Por que eu não engulo essa.

Engajamento político no RPG.

Nunca vou me acostumar com essa sujeira e podridão que convencionou-se chamar no Brasil de política. Jamais compactuei com os santos lutadores de plantão que aparecem de 4 em 4 anos para emporcalhar nossas cidades com jingles horrorosos.

Da mesma forma não suporto as imbecilidades da nossa esquerda retrógrada, presa num socialismo assistencialista e utópico. Tão pouco não me agrada a bizarrice travestida da direita, com o seu discurso neoliberal escondido em promessas vazias.

A meu pequeno ponto de vista, os partidos políticos são amplamente desnecessários. Eles não apresentam ideais e sim esquemas criminosos disfarçados com agendas secretas, beijinhos em bêbes e apertos de mão em época de eleição.

Sendo assim, acho que fica bem claro porque eu acho que RPG e engajamento político não combinam na mesma frase, não é mesmo? Penso que as maquinações políticas deveriam ser deixadas para os ventrues e os toreadores de vampiro a máscara ou mesmo para as eternas disputas entre os senhores das sombras e andarilhos do asfalto.

O mundo de hoje já não pede um discurso politizado ou o engajamento simplesmente está fora de moda? Reuni alguns amigos e livros para exorcizar o envolvimento político-ideológico nas letras e portanto, nos jogos de RPG. Que fique claro: para mim, misturar política com literatura ou RPG só tende a diminuir os dois últimos. .

Durante muitos anos, principalmente no período de ditadura, os artistas que não tomavam partido em favor do movimento comunista eram considerados alienados. Quem não rezava pela cartilha da esquerda era um dos alvos da intelectualidade da época. De minha parte sempre me mantive afastado o quanto pude de política. Colegas no ensino médio me chamavam de alienado. E eu via o titulo com orgulho.

Na verdade, era um prazer ser e me manter alienado. Sou até hoje. Minha formação foi e é humanista. Tenho nojo de falar de Lula, PT, Serra e PSDB. Acho que minha mãe não me botou no mundo para eu perder tempo falando dessa gente.

Ao atribuir à literatura ou ao RPG um cunho político e social, você cria um álibi para ela. Mas isso não é necessário. A política cabe na literatura, mas a literatura não cabe na política. Jamais me esquecerei dos primeiros livros de Marilena Chauí que tive de ler para a formação de professor. Propaganda esquerdista pura. Eis uma pessoa que perdeu a chance de entrar para a história como um expoente do ensino de filosofia no Brasil. Como professor de filosofia e conhecendo alguns textos clássicos como “O Príncipe” de Maquiavel, só posso dizer: na minha mesa não.

Para mim a literatura é muito maior do que essa discussão entre ser alienado ou ser engajado. Você pode criar uma boa história a partir de um fato político ou a partir de um pedaço de pau dentro de uma compota.

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9 Comentários (+adicionar seu?)

  1. Coisinha Verde
    ago 04, 2010 @ 18:46:44

    Aplausos de pé!
    Essa é exatamente a minha opinião e fico feliz que mais pessoas pensam o mesmo.
    :]

  2. cochise
    ago 04, 2010 @ 19:02:52

    1° Poderia ter colocado o link na thread.
    2° Partidos políticos são um dos piores exemplos possíveis para a política.

    digo isso sendo filiado ao mais velho deles, PCdoB, com mais de 80 anos.
    diria que a política tem majoritariamente dois eixos:
    1 – gestão da rês-pública
    2 – a vontade de cosntuir o paraíso na terra
    Nosso sistema eleitoral é horrivel, a estrutura da federação um lixo e a o regimento interno do governo (nos três poderes) é horrenda.
    Nada que conviva nesta tríade pode ficar bem. Tenho diversas críticas internas à atuação do meu partido que não coloco aqui exatamente por serem intenras.

