Você precisa mesmo de Revistas de RPG?

Você precisa mesmo de revistas de RPG?

Por um lado eu me sinto amplamente abençoado por viver nestes dias de transformações modernas. Eu vi os primeiros videogames domésticos evoluírem, assim como presenciei a ascensão e queda dos formatos de mídia VHS e CD, dentre tantas outras coisas que surgiram e sumiram nos últimos 20 anos.

Algumas mídias, entretanto, vêm perdendo espaço com muita força para os meios eletrônicos. Os motivos são vários e justos de certa maneira. Por que gastar dinheiro com uma revista de rock, se tudo o que você precisa saber está num site bem ali e até mesmo as músicas podem ser ouvidas e vistas graciosamente no youtube? Por que gastar dinheiro com revistas de videogame se detonados completíssimos podem ser encontrados com um pouco de exercício do Google fu? A mídia da revista impressa, mais do que nuca, está com os dias contados.

E isso nos leva as famigeradas revistas de RPG. Precisamos mesmo delas? No meu artigo publicado em 2008 eu discuto justamente essa questão. Lá eu afirmei (e resgato aqui) que a blogsfera brasileira é riquíssima de sites de RPG. Dos mais diversos assuntos, das mais diversas temáticas, dos mais obscuros sistemas. E os blogs vêm crescendo como uma voz independente e múltipla, que ajuda muito ao RPG. Quer notícias? Tem blog só ara isso. Aventuras? Memes? Personagens? Loucura aleatória? Está tudo lá, ao alcance dos seus dedos. Com um passeio em dez blogs brasileiros eu poderia editar uma revista dezenas de vezes melhor que uma DB ou qualquer outra revista jamais foi.

Mas hoje eu gostaria de fazer uma análise da última revista de RPG que eu conheço que ainda está em publicação: a Dragonslayer. Não chega a ser surpresa para os amigos que eu nunca fui fã da revista, começando pelo seu nome e pela postura, digamos, duvidosa de seus idealizadores, passando por matérias das quais eu não sou o alvo. Apesar de não gostar da revista, acredito que isso não me impede de tecer alguns comentários sobre a mídia moribunda das revistas de RPG.

A pergunta é: você precisa da Dragonslayer? Se você tem internet à sua disposição e sabe falar inglês, a resposta é não. Nada ou quase nada que a revista trás é realmente inédito. Peguemos por exemplo esta última edição. Claymore, mundo pós-apocalíptico, Allansia, um conto, atualizações do cenário de tormenta e algumas colunas. Claymore enquanto classe para D&D 3.X pode ser encontrada em vários sites da internet, e mesmo dicas de como rolar aventuras baseadas no anime podem ser achadas em português. O Pós-Apocalíptico recebeu farta inspiração do suplemento Apocalypse D20 (para d20 modern), inclusive a parte “Eras depois do Apocalipse” é muito parecido com a mesma seção que consta no livro. Todo o material sobre Allansia pode ser encontrada em fan sites do cenário ou mesmo no site da empresa. Eu já tenho esse material, afinal eu tenho quase toda a coleção dos livros de quando eles saíram no Brasil pela primeira vez. Sobra o que? Um conto, atualizações de tormenta e material game-aid sobre como mestrar melhor e como ter personagens diferentes.

A única razão que vejo para gastar 15 reais é o fato de você ser fã de tormenta ou de 3d&t. neste caso o seu dinheiro é muito bem empregado. A revista trás material abundante para os dois produtos, com o aval dos criadores dos mesmos. Em nenhum outro lugar (talvez na internet, depois que a revista for escaneada e colocada para download gratuito) você vai encontrar material de tanta qualidade para tormenta e para 3d&t.

