Jogar ou não jogar?

O segredo esta nas opções.

 

 

RPG é um jogo de escolhas. Portanto é um jogo de opções. Você joga escolhendo o que vai fazer. Você ou o seu personagem, neste caso faz pouca diferença. O fato é que as opções permeiam o jogo do momento em que você escolhe que tipo de jogo quer jogar, que tipo de personagem quer fazer, onde colocar os pontos para esta ou aquela perícia. Jogar RPG é experimentar um nível de liberdade que não temos como exercitar em outras situações. Pense bem: você pode determinar onde e quando o seu personagem nasceu, mas na sua vida real você não pode escolher nada disso. Na vida real você não foi capaz nem mesmo de escolher seu próprio nome.

Justamente por ser um jogo de escolhas é que temos opções para escolher. Mesmo quando escolhemos não escolher nenhuma das opções ali marcadas já estamos fazendo uma escolha. Sendo assim, além de ser um jogo de exercitar a liberdade, o RPG é um jogo que se administra perdas.

Sim, perdas. Você administra o que vai perder. Você quer ser um mago, então deve abrir mão de ser um guerreiro; os caminhos sagrados do paladino não admitem espaço para a moral “tons de cinza” do ladrão; a benevolência natural do Druida não consente as pesadas armaduras do clérigo. Quando você escolhe uma classe, um kit, um arquétipo, esta dizendo que não quer nenhum de todos os outros. Mesmo quando você escolhe uma classe dupla (esta opção era bastante comum no AD&D 2ª edição) está fadado a não ser nem uma coisa nem outra coisa. Um mago/ladino jamais será melhor ladino que um ladino puro e jamais será melhor mago que um mago puro. Você aprende cedo que escolher também significa perder. Toda escolha gera uma perda. Mesmo quando você escolhe um sistema que não tem classes – como o Storyteller, por exemplo – as escolhas que você fizer vão ajudar a deixar o seu personagem único. Você escolhe o que priorizar: físico, social ou mental, não é mesmo?

Sabendo que sempre vamos perder alguma coisa no processo da escolha é que aprendemos a escolher aquilo que é menos danoso para nós mesmos. Ora, mesmo a noção do que é danoso é amplamente subjetivo. Afinal o que dói mais quando perdido? A vida de um personagem de outro jogador ou aquela linda espada bastarda flamejante +5. Para alguns, a espada valeria à pena deixar o personagem morrer e para outros a espada poderia ser recuperada em outra ocasião.

Por saber que cada escolha gera uma perda, aprendemos a escolher as perdas que nos doem menos. Desta forma aprendemos a ter responsabilidade por nossos atos. É a nossa escolha – um ato – que determina o curso de ação que tomamos. É um ato que nos fará perder. É um ato cujas conseqüências não conseguimos escapar. “Sois responsável por aqueles que cativa”, já dizia um certo piloto francês.

Vai ver essa é a grande sacada do RPG. É permitir a resposta imediata das nossas escolhas. É ver o resultado direto – ou nem tão direto assim – da nossa ponderação sobre as perdas. É poder experimentar e, de certa forma dizer. Ok, cansei do guerreiro… espera aí que vou rolar um mago. Jogue, escolha e seja feliz.

 

Anúncios

2 Comentários (+adicionar seu?)

  1. Arquimago
    jan 25, 2011 @ 21:55:02

    Bem dito, mas parece que tem bem mais na leitura transversal desse texto… mas não consegui captar o que motivou sua escrita…

    Um adendo para quem pensa em associar RPG e educação, está ai o melhor motivo, mostrar as consequências as gerações mais novas, que muitas vezes não percebem a questão de “causa-e-efeito”.

  2. valberto
    jan 25, 2011 @ 23:10:41

    A idéia é que partindo do óbvio cada um descubra alguma coisa nova.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: