Dando nome aos bois (ou seria “dragões”?)

Nomenclatura e RPG

 

Tenho estado afastado das listas de discussão, dos fóruns e até do meu querido Lote por motivos particulares. Mas hoje uma pequena discussão chamou a minha atenção. Versava justamente sobre a pormenorização dos termos envolvidos com o jogo de RPG.

Se não me falha a memória alguém reclamou que hoje o termo RPG foi desvirtuado, sendo separado em dezenas de vertentes que só servem para confundir ou ainda separar ainda mais os nichos do jogo.

E o que eu acho disso? Acho que não houve qualquer disvirtualização. Pelo menos não no que concerne ao termo virtude. Afinal, a temperança da virtude esta justamente no seu equilíbrio. RPG é um jogo de escolhas e portanto um jogo voluntário advindo do hábito. Sendo assim, a medida que ele vai se refazendo e se repetindo ele vai se tornando melhor e cada uma de suas partes vai ganhando mais mobilidade. Mais ou menos como quando as ciências começaram a se desprender da filosofia.

Alias, dar nomes é uma característica humana. Quando não sabemos o que estamos enfrentando não temos como tomar as medidas corretas. Saber o nome correto do que estamos combatendo pode ser a diferença entre a vida e a morte. Pergunte ao Dr. House. É muito mais fácil chamar de “RPG Indie” do que de “RPG realizado sem o apoio de grandes empresas do ramo”, assim como é mais fácil falar em “crunch” do que em “aspectos referentes à mