O sistema de comércio e tecnologia

Especialmente no lado dos rebeldes

 

Como era de se esperar não existe comércio tradicional uma vez que dinheiro não tem importância aqui. Os itens ganham ou perdem importância de acordo com a necessidade que existe deles naquele momento. Tudo é feito na base do escambo.

Entretanto tem aqueles itens que são sempre valiosos. Água purificada é uma delas, assim como matéria prima (metais, peças), comida, peças de roupa, isqueiros, remédios, tecnologia funcional, ferramentas e livros… num mundo como Dédalo tudo está em falta. Peças de reposição e itens relacionados ao lazer são incrivelmente valiosas, uma vez que as indústrias que existem na ilha não fazem inovações tecnológicas. Mesmo nas zonas mais abastadas a falta de peças e o “canibalismo” de peças é grande. A prata é considerada um mineral raríssimo, justamente porque sua necessidade para fazer funcionar os implantes cibernéticos.

Não existe uma regra definida para essas trocas. Um cara precisa do seu GPS recarregado com energia e outro precisa de 20 litros de água potável; um precisa de reparos no seu rifle e outro precisa de 30kg de ferro não enferrujado; alguém precisa de um remédio feito com ervas medicinais e outro cara precisa de um PDA capaz de ler arquivos em PDF. É assim que funciona. Quem produz pão de algas troca com quem produz leite de soja e assim por diante. Ou você produz ou você rouba, é o que diz a lei das ruas.

No ramo tecnológico houve regressão nos costumes e o quase desaparecimento da cultura como era conhecida. Livros de história são apenas fragmentos de um mundo perdido nas brumas do tempo e da fantasia. A tecnologia humana praticamente parou de progredir. Sem investimentos, sem pesquisa, sem uma padronização ela não teria como evoluir para além do super aproveitamento e da gambiarra. A maioria das zonas conta com um “sábio” (um techie) que é capaz de consertar qualquer cosia. Oficinas assim são pontos de encontro importante para quem deseja alguma coisa. Artefatos como painéis solares e ampliações cibernéticas são coisas relativamente comuns na maioria dos lugares, mas nem por isso são baratas.

A grande maioria da população conta com luz elétrica em suas casas (na maioria das vezes provenientes de geradores particulares, já que quase não existem grandes redes de fornecimento elétrico). Água encanada é um item raro e apenas os mais ricos possuem.

Na cidade alta boa parte da alimentação vem do mar. Fazendas de algas e pescado produzem matéria prima que é trabalhada nas fábricas do setor industrial. De lá sai água potável para a cidade alta – um local fortemente protegido onde os fundadores e seus descendentes vivem – e para alguns lugares do resto da ilha.

Na cidade baixa, as terras das zonas, a comida também vem, em sua maioria, do mar. Mergulhadores também possuem fazendas de algas e também existe a pesca, mas ela é bem mais artesanal e precária. Ser pescador é uma profissão perigosa e de alto risco. Outra fonte de alimentos é a horta de transgênicos no Parque “Green Peace”. Lá é cultivado soja, feijão e milho. A área é tida como uma zona azul e todos querem que ela continue assim. Não podem correr o risco de um incêndio eliminar toda a comida da ilha. Ratos que vivem nos esgotos, assim como alguns animais domésticos como cães e gatos também são preparados em ocasiões especiais como iguarias.

Certas áreas de conhecimento, especialmente, sofreram um regresso significativo: os transportes, por exemplo, estão reduzidos quase que completamente aos veículos que já existiam na ilha quando ela foi invadida. Mas mesmo estes estão em péssimas condições, rodando com as mesmas peças a quase 30 anos. E mesmo que não estivessem, muitos deles simplesmente não têm para onde ir. Os barcos que trouxeram os milhares de refugiados para a ilha hoje formas duas grandes zonas habitacionais: a vila flutuante e Port Royal.

A vila flutuante é exatamente isso: um amontoado de barcos de pequeno porte, cruzetas, iates e outras embarcações menores que aportaram ali e foram sendo “ocupados”. Já Port Royal é onde ficam os grandes navios intercontinentais, como alguns petroleiros e navios de carga, hoje abandonados e servindo de moradia e sede para os Krugen.

Os poucos veículos capazes de voar são naves elétricas de curto alcance das forças de segurança. Silenciosos, estas máquinas garantem a supremacia dos Homens da Segurança com eficientes (às vezes nem tanto) ataques aéreos.

A qualidade da medicina é bastante inconstante: dependendo de onde se está, pode ir desde salas esterilizadas e equipamentos médicos incrivelmente avançados, até amputações e sangrias realizadas numa sala escura, suja e fedorenta. Emplastros, superstições, benzedeiras e chás também estão na lista dos itens hoje associados á medicina.

Embora parte da tecnologia seja avançada, ela se ressente da falta de industrialização: tudo é fabricado/adaptado/consertado manualmente, o que significa que não é possível encontrar peças de reposição com facilidade. As trocas de idéias entre os técnicos e a padronização são quase inexistentes, e, na maioria das vezes, um equipamento só poderá ser consertado por seu próprio criador ou seus ajudantes. Existem inclusive aventureiros dedicados a viajar pelas ruas em busca de recuperar não apenas tecnologia, mas armas, equipamento e peças de arte.

A relação existente entre os sobreviventes e os fundadores também não é dos melhores,. Com a tensão crescente entre os grupos elas só tendem a piorar. Mas de tempos em tempos os fundadores lançam sobre as zonas brancas e azuis pacotes de pára-quedas com remédios, roupas e outros itens. Mas é só. De resto, as relações são entre os homens da segurança e a população.

 

Anúncios

3 Comentários (+adicionar seu?)

  1. Arquimago
    out 21, 2010 @ 17:52:15

    Bem interessante, é praticamente um monte de NC (niveis culturais) divindo o mesmo espaço!
    Literalmente a poucos metros!

  2. Alexandre Fnord
    out 26, 2010 @ 19:13:32

    Bacana a descrição dos bairros costeiros e tudo mais. Agora uma dúvida a ser tirada num futuro próximo. Hoje em dia se fala muito de conseguir extrair ouro de cada mil litros de água do fundo do mar. Essa opção poderia ser levada em consideração aqui? Se sim, teríamos uma grande cosporação trabalhando escondida, acumulando ouro, que deve ser melhor que a prata, quando se fala em troca.

    No mais, tô adorando.

  3. valberto
    out 26, 2010 @ 19:45:35

    Ouro não teria valor. Esse é o problema. Uma corporação escondida no fundo do mar retirando ouro quando todo o resto do mundo sofre com a falta de peças? Seria mais lucrativo tentar conseguir petroleo e gás natural para as forjas…

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: