As raças não-cânones de RPG

As raças não-cânones de RPG

Olá amigos, ao melo menos aos desavisados que ainda entram nestas terras parcialmente abandonadas e improdutivas em busca de uma boa sombra de algo para saciar seus espíritos. Venho aqui mostrar que inda estou vivo, apenas do tempo ter sido consumido até à exaustão. Fim de trimestre, como dizem os mais velhos, é terra de ninguém, sem lei, cruel em demanda tempo. Ô se demanda…

Mas hoje, numa folguinha espetacularmente fantástica eu gostaria de conversar com vocês sobre as raças não-cânones do RPG. Você sabe, tudo aquilo que não é elfo (e variações), humano (e variações), anão (e variações), halflings (e hobbits também), gnomos (e meio qualquer coisa).

Viver outro mundo, outra cultura, outra existência

Uma das coisas mais legais sobre o RPG é a capacidade de você ser alguma outra coisa que não seja você mesmo. Bem seus personagens podem ser uma versão bizarra e distorcida de você, mas não é o caso agora. Ele é outra pessoa, outra persona. Aqui eu sou o professor Valberto, mas no jogo eu sou o Cavaleiro Wootan Darkstar. Aqui eu sou humano, enquanto que no jogo Wootan não é; ele é anão. O fato é que o RPG deixa que experimentemos, mesmo no ramo da fantasia e da imaginação outras formas de ser.

E isso não poderia ser realmente possível sem que houvesse as raças. São as raças que ajudam os jogadores a se identificarem com os personagens, criam estigmas, maneirismos, jeitos de ser. Foi Tolkien quem trouxe as raças para perto de nós em suas obras: O Senhor dos Anéis nos apresenta o Cânone das raças do RPG de fantasia medieval, com o seu estereótipo mais forte: Anões fortes e brutos nas cavernas, Elfos lindos e graciosos nas florestas, Humanos, bem… humanos e nas cidades. Mesmo os halflings do D&D vieram desta obra: os hobbits de Tolkien.

Essas devem ser as raças mais comuns de todo multiverso. Quando uma pessoa vai montar o seu cenário medieval ela pode optar por usar tudo como Tolkien escreveu (Forgotten Realms, por exemplo), ela pode optar por dar uma sacudida numa das raças (os elfos não tem mais casa e são escravos em Tormenta) ou cada raça ganha uma aprouch diferente mas continuam com os mesmos nomes (como é o caso do meu cenário). Outros ainda criam raças que não são elfos, mas têm orelhas pontudas e vivem na floresta, ou que não são anões, mas que são baixinhos, mal encarados e robustos.

Não podemos negar o sucesso das raças criadas por Tolkien. Na primeira encarnação do D&D, as raças eram classes: Elfo (mistura de mago com guerreiro), Anão (guerreiro especializado), Halfling (ladino especializado e de pés peludos)… Mas será que a fantasia medieval se resume a isso? São todas as raças que podemos jogar?

Eu não quero ser um elfo! O que mais você tem aí?

E quando você quer ir além das raças comuns? Quando você cansou de explorar seus aspectos e quer conhecer alguns novos desafios? Como você faz? Bom, neste momento você começa a entrar no mundo das raças não-cânones.

Vou ser bem sincero com vocês. Conheço muito pouco a partir de aqui. Estou tateando no escuro com a ajuda da minha experiência acumulada. O único RPG que eu conheço que não usa qualquer raça humana ou variações de humano é o Mechanical Dream. Ele não tem nem mesmo versões revisadas das raças comuns. Skyrealms of Jorune, Talislanta, Tekumel, Darksun e Eberron apresentam um monte de opções legais ou releituras de raças em adição aos humanos e outras raças standard de fantasia medieval. Outros como Usagi Yojimbo RPG tiram tudo que é humano, mas os animais antopomórficos ali representados costumam ser mais humanos que muitos dos “humanos” que eu conheço.

