FC no RPG?

RPG de ficção científica

 

 

“Para o alto e avante”, “que a força esteja com você”, “onde nenhum homem jamais esteve”, “eu voltarei”. O que todas estas frases têm em comum? Todas são frases icônicas do cinema mundial, conhecidos e pulverizados para além de suas obras de origem para a grande massa de cultura pop que existe no mundo.

Entretanto, elas têm outra característica em comum: são todas obras de ficção científica. Visitantes de outro mundo vivendo entre nós (Super Homem), uma guerra sem limites pela liberdade num universo dominado pelo medo (Guerra nas Estrelas), a exploração do universo em busca de novas civilizações (Jornada nas Estrelas) e até mesmo a aniquilação da raça humana por suas criações (O Exterminador do Futuro) são temas recorrentes do cinema e, via de regra, são grandes blockbusters do cinema.

Ficção científica então faz parte da cultura pop e está presente em nossas vidas. Grandes avanços da ciência que existem hoje nasceram primeiro na ficção científica. Desde o mais simples celular, passando pela internet, os GPS’s e até mesmo nos carros que estacionam sozinhos. O único lugar que a ficção científica não parece fazer parte é nos RPGs de ficção científica.

Nunca soube de um RPG de FC que realmente fez sucesso. Tenho visto dezenas deles ao longo do tempo, como Cyberpunk 2020, Shadowrun, Aeon Trinity, Invasão, mas nenhum deles de renome. Mesmo quando existe um filme pesado por trás do jogo ele parece não se beneficiar tanto assim desta “fama”. É o caso de Guerra nas estrelas, que em vinte anos teve 4 encarnações de RPG e nenhuma que fez sucesso. Quando eu falo sucesso eu tenho como medida outras linhas de RPG, como a fantasia medieval ou o jogo de super heróis.

E qual não é a surpresa do espectador menos preparado quando ele se depara com a qualidade incrível dos jogos? Fica até estranho, diante de tanto material bom que o gênero não consiga se sustentar com um livro icônico (como é o caso da fantasia medieval e o Dungeons and Dragons). Bom o objetivo deste artigo não é tentar enumerar e descobrir as razões para que este fenômeno ocorra, mas deixar o tema no ar, para que as pessoas possam pensar a respeito.

Outro motivo deste artigo é usar o moto “grande qualidade/ pouco sucesso” para falar de um RPG de FC que me cativou ainda nas primeiras páginas. Star Without Number, escrito por Kevin Crawford, publicado em 2010, pela Sine Nomine Publishing. SWN é um RPG de FC compatível com a onda retro-jogo, no mesmo estilo do nacional Old Dragon. É um RPG oldschool de ficção científica, por mais oxiomórica e paradoxal que a expressão possa soar.

A premissa é muito bacana. Uma resenha sobre isso pode ser encontrada no site do Raccon e no site do Talude. Na verdade eu só fiquei sabendo desta pérola do RPG de FC por conta destas resenhas.

E o que o jogo tem de especial?

Quando eu penso em jogos de RPG, eu penso em várias coisas, mas uma delas é a simplicidade. Um bom jogo de RPG tem de ter simplicidade nas regras. Claro que só simplicidade não é bastante, mas sem simplicidade é um jogo que eu não quero nem chegar perto. Ou até posso chegar perto, mas prefiro modificar tudo. É o caso de shadowrun: ótimo setting, mas um sistema de fazer doer o dente.

Este, entretanto, não é um problema com Stars Without Number. Disponível apenas em inglês e pelo exorbitante valor de “0800-FREE”, este PDF de 210 páginas é o D&D no espaço – muito mais do que spelljammer jamais será – pelo menos com as regras que D&D deveria ter. São três classes básicas (Expert, Psi e Warrior), pacotes de perícias, d20 para combate, 2d6 para testes de perícias…

Eu mal arranhei a profundidade deste livro – já estou lendo pela terceira vez e sempre encontro alguma coisa nova e interessante – e ele já está n aminha lista dos melhores livros de RPG de todos os tempos.

Diretamente da página do raccon:

O ano é 3200 e o império humano encontra-se em ruinas. Os portões de salto interestelar caíram 600 anos atrás, rompendo os laços entre os inumeráveis mundos da diáspora humana. Agora, o longo isolamento do Silêncio cai, com homens e mulheres voltando para o céu acima de seus mundos dispersos. Você estará entre eles?

Eu nunca vi um RPG tão bom e tão completo de FC encerrado em poucas páginas. É muita qualidade reunida em tão pouco espaço. O livro todo é uma verdadeira caixa de ferramentas que você pode usar para criar sua ambientação. Tabelas para a criação de mundos, religião, culturas, um bestiário de respeito, sistema simples e reto e uma adptabilidade monstruosa fazem deste jogo o melhor RPG de FC que eu já pus os olhos em cima. Numa só tacada ele coloca no chinelo tudo o que eu já vi em ficção científica antes e depois da era d20.

O texto fica realmente divertido a partir da página 81 com uma seção de como criar o seu próprio setor estelar. É absolutamente divertido jogar os dados e ver o que vai sair. Na página 98 já aparecem as primeiras idéias de locais pré-fabricados. Cada um deles sozinho já é capaz de gerar uma aventura completa, com Inimigos, Aliados, Complicadores, Coisas e Lugares. O sistema de facções e guildas também é bastante interessante.

O livro vem completo com guia de construção de naves, bestiário extraterrestre, poderes psiônicos, tabelas de armas, entre outras coisas.

Mesmo que você não goste de FC, este é um RPG que vale a pena ser baixado pela sua qualidade extrema. Um verdadeiro exemplo para todos que querem fazer um RPG, seja ele Old School ou não.

 

 

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3 Comentários (+adicionar seu?)

  1. Artur
    jan 04, 2011 @ 00:20:25

    Cara, um RPG de FC que funcione é complicado… tentei usar algumas vezes o M&M, mas realmente não deu tão certo… vou correr para ver esse ai. Ah, e se tu fores jogar alguma aventura on…. me chama!!

  2. Arquimago
    jan 04, 2011 @ 09:36:19

    Gostei da nova cara.

    Me deixou curioso, sobre o jogo.

    Quanto ao tema em si, achei era um problema do Brasil, mas então é algo meio mundial?
    Seria este o problema porque já vivemos uma era de muita “tecnologia” ou a “fantasia” medieval nos foi ensinada a ser legal, e a sci-fi não?

  3. valberto
    jan 04, 2011 @ 11:41:20

    Com toda franqueza eu não sabia que existia esse problema fora do Brasil, onde a tradição de FC é maior, mas depois de alguma pesquisa o que pude constatar que o problema existe.

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