O personagem também faz parte do cenário

Transforme o cenário em motivações para o seu personagem

Acho engraçado que a maioria dos jogadores que eu conheço encare o cenário como um mero pano de fundo ou uma “desculpa conveniente” para que os personagens saiam por aí arrebentando “as fuças” de qualquer coisa que apareça pelo caminho. Para este tipo de jogador as tramas, os acontecimentos recentes, os boatos são apenas uma coisa: dicas para levar o personagem a mais desafios e assim dicas para deixar o personagem mais poderoso.

Os que pensam dessa forma quase sempre têm o mesmo background. “Ah, sou um [coloque aqui sua classe] órfão e sem família que segue pelo mundo em busca de aventuras”. Quantas vezes eu não ouvi isso como um pastiche mal colado para a história do personagem? O fato é que se o jogador desejar ele pode usar a história do cenário a seu favor.

Imagine que você está num cenário que acabou de emergir de uma grande guerra, como é o caso de Eberron, por exemplo. Você pode usar essa informação a seu favor. “Eu era apenas um recruta quando a guerra começou e hoje, com o meu antigo exército desmantelado, estou tentando voltar para casa”. Um background bem mais elaborado e com possibilidades bem abertas: para que lado fica a vila do personagem? Seus parentes ainda estão vivos? Se sim, ainda vivem na vila? Se não, quem os matou? A vila ainda está lá? O caminho é longo? Caro? De que lado da guerra a vila ficou? Houve lá uma revolta? O personagem deixou algum grande amor ou amizade por lá?

Um amigo meu, fã de assassins creed vai começar uma campanha de Tormenta e seu personagem é uma versão halfling de Ezio Auditore de Firenze! Com sua família morta por nobres tapistanos ele busca vingança contra seus algozes. Mas espera aí: onde é que este cara é diferente do “Ah, sou um ladino halfling órfão e sem família que segue pelo mundo em busca de aventuras”? No conceito. Ele vai ter o que odiar e objetivos bem específicos. Ele dificilmente se uniria outro personagem que fosse minotauro. Imagine a tensão se houver um na mesa. Imagine que ele descobre que sua mãe e sua irmã estão sendo mantidas como escravas de um nobre na cidade de [ponha aqui o nome da cidade – de preferência longe para cacete].

Quando você é capaz de usar a história do mundo a seu favor o seu personagem parece mais integrado ele será. Mais parte do cenário você será e mais vantagens você terá. Não parecerá forçado você dizer: “como é mesmo o nome desta vila? Ah eu tinha um companheiro de armas que disse ter nascido aqui. Quem sabe podemos encontrar abrigo na casa de seus pais?”

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Eu acho que já vi isso em algum lugar…

10 idéias manjadas que podem fazer a sua mesa de super ficar mais interessantes…

Na TV nada se cria, tudo se copia. Esta frase é mais que verdadeira, não apenas nos meios televisivos, mas em outros meios midiáticos. Copiamos aqueles que fazem sucesso como se fossem receitas, fazemos clones e retro-clones porque gostamos da sensação, enfim o ser humano replica suas atitudes.

E nos mundos de Super algumas situações são tão comuns que viraram clichês do gênero. Explorar algumas delas pode ser a reviravolta que você precisa para este jogo de domingo.

1 – Querida encolhi as crianças. .

É o velho raio encolhedor. Os personagens foram encolhidos até um tamanho diminuto. Quanto é esse tamanho? Depende do perigo. Quanto menor o personagem estiver mais dificuldades ele terá.

2 – Quero ser grande.

Os personagens voltam a ser crianças. E quando eu falo crianças é isso mesmo, entre 08 a 10 anos de idade. Claro que seus poderes diminuem em igual proporção, mas a aventura e a confusão só aumentam. Versões infantis podem incluir terríveis lembranças da infância do herói.

3 – O sexto dia.

Cópias más dos personagens de outra dimensão chegam a terra. Ok, de outra dimensão nem é preciso. Podem ser clones, andróides, bonecos de massa… os clones podem estar a serviço de alguém ou alguma coisa ou mesmo podem ter sua própria agenda secreta.

4 – De volta para o futuro.

Os personagens voltam no tempo para alguma época anterior à deles. Esse tipo de clichê costuma ser inofensivo nas séries de TV e cinema, justamente porque os roteiristas têm grande cuidado na mudança da história – e convenhamos, mudar o passado pode ser bem confuso para o futuro.  Mas nas mesas de jogo podem gerar situações extremas. Quem garante que salvando aquele menininho judeu do campo de concentração você não esta ajudando a criar um carrasco ainda pior que Hittler?

5 – Cloverfield: o monstro.

É… Godzila esta de roupa nova e chegou á cidade. Imagine o estrago que um gigante de 50 metros de altura, cuspidor de chamas atômicas corrosivas faria passeando pela avenida principal da sua cidade. Imaginou? Ok. Agora vá mestrar.

6 – O Gladiador.

Os jogadores são seqüestrados por uma entidade cósmica para participarem de jogos intergalácticos, estilo arena. O prêmio pode ser a sobrevivência, ou mesmo alguma coisa que os jogadores queriam. Esta é uma boa forma de introduzir novos heróis.

7 – A Onda.

Um grupo civil organizado esta doutrinando pessoas em volta de uma idéia, organização ou meta. O que começou como uma forma de manter a vizinhança mais segura ou manter os filhos mais tempo na escola, agora se torna uma ameaça a individualidade de todos dentro do sistema. O nazismo começou assim…

8 – Os caçadores da arca sagrada.

Um grupo ou vilão está em busca de um item sagrado/místico/lendário de grande poder. Pode ser a arca da aliança, a espada do rei Arthur, o próprio Graal. Fato é que os jogadores devem impedir a todo custo que este artefato caia nas mãos de pessoas inescrupulosas.

9 – Minority Report.

Ok, vocês estão sendo acusados de crimes contra a humanidade ou seja lá o que for. Fato é que agora têm que provar que são inocentes.

10 – Re-animator

Alguém está reanimando os corpos de antigos vilões, auxiliador por um terrível exercito de zumbis. Quem poderia estar por trás de tal atrocidade? Descubra.

Enquanto escrevia esta lista outras idéias foram surgindo. Provavelmente teremos a lista parte 2 em breve. Aliás, o que seria um bom filme de supers sem uma parte 2?