Usagi nos leva a uma porção meio sombria das raças de RPG: os furries. Furries (furry no singular) é uma espécie de raça derivada dos mamíferos, com pêlo. Daí o nome. Furries famosos incluem os Thundercats, por exemplo. O problema é que Furry também é um fetiche sexual por estes mesmos personagens, o que acaba afastando a maioria dos jogadores da opção de jogar com os peludos.

Algumas raças e releituras são bem legais como é o caso dos Shapeshifters, Warforgeds, Ferals de Eberron. Em jogos de videogame temos muito mais opções de raças assim dando sopa, especialmente nos mundos de final fantasy. World of Warcraft é outro que permite jogos com raças fora do tradicional: Orcs, Mortos-vivos, Trolls, Draeneis, são praticamente raças não-Cânones de excelência. Não podemos esquecer dos settings que bebem diretamente da mitologia humana como é o caso de Rise of the Argonauts e Neokosmos, que usam a mitologia grega. Lá podemos encontrar raças como centauros, ninfas, sátiros, ciclopes…algo bem diferente do comum.

E o quico?

Agora chegamos finalmente a parte que eu queria discutir com vocês. Será possível criar um cenário funcional com raças que não sejam cânones e nem humanas? Causaria muita estranheza a ponto de não ser jogável? Um cenário em que não houvesse nem mesmo cavalos e outros animais característicos de montaria: que tal rinocerontes atrozes como montaria? Ou aves no melhor estilo Chocobbo (Final fantasy)?

O que dizer de cenários assim? Estão bem fora do mainstream. E o que vocês me dizem? Seria possível criar um cenário medieval assim? A fantasia continuaria sendo medieval sem as raças de fantasia tradicionalmente usadas?

Aguardo as respostas de vocês para continuar a segunda parte deste artigo: construindo sua raça não-cânone.

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7 Comentários (+adicionar seu?)

  1. Paulo Roberto
    abr 22, 2010 @ 13:22:07

    Bom, acredito que seja possível sim. A questão de ser jogável ou aceito também depende muito das pessoas terem cabeça aberta para tal. Se formos pensar em versões alternativas de raças e montarias, ainda sim seria alternativas. Peguemos Star wars… tire todos os “humanos” e ainda sim vamos ter montarias estranhas (que nao sao cavalos) e nada desse tipo. Apesar de Star wars nao ser medieval.

    É uma questao de termos mais de uma mente por tras da criação.
    E tambem termos que mudar alguns “conceitos” tambem. E se os Graciosos e magicos, na verdade forem espiritos da montanha… e nao os da floresta? Se o bucolico for na verdade viver na cidade?? Sei la… é algo a realmente pensar.

    Acredito que, para não usar as raças canonicas, teriamos que mudar conceitos tambem. Senao nao fugiremos do gracioso, morando na floresta… Bruto, morando em montanhas… adaptavel morando em cidades…

    Ao menos é a minha opinião.

    Por:Paulo Roberto, o mestre em stand by forever

  2. MortykuS
    abr 22, 2010 @ 21:25:53

    Isso me soou como um desafio. Assim que terminar o meu cenário vou começar a trabalhar em algo do tipo. Isso vai ser bem interessante!

  3. nanorpg
    abr 22, 2010 @ 22:10:05

    Cara, eu acho essa idéia no mínimo perfeita. Eu sou o tipo de jogador que sempre foi HUMANO nas mesas.
    Por quê?
    Porque eu não gosto da idéia de personagens vikings baixinhos, logo, excluo ANÕES.
    Não gosto da frescura élfica, logo excluo ELFOS (esse negócio de elfos feios, brutos ou barbaros é muito D&D pra mim e apesar de gostar de criatividade, respeito os dogmas antigos tolkenianos).
    Fui doutriNADO À NÃO GOSTAR DE meio-orcs: malignos, na maioria.

