Cyberpunk vinte o que?

Dando novos rumos ao cyberpunk

 

Faz algum tempo eu venho com esta idéia na cabeça de dar um rumo novo aos cenários cyberpunks. Por algum motivo a idéia dos cenários decadentes e cheios de cromo dos anos oitenta não quer sair da minha cabeça, mesmo sabendo que jamais chegaremos a nada minimamente parecido com aquilo. Na verdade, o cyberpunk, como foi pensado por Gibson e seus colegas, lá nos tempos áureos de CP 2020 e Shadowrun teve mais erros que acertos. Não surgiram as supercorporações, os governos não caíram e um monte de outras cosias não rolou.

Então cyberpunk passou, a meu ver, de futuro possível para futuro pretérito, uma vez que ele nunca foi futuro perfeito. Acredito que a sobrevivência do gênero pode se dar de duas formas: reinventando tudo à nova luz do mundo moderno – onde o foco é a telecomunicação e a informação; ou dando um visual retro ao cyberpunk já existe.

A idéia que eu estou bolando é focar tudo num cenário retrô. Uma mega-cidade chamada Dédalo. Construída em um futuro próximo, como parte de uma visão contemporânea verde, Dédalo foi um modelo de vida sustentável. Uma cidade 100% artificial, na forma de uma enorme ilha, tornou-se uma casa para os cientistas e pensadores concentrados em tornar a visão uma realidade, enquanto os seus patronos ricos construíram um paraíso de lazer.

Mas logo a ameaça de uma crise ambiental global tornou-se real: os pólos glaciais derreteram, o nível do mar subiu, e a própria sobrevivência da humanidade estava ameaçada. Milhares de pessoas do todo fugiram para Dédalo como uma última esperança. Refugiados agarrados à esperança de sobrevivência chegavam dia após dia, enquanto os fundadores e seus descendentes lutaram para manter a ilha.

Agora, Dédalo perdeu o contato com o que restava do continente e existe em isolamento total. Como a diminuição dos recursos – renováveis ou não – o equilíbrio de poder está comprometido e ameaça descambar para um terrível conflito.

Sem governo capaz de tomar conta do lugar as pessoas sobrevivem em zonas. Estas zonas por sua vez são governadas por milícias, grupos pequenos e fortemente armados, que funcionam como um clã ou guilda. É como se cada zona da cidade fosse um feudo e que em via de regra todos os feudos estão meio que em luta uns com os outros. Homo hominis lupus. Imagine como se fossem favelas sobre o controle do tráfico. As pessoas que moram lá, a grande maioria, só querem sobreviver. Quem invade e entra em guerra são os milicianos.

Sei que o cenário assim não parece grande coisa ou mesmo que ele parece limitado. Mas o que você me diz dele?

 

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9 Comentários (+adicionar seu?)

  1. anao_batedor
    out 16, 2010 @ 21:13:58

    Falando em cenarios Cybepunk o Brasil estar precisando de algo forte do genero. Enquanto não tem temos que adaptar em outros sistemas como M&M.

    Eu recentemente encomendei na Jambo , e estar pra vir é um romance chamado “Tempo Fechado” quefala de um grupo de caçadores de tornado.

    Pareçe que o clima cyberpunk agora não estar tão focado em drogas sinteticas, implantes etc e sim no clima do meio ambiente onde estar cada vez pior.

    Recomendo vc procurar na net sobre o jogo “Fallout” não é exatamente cyberpunk mas é um mundo caotico onde depois que cai as bombas nucleares , as pessoas ficam em cofres dentro da terra para sua proteção e prosperidade pós apocaliptico.

  2. Rafael G.C.
    out 16, 2010 @ 22:40:21

    Me lembrou a ambientação do jogo Brink. Tente pesquisar a respeito.

    http://www.brinkthegame.com

  3. o Clerigo
    out 16, 2010 @ 22:57:01

    Eu achei a proposta interessante, pois os antigos cenários cyberpunk não pressupunham que alguém iria tentar fazer algo para salvar o meio-ambiente. Eu acho que a proposta pode dar muito certo, siga em frente.

  4. valberto
    out 16, 2010 @ 23:01:12

    Porra, o jogo é super fantástico. pena que meu x-box esta no prego.

  5. Arquimago
    out 17, 2010 @ 09:38:03

    Eu achei bem interessante! Mas só fico me perguntando como só a ilha ficou, afinal se as geleiras derretessem os continentes não iriam desaparecer.

  6. valberto
    out 17, 2010 @ 11:38:32

    Desaparecer não, com certeza. Mas eles lá devem ter seus próprios problemas para lidar.

  7. Elutark
    out 17, 2010 @ 21:59:34

    Não pude ficar sem comentar. Achei a temática ótima, principalmente por ter uma pegada mais brasileira com a cidade dividida como favelas. Os cenários comuns são muito americanizados e precisamos de por nosso tempero para nos identificarmos mais. Você deveria levar a idéia adiante.

  8. Alexandre Fnord
    out 18, 2010 @ 14:21:35

    Fala Betão… Só hoje tive tempo de dar um tapa nos e-mails e vejo lá, perdido entre as centenas de mensagens eletrônicas essa sobre o seu cenário [sim, assino seu news].

    Cara, concordo com o que disseram já. Leve adiante que eu compro a idéia. Cenários ‘enlatados americanos’ têm aos montes por ai, mas o seu ficou bem com ar de Rio de Janeiro 2020 [no bom sentido, é claro].
    Gosto de cenários que não sejam medievais nem space-opera, e o seu seria perfeito para uma campanha fantástica. Sabe aqueles textos que a gente vai lendo e as idéias pipocando na mente? Foi assim que aconteceu.

    Como disse o Arquimago [e foi a primeira coisa que eu pensei também], tem que dar uma explicação lógica para que a ilha não tenha sido engolida pelas águas. Telefonia via satélite pode ser um pentelho a ser morto na sua idéia, visto que ele tem alcance global, né?!

    No mais, por favor, toque o projeto que eu acompanharei…

    Se possível, não coloque regras para nenhum cenário inicialmente. Acho que as idéias são mais importantes que dados e números.

    Até e boa sorte!

  9. rsemente
    out 28, 2010 @ 18:18:37

    Bem interessante, a base do cenário é sólida e com elementos bem inovadores.

    Acho que o problema do cyberpunk está no punk. O punk não morreu, mas virou uma subcultura que não cresce muito (como durante seu surgimento). Hoje a sociedade vive outras coisas, como mídias sociais, genética, tecnologia da informação, ambientes virtuais, problemas energéticos, tecnologia aeroespacial…

    Cenários de futuros próximos os dois mais interessantes são o Eclipse Phase e o Transhuman space, mas como colocam o tema de exploração espacial com força ele não entra nesse gênero.

    Então acho totalmente válida sua proposta, retornando o punk, mas baseado nos problemas atuais, e não os dos anos 80.

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