Agitando a água.

O mundinho do RPG vem se agitando esses dias. Ao contrário do que pregam os apóstolos do perpétuo apocalipse o mercado de RPG no Brasil não vem apenas sobrevivendo, mas vem também evoluindo. Os motores para a RPGCON estão mais que aquecidos e a organização está em franca contagem regressiva; a Devir está fazendo todo o segredo do mundo com o lançamento de seu novo livro e a Jambô liberou a capa da nova edição do livro básico de Tormenta, que vai ter, entre outras coisas, um time slip de 5 anos no cenário e um sistema baseado no D20 OGL classic, totalmente independente das versões OGL 3.5 até então disponíveis no Brasil. Isso sem falar de um crescente movimento indie que até então eu nunca tinha visto tão forte no Brasil. E o mais interessante é que um dos maiores apóstolos do apocalipse está ajudando a divulgar um dos lançamentos citados acima. Nada mal para quem dizia que o mercado estava se acabando, não é verdade?

Mas o que eu quero questionar nem é isso. Porra, está bom demais que tenham tantos lançamentos no Brasil. O que eu venho questionar é a maneira de fazer isso. Com livros com tanta qualidade chegando por que é que seus lançamentos são envoltos de tanto… amadorismo?

Peguemos o primeiro exemplo: O lançamento top secret da devir. Será que existe espaço hoje em dia para esse tipo de badalação secreta? É um questionamento válido. Não me agrada sair correndo de site em site, bancando o detetive, para acompanhar um lançamento que dentro de uma semana estará em todas as lojas do Brasil. Não me agrada também participar de uma promoção que vai dar um livro que eu nem sei qual é.

Eu imagino por que não fazer um simples coquetel de lançamento, convidando os maiores blogueiros do país e todos os jogadores que quiserem encher o bucho de salgadinhos de amandupã para comprar o livro com um descontinho maneiro?

No caso da Jambô o problema é ainda maior. Eu nunca vi um livro com uma capa tão feia quanto a que foi liberada para o novo Tormenta. Ok, seres do Inferno não conta. Não posso deixar de pensar que é mais um golpe: mostrar uma capa feinha e depois aparecer com uma arte original nova. Mas a pergunta é: por que fazer esse estardalhaço todo?

Vai ver o amador aqui sou eu, que não entende essas grandes jogadas de marketing do RPG brazuca. Ou quem sabe eu só esteja ficando velho para caças ao tesouro e capas fake.

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8 Comentários (+adicionar seu?)

  1. Nume Finório
    jun 18, 2010 @ 20:37:35

    Opa,

    A capa do Tormenta RPG não é fake, não. E ela nem é feia. Só provocou esse estardalhaço todo porque o pessoal estava esperando algo novo. Claro que ainda teria gente reclamando mesmo se fosse arte original. Os fãs reclamam de tudo. Se não é da bunda da Shivara é do bigode do Thormy.

    Sobre o top secret da Devir, é marketing viral, e é uma mostra de profissionalismo da Devir, não de amadorismo. Claro que você tem direito de reclamar. Lembra do que eu disse sobre os fãs reclamarem de tudo?

    A Devir vem amadurecendo grandemente na sua relação com o público nos últimos dois anos. O baque do fim do EIRPG deve ter dado resultado.

  2. oneiros_fe
    jun 18, 2010 @ 23:13:37

    oia, até entendo o seu ponto de vista, e não o critico, mas pensemos assim: no caso da Devir um ARG curto que além de despertar o interesse (e você não pode dizer que não ficou interessado), atinge o público alvo do produto. Quase todo mundo que freqüenta blogs de RPG no Brasil não sente necessidade de revistas especializadas e convidar o pessoal do blog para essa brincadeira é bastante interessante, no caso da Jambo penso o seguinte, a repercussão da capa se deu pelos blogs que deram sua opinião sobre o trabalho que eu particularmente gostei. A melhor propaganda é a boca-a-boca, e isso serve tanto pra dar certo quanto errado.
    De qualquer forma interessante o post, e sim, é uma pergunta valida, parafraseando você “eu não sou especialista” hehehe

  3. Vekariel
    jun 18, 2010 @ 23:34:57

    Aeeeeeeeeee… Mais alguém que se ajunta a dizer que aquela capa ta feia pra burro… Nussa aquilo ta horrivel…
    Agora eu nao tinha pensado do lado da jogada de ser uma capa fake, te dou razao meu caro.
    E eu torço para tu estar certo, torço mesmo porque se for aquela capa mesmo juro passo longe deste livro.

  4. Remo
    jun 19, 2010 @ 12:30:51

    Nume: o bigode VILLAGE PEOPLE do Thormy, você quer dizer.

    Valberto: devo ser velho também, pois não tenho lá muito saco pra caça ao tesouro. Como você disse, é só ter um pouco de paciência, já que o “mistério” terá de ser revelado no fim. Eu não sou público dos lançamentos mainstream da Devir, então não faz sentido antecipar algo pra quebrar a cara depois — se for um título do meu agrado, prefiro a surpresa agradável que acompanha as expectativas modestas. Mas tem bastante gente que parece estar se divertindo com o bagulho, então tem seu valor.

    Já a capa do Tormenta, não é segredo que não sou lá o maior fã dos desenhos das Éricas (pra dizer o mínimo), e poderia ter rolado outra ilustração. A usada não é inerentemente ruim, mas, pô, uns 5 minutos no Photoshop seriam o bastante pra pelo menos fazer alguma coisa decente com o fundo da imagem, cujo acabamento não é lá essas coisas.

  5. Arquimago
    jun 19, 2010 @ 18:32:24

    Não sou especialista, mas ao menos movimentou o publico e colocou os holofotes nos lançamentos, então de todo erraco não é, afinal atraiu um publico consumidor…

  6. Gilson • RPG • Educação
    jun 20, 2010 @ 10:47:58

    Eu também devo estar muito velho para estas caçadas, nem “ovo escondido” em DVD tenho paciência de saber que existe/ fazer/ experimentar depois de muito por acaso ler em algum lugar. Nunca tive, desde o lançamento dos tocadores de DVDs.

    Ficarei no aguardo da Devir, numa ínfima esperança de ser Gurps 4a edição.

    Gilson

  7. Jagunço
    jun 20, 2010 @ 15:58:33

    Não sei realmente se é uma questão de “amadorismo”. É preciso perceber que não existe um “histórico de estratégias” para lidar com público de RPG no Brasil – ou seja, não existe um paradigma “profissional”. A década de 1990 foi amadora. A seguinte tem tentado construir algo de sólido, fazendo uso de ideias importadas (ou dos EUA ou de mercados de entretenimento vizinhos). Acho que existe uma vontade de acertar a mão, nos dois casos – o que não serve de mérito, mas serve de explicação para escorregadas (como a malfadada capa que, acredito, passou longe das expectativas de um público que tem amadurecido e ficado mais exigente.

  8. Gilson • RPG • Educação
    jun 20, 2010 @ 23:29:22

    Boa, Jagunço. É a tentativa e erro, visando os acertos.

    Gilson

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