    Logo me vi entregue à mundos sem boas opções. Quando os cenários começaram a criar Shapeshifters, Construtos, Tieflings, Aasimars, etc. eu ADOREI. Tanto que meu próprio cenário de jogo de NANORPG inclui alguns conceitos que prefiro: em vez de halflings, gnomos – porque não? Gnomos, numa visão mais realista, poderiam substituir claramente uma raça mais “marca registrada” como os hobbits.
    Minha verdadeira tentativa nesse campo serão os Sídhe, cujos quais me baseei no nome Daoine Sídhe, outro nome pros Tuatha Dé Danann, a mítica “raça heróica” do povo celta. Com algumas alterações, claro, uns chifrinhos satíricos (=sátiros).

    Por último, queria só mencionar que o NANORPG 2a edição sai AMANHÃ no blog do NANORPG!!!!

  4. Ryunoken
    abr 23, 2010 @ 02:34:44

    Tenho um projeto sem nenhuma raça canônica. Nem PC nem NPCS nem fauna nem bestiário. Claro que, como dezenas de outros projetos, está parado por pura preguiça. Quem sabe um dia, quem sabe?

  5. Arquimaago
    abr 23, 2010 @ 13:31:31

    Possível é. E não só para “fantasia medieval”, é uma questão de trabalhar conceitos, evolução e tantas outras coisas, os Navi parecem humanos, mas não são apesar de terem sentimentos como nós sua cultura é tão diferente que são bem distintos, assim como a evolução dando destaque para os “plugs”.

    E claro ainda estão próximos, imaginem um polvo como a raça que saiu nos Pergaminhos Dourados?

    Porque só medieval? Toda a historia e evolução poderiam ser refeitas de tal forma com sentido que seria nem de perto a nossa… o problema é criar algo tão alienígena que não entendêssemos nada e dai não seria jogavel.

    Mas dá para ficar o mais longe possível de algo que desse para jogar. O filme não é tudo isso e me fugiu o nome, é o do cara do espaço que vem parar em uma éra viking pra matar um dragão do espaço, os dragões pareciam ter até cidades antes dos humanos queimarem o planeta, para nos era um monstro… mas não seriam os humanos monstros para ele já que queimaram um planeta inteiro?!

  6. imiril
    abr 23, 2010 @ 17:36:04

    Se é possível jogos de qualidade com raças não humanas? CLARO QUE SIM!

    E tenho um exemplo maravilhoso disso: é só olhar pra o cabeçalho do blog, ora! Guard Mouse. Eis um RPG de primeira que não usa humanos pra nada!

    Apesar do que, acho que foge um pouco do conceito apresentado no post, que seria jogar com algo realmente alienígena… (no sentido de estranho às sensações e culturas humanas).

    Isso é muito difícil, porque se pensarmos bem, na realidade mesmo elfos, anões, gnomos, etc. são muito mais humanos que qualquer outra coisa, até mesmo orcs e dragões, psicologicamente, não passam de humanos com uma roupagem distinta…

    Dessa forma olhando pela questão psicológica/social/cultural da coisa começamos logo a viajar nas idéias.

    Uns exeplos que acho que valem a pena seriam:

    1- Os cenobitas (hellraiser). Esses monstrengos são uma obra-prima exatemente porque o conceito deles de realidade e cultura é TOTALMENTE alienígena para nós, humanos.

    2- O RPG Paranóia. Nesse jogo todos são clones (inclusive você dispõe de outras 5 cópias de vc mesmo pra usar quando uma morrer – rsrs). E a ambientação, rica e original, também oferece excelentes idéias de como um cenário pode ser surreal e ainda assim divertido.

    3- GURPS Goblins também é excelente no aspecto de jogar com seres cujo relacionamento e entendimento do mundo é estranho… e põe estranho nisso.

    Bom, por tudo isso acredito sim que podemos usar raças e cenários não-cânones nas nossas mesas.

  7. renan
    abr 09, 2011 @ 20:49:13

    Um jogo com raças não-cânones seria muito divertido
    eu tenho até boas idéias porém
    não conheço um programa bom para criar um jogo desenolvido com esse tipo de raça!!!

    Ainda é um grande problema criaar um jogo atualmente sem ter q pagar por um bom programa

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