Kant e a liberdade

Nos seus escritos de ética, Kant vai mostrar claramente as partes que constituem sua teoria, ensinando-nos sobre a antropologia moral e uma sua parte, à saber, a educação como condição de possibilidade para uma vida ética.

Na Crítica da razão pura já é possível constatar sua preocupação com as questões referentes à educação. Questões que vão ser imensamente caras a ele e que serão retomadas muitas vezes em sua obra. Nela lemos sobre os efeitos nocivos e a desordem que uma má educação ou que a falta de cultivo em um homem são capazes de introduzir na sociedade. Em uma passagem, Kant nos ensina o que é filosofar, aprender e pensar com autonomia.

A apresentação da equipe iniciou-se com a discussão acerca doa fundamentação metafísica da ética kantiana, como a possibilidade de uma lei moral universal. A melhor forma de se tratar essa questão era traçar então a relação entre os deveres éticos e a liberdade ética. O que nos leva a uma importante indagação: o que a liberdade em Kant nos propõe? A liberdade entendida como dentro dos limites socialmente constituídos através da aplicação das leis.

Percebemos que a ética kantiana é uma ética formalista. Quando o livre-arbítrio (aqui também chamado de autonomia da vontade) está condicionado á racionalidade eu tenho duas opções possíveis: o ético e o não-ético.

= Leis →        (OK)   →        Ética

Livre Arbítrio + Racionalidade

≠ Leis →        (X)     →        Não-Ética

A universalidade em Kant acaba gerando um legislador universal, tudo dentro de um processo de racionalidade. VONTADE+LEI=ÉTICA.

Uma leitura menos atenta do texto nos permitiria a seguinte constatação: que seria possível obter-se uma ética totalmente desprovida dos elementos empíricos. A ética kantiana é extremamente influente na filosofia até hoje. Além de sua parte pura, ou seja, baseada nos princípios a priori, esta ética recebe a influência da história e da antropologia no sistema moral kantiano.

Portanto é possível admitirmos uma ética impura que examina uma parte relevante da experiência dentro de um estudo empírico do homem, da cultura e da natureza humana que por sua vez exigem a determinação a priori de um sistema de deveres. A antropologia moral trata das condições subjetivas presentes na natureza humana que auxiliam as pessoas a cumprir as leis de uma metafísica dos costumes. No entanto esta proposição é negligenciada, pois alguns comentadores de Kant acreditam que a ética independe da antropologia.

Para finalizar a apresentação do grupo surgiu uma questão interessante. Existe Liberdade sem lei em Kant? A resposta é não. Quanto maior o montante de responsabilidade perante a lei o sujeito assume dentro de sua vontade maior a liberdade que ele gozará. Logo, a liberdade em Kant carece de uma lei que a garanta.

Por que eu não engulo essa.

Engajamento político no RPG.

Nunca vou me acostumar com essa sujeira e podridão que convencionou-se chamar no Brasil de política. Jamais compactuei com os santos lutadores de plantão que aparecem de 4 em 4 anos para emporcalhar nossas cidades com jingles horrorosos.

Da mesma forma não suporto as imbecilidades da nossa esquerda retrógrada, presa num socialismo assistencialista e utópico. Tão pouco não me agrada a bizarrice travestida da direita, com o seu discurso neoliberal escondido em promessas vazias.

A meu pequeno ponto de vista, os partidos políticos são amplamente desnecessários. Eles não apresentam ideais e sim esquemas criminosos disfarçados com agendas secretas, beijinhos em bêbes e apertos de mão em época de eleição.

Sendo assim, acho que fica bem claro porque eu acho que RPG e engajamento político não combinam na mesma frase, não é mesmo? Penso que as maquinações políticas deveriam ser deixadas para os ventrues e os toreadores de vampiro a máscara ou mesmo para as eternas disputas entre os senhores das sombras e andarilhos do asfalto.

O mundo de hoje já não pede um discurso politizado ou o engajamento simplesmente está fora de moda? Reuni alguns amigos e livros para exorcizar o envolvimento político-ideológico nas letras e portanto, nos jogos de RPG. Que fique claro: para mim, misturar política com literatura ou RPG só tende a diminuir os dois últimos. .

Durante muitos anos, principalmente no período de ditadura, os artistas que não tomavam partido em favor do movimento comunista eram considerados alienados. Quem não rezava pela cartilha da esquerda era um dos alvos da intelectualidade da época. De minha parte sempre me mantive afastado o quanto pude de política. Colegas no ensino médio me chamavam de alienado. E eu via o titulo com orgulho.

Na verdade, era um prazer ser e me manter alienado. Sou até hoje. Minha formação foi e é humanista. Tenho nojo de falar de Lula, PT, Serra e PSDB. Acho que minha mãe não me botou no mundo para eu perder tempo falando dessa gente.

Ao atribuir à literatura ou ao RPG um cunho político e social, você cria um álibi para ela. Mas isso não é necessário. A política cabe na literatura, mas a literatura não cabe na política. Jamais me esquecerei dos primeiros livros de Marilena Chauí que tive de ler para a formação de professor. Propaganda esquerdista pura. Eis uma pessoa que perdeu a chance de entrar para a história como um expoente do ensino de filosofia no Brasil. Como professor de filosofia e conhecendo alguns textos clássicos como “O Príncipe” de Maquiavel, só posso dizer: na minha mesa não.

Para mim a literatura é muito maior do que essa discussão entre ser alienado ou ser engajado. Você pode criar uma boa história a partir de um fato político ou a partir de um pedaço de pau dentro de uma compota.

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