Carta de renúncia

Tem dias que eu sinto a sua falta. É uma falta estranha, sabe? É como uma coceira que você não pode coçar, ou como sentir falta de algo que você não sabe o que você é. Diminui, mas não some. Está sempre lá. Ás vezes eu acordo á noite, suado e com o seu nome preso na minha garganta.

Não vou esquecer quando nos separamos. Como eu poderia? Foi mesmo uma coisa bem dolorida. Onde ficamos juntos da última vez? De tantos lugares que seriam bem mais adequados tinha de ser aquela pracinha perto de casa. É, aquela mesma. Eu lembro de sentir você ficar leve e vazia nas minhas mãos. Depois falamos. Um último beijo e eu fui embora sem olhar para trás. É, eu sei que fui eu que te deixei. Acho que isso me dá ainda menos direito de escrever estas palavras não é mesmo?

Acho que de todas as pessoas do mundo eu deveria ser a última de que você esperava alguma coisa. Mas fato é que hoje eu te vi na rua. Depois de tantos anos o seu corpo continua  o mesmo: linda, esguia e desejável. Não sei se você me viu. Passei por trás de você. Você estava conversando com aquelas duas meninas. Quantos anos elas tinham? Bom, melhor não saber, não é mesmo?

Eu pude ouvir sua voz rouca como um pequeno e discreto chiado no ar. Senti o seu perfume quando o vento mudou de direção. E o seu perfume reascendeu a chama do meu coração. Sei que não deveria estar escrevendo isso. Não tenho direito de te importunar depois de tantos anos. Afinal fui eu que te abandonei e por uma boa razão.

Hoje, por mais que sinta sua falta não quero voltar a ser o homem que um dia te conheceu. Não quero voltar a ser o homem que te amava. Não, nunca mais quero voltar a sentir teu beijo doce e inebriante. Afinal eu fiz a promessa de nunca mais de ter. E por mais que doa, eu vou cumprir.

Adeus, Maltzebeer.

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4 Comentários (+adicionar seu?)

  1. Arquimago
    set 18, 2010 @ 09:26:02

    Legal, mas o que significa?

  2. Torkuato
    set 18, 2010 @ 10:55:13

    Ela vai aparecer do nada. Tu vai ver.

  3. Haroldo
    set 18, 2010 @ 10:59:49

    Ele virou guru?

  4. valberto
    set 18, 2010 @ 23:00:01

    Não é para significar nada. É um conto.

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