecânica) com muita facilidade como o usaram para modificar a história, criando um personagem secundário, mercenário vendedor de arma,  que acabou se tornando amigo do falecido pai de um deles e esta envolvido com uma conspiração que pretende trazer os dragões de volta ao mundo.

Tudo aconteceu com tanta naturalidade, com tanta espontaneidade, que parece que eles usam a mecânica desde sempre. É impressionante como eles usaram os pontos para ajudar a  construir uma narrativa rica e cheia de voltas.

Ao chegarem na cidade costeira de Iron Pike, os personagens buscavam por um vendedor de armas para se reequiparem depois da luta com os piratas e a estada não desejada na ilha dos dinossauros. Só que armas são um item raro nas sitiadas terras dos anões. Então eles resolveram que um mercenário resolveu capitalizar em cima da crise e estava vendendo armas por 3 ou 4 vezes mais o seu preço de mercado. Nikkon era o nome do cara e era amigo do pai adotivo de Darius Blackstar (o personagem do Bruno). Por ser amigo do pai de Darius ele fez um desconto de 50% nos itens de sua loja (um grande baú com armas). Mais uma intervenção e de repente Nikkon não apenas vendia armas como conhecia detalhes da guerra, tendo contato com outros contrabandistas de armas, tendo inclusive, acesso ao nome do elfo que orquestrou a queda do império anão. Disposta a arrancar mais informações do mercenário, Dörien (Sued) resolve aceitar seu convite para jantar e descobre que Nikkon pertence ao mesmo clã de ladinos de Darius (o clã da adaga negra – Blackdagger) e que ele esconde mais um segredo: ele estava levando – escondido e para algum lugar – um escudo mágico que contem um dos 4 selos dos dragões.

As intervenções na história foram tão incríveis que de uma hora para outra uma simples folheada no livro para se reabastecer de armas e munições virou uma corrida contra o tempo para chega no templo de Nathar, o pai criador de todos os anões. O templo seria uma espécie de gruta da natividade, onde Nathar forjou o primeiro anão. Lá o escudo estaria livre de todas as influências dos agentes dracônicos que querem romper os selos e trazer seus mestres de volta.

Na próxima sessão eles vão ter de lidar com um anão ressentido – Ogg, com uma nação em caos e com muito mais coisas malignas e terríveis que os aguardam na direção da nova capital do reino, Rivkandall.

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2 Comentários (+adicionar seu?)

  1. Gilson • RPG • Educação
    abr 11, 2010 @ 10:00:36

    Muito bom. Parabéns pela criação da mecânica!

    Gilson

  2. Arquimago
    abr 12, 2010 @ 18:20:12

    Nossa! Adorei os resultados e sua campanha parece bem interessante também!

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