    Só queria dizer que quando falei de engajamento político não estava falando de serra ou dilma ou mesmo Maquiavel. Aliás ão usei a palavra político, mas político/social.
    Estava (e estou) falando do estímulo a repensar as próprias atitudes, transformar a realidade. Apresentar os nossos problemas, mesmo que metaforicamente, criticar as nossas atitudes.
    Algo que talvez explique melhor o problema.
    http://oculos.lafactoria.com.br/2008/04/02/da-critica-social-a-critica-a-sociedade/

  3. cochise
    ago 04, 2010 @ 19:11:40

    humm esqueci de mencionar o ponto mais relevante do seu texto.
    a arte ser maior que a política.

    Há trabalhos bem feitos e bem mal feitos nessa área.
    O panfletarismo é facil. Eu o evito o máximo possível. Acho que o resultado final é péssimo artisticamente falando.
    Mas se por um lado há excelentes trabalhos como os de Moacyr Félix há péssimos como Bertold Brechet. (li mais dele que o horrível analfabeto político. O único texto bom dele que já acehi é o se os tubarões fossem homens)
    Acho que a arte não se constói de pureza virginal acima do mundo rel, mas a partir da realidade, contaminada por nosso suor, lágrimas, poeira.
    A política cabe no RPG. O partidarismo ou a as disputas normais desse tipo de coisa provavelmente não.
    Brave New World não é um dos melhores livros que li por causa da crítica. aliás, na época que foi escrito sequer era crítica. Mas por si.
    1984 igualmente.
    Assim como o conservador dostoiéviski em Crime e Castigo.

  4. valberto
    ago 04, 2010 @ 19:26:30

    Coch, meu bom…

    Não me referia a você especificamente quando escrevi meu rant. Se assim pareceu, peço-lhe mil desculpas. Na verdade eu agradeço muito a você pela inspiração do post. Tenho um problema de só escrever sobre o que eu tenho vontade e de certa forma me empolga. E o tema que você propos na lista fez isso. MUITO OBRIGADO.

  5. Henrique
    ago 04, 2010 @ 20:01:09

    Boa Valberto.

    Concordo plenamente com seu ponto de vista.

    Ótimo texto.

    até mais.

  6. Jagunço
    ago 04, 2010 @ 22:47:23

    Eu concordo que RPG não precisa ser político, claro. Mas acho que você entra em generalizações perigosas, incentiva uma despolitização que só piora a mesma situação que te irrita.

    Só consigo pensar que anular a política – no sentido de ação, crítica e participação – chega a ser ofensivo. É como se, além dos grandes empresários anti-leitura, você também estivesse chamando toda e qualquer pessoa engajada de inútil ou ingênua. E, vindo de um professor das Humanidades, isso dói mais.

  7. valberto
    ago 05, 2010 @ 00:18:00

    Jag,

    Só posso pensar que externei o que eu sinto a respeito. O fato de ser professor não me qualifica com uma paciência infindável para esse tipo, ou melhor, para qualquer tipo de assunto. Eu não chamo os outros de inúteis ou ingênuos. Apenas disse que eu não tenho mais condições de suportar esta corja. Quem tem que faça bom uso da habilidade que eu perdi. Entenda que não quis ofender, mas vá lá, não se pode ter tudo.

  8. Jagunço
    ago 05, 2010 @ 00:34:34

    Tudo bem, Betão. Não estou aqui para exagerar o sentimento de discordância. Só pra pensar sobre um assunto que acho importante: quero defender um pouco o outro lado, o lado de uma pancada de conquistas que só vem com luta, com engajamento e, por incrível que pareça, com os partidos.

    Eu sei demais que falamos de um jogo muuuitas vezes decepcionante e distante do que queremos. Só insisto que, se largamos mão e jogamos no limbo do inútil, fica pior.

    Imagino que você não pensa essas coisas sem motivo, claro. Só acho que dá pra debater. Ou contigo ou com teus leitores ou com os dois.

  9. Danielfo
    ago 14, 2010 @ 11:51:32

    Quando tinha visto este email na lista (já com dezenas de comentários) não sabia se ele teve um post de origem ou o seu foi originado da discussão.

    Acreditei inclusive, que fosse alguma espécie de dicas de como fazer a política entrar no jogo e não nós na política.

    A política no fim das contas é só uma faceta do sistema.

    Minha teoria é que tudo na realidade esta mais relacionado com a forma de energia que move o mundo, dq com nossos anseios em si, tão volúveis.

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