Agora temos um problema interessante: se você tem 15 reais sobrando e não se interessa pelo material da Dragonslayer, o que você pode comprar? Bom, com 15 paus por mês você pode comprar um sem número de boas parafernálias rpgísticas. Muitos livros da daemon estão por este preço. Os livros são muito bons, e servem como referência mesmo que você não use o sistema. Se você se esforçar e juntar um pouco mais, digamos de 15 a 30 reais você terá uma gama enorme de produtos a escolher como Galrasia: Mundo Perdido (R$16,95), D&D – O Orador dos Sonhos – Livro de Aventura 3 (R$9,99), D&D 3.0 Mestres Selvagens (R$22,40), Mítica – Desbravando o Oriente (R$15,50), Kit do Mestre 3.5 (R$22,50), Trilogia Porto Livre: Livro 2 – Terror em Porto Livre (R$13,50), Mítica – Sombras no Oriente (R$15,20), A Trilogia do Fogo das Bruxas – vol. 1 – A Mais Longa das Noites (R$14,85), A Trilogia do Fogo das Bruxas – vol. 2 – A Sombra do Exilado (R$14,85), A Trilogia do Fogo das Bruxas – vol. 3 – A Legião das Almas Perdidas (R$16,90), Sem Trégua – Volume Dois (R$14,95), Sem Trégua – Volume Um (R$14,95), apenas para citar alguns livros.

Não podemos deixar de perceber que a revista ainda tem suas vantagens: enquanto os leitores de portáveis de pdf não forem popularizados no Brasil é muito mais confortável sacar uma revista da bolsa do que o seu notebook para ler no ônibus. Se sua revista for roubada, você só perde 15 reais, mas se seu notebook for roubado… A revista também não precisa de baterias ou de alimentação elétrica. Entretanto é tudo uma questão de tempo. O meu telefone celular pega TV, rádio, internet e lê livros em formato book reader – embora seja uma verdadeira tortura ler na sua diminuta tela de pouquíssimas polegadas.

Como análise final, a Dragonslayer é uma revista de nicho dentro de um nicho. Ela só tem serventia para você se você for fã de tormenta ou dos escritores da mesma. Se este não for o seu caso, o melhor que você tem a fazer é investir essa grana em alguma outra coisa. Os preços constantes desta edição foram pesquisados no site da Moonshadows RPG e são referentes ao dia 25 de abril de 2010.

Anúncios

10 Comentários (+adicionar seu?)

  1. Tek
    abr 25, 2010 @ 23:52:37

    Betão, são 15 reais a cada 2 meses.
    Fora que se a pessoa não tem acesso fácil à Internet pode nem saber da existência de blogs de RPG, e uma revista de RPG pode ser o único contato dessa pessoa com RPG (além de, talvez, os livros).

  2. Arquimago
    abr 26, 2010 @ 15:33:49

    Concordo com você valberto, mas também com o Tek, eu mesmo compro porque gosto das matérias gerias da revista, e algumas atrás porque saiu material para M&M.
    Sei que posso achar tudo isso na net, mas a revista me dá tudo isso em um lugar só… mas também porque para mim virou meio que tradição.
    Eu não preciso, nem tenho dinheiro para jogar fora, mas acho que vale a pena comprar.

  3. Gullven
    abr 26, 2010 @ 16:35:46

    Também compro pela tradição, afinal quando eu começei no hobby foi justamente por causa daquela primeira edição do D&T e em maceió-AL(cidade em q eu morava) era a ÚNICA fonte de material, concordo q hj é mais fácil, mas ainda assim, tem que saber onde procurar. Confesso que a qualidade há muito vem decepcionando, mas tenho esperança de que eles voltem a encontrar o caminho daquelas primeiras edições onde a mágica realmente acontecia, e não era apenas um negócio editorial…

  4. L.G.B. Paiva
    abr 27, 2010 @ 00:19:41

    Eu não gosto da revista também, pelos mesmos motivos que você ressaltou, e pelo fato de eu não gostar de Tormenta/3D&T, porém existem algumas coisas que eu tenho a curiosidade de saber a opinião dos outros. Esses dias eu estava procurando algum lugar que tivesse a revista que fazia uma resenha sobre Mouse Guard (mas eu achava que era sobre o RPG, não sobre o HQ) pois queria saber a opinião deles sobre o jogo.

    Mas de fato eu não sabia que haviam tantos livros baratos do ramo a venda… principalmente os relacionados a Reino de Ferro, visto que o livro básico custa cerca de 90 reais!

    A questão do pdf eu simplesmente prefiro o papel mesmo por que não gosto de ler no PC, me cansa as vistas e eu me desconcentro com facilidade…

  5. João Marcos
    abr 27, 2010 @ 16:39:38

    Valberto, os meios de comunicação estão a cada dia mais perto de todos, nunca se vendeu tantos PCs como nos últimos meses, o Governo quer implantar banda larga e tudo quanto é lugar! Espero que daqui 5 anos a banda larga esteja disponível em quase todo o território nacional. Se isso ocorrer a mídia digital estará ao alcance de muitos que não tem Internet e com os preços cada vez mais acessíveis dos PCs e notes, o público rpgistico terá cada vez mais acessos aos portais de RPG e afins. Infelizmente com certeza não tem espaço para a mídia impressa nesse “nicho”. A DragonSlayer é uma revista para um determinado tipo de público, apenas isso, não podemos caracterizar ela como uma revista de notícias e sim uma revista para os fãs de Tormenta e D&D. O valor da revista não é alto, pois é bimestral e qualquer revistinha ai hj sai por R$ 10. O IPAD chagou e com ele o fantasma das editoras de livro impresso, pois os livros para Ipad são incríveis, mas não tem a mesma graça de você poder colocar ele na estante do quarto e quando acabar a pilha vc vai ficar sem poder ler nada :) Bom, mesmo assim, recomendo a Dragon Slayer, pois é feito por profissionais e o mercado está carente de gente qualificada como nos velhos tempos…

  6. Gilson • RPG • Educação
    abr 29, 2010 @ 12:02:25

    A internet está MUITO longe da maioria no Brasil, baseando em informações do IBGE (não tenho tempo para procurar as fontes, mas fiquem a vontade para confrontar essas informações).

    Como pensar em computador em uma casa onde nem há banheiro com privada e as pessoas precisam de um buraco para suas necessidades?

    RPG então nem se fala. Como pensar neste jogo se há fome e uma educação cheia de mazelas, com baixos salários dos professores, estrutura precária, violência na escola e doméstica?

    Gilson

  7. Gilson • RPG • Educação
    abr 29, 2010 @ 12:06:33

    Concordo com o Valberto, mas a revista é relevante para quem não tem acesso à Internet e tem dinheiro sobrando da mesada.

    Mas para muitas crianças e jovens R$1,00 – um Real – é muito dinheiro para usar num cybercafé.

    Gilson

  8. supernemo
    maio 01, 2010 @ 09:17:01

    Olhem que assombroso: apenas 16.064.673 de brasileiros têm acesso À Internet em casa, sendo que mais da metade, 8.377.146, usam acesso DISCADO (lento e tarifado cada vez que usa, exceto depois da meia noite, hora de dormir) Aqui:

    http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/acessoainternet/tabelas/tab1_40_1.pdf

    E todas as tabelas do IBGE/Internet:
    http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/acessoainternet/defaulttab_hist.shtm

    Gilson

  9. valberto
    maio 01, 2010 @ 09:42:08

    Resta saber deste percentual quantos são jogadores de RPG e quantos realmente baixam material.

  10. Pedro XD
    fev 08, 2011 @ 21:30:15

    Eu jogo RPG a 2 anos. Tenho 12 anos e discordo um pouco. Eu toda semana comprava a revista Dragão Brasil em sebos da cidade. O fato é que eu tinha internet na época. O material pra 3D&T alpha na internet não é lá grande coisa e as da antiga DB por mais que não fosem alpha eram faceis de adaptar (digo eram pois minha mãe me proibiu de ler e comprar…). O foco do rpg da web está muito no D20 e pouco para outros sistemas. O fato de é que eu não uso meu PC na mesa de jogo, mas a minha revista tava sempre lá (na lendas lendarias enquanto meus personagens discutiam que queriam ter dragões como aliados…). O ponto fraco é que nem todo matertial das revistas te interesam; mas se tem uma coisa que você gostar ja vale a pena por que você não vai iniciar uma campanha toda vez que ter uma adaptação em mãos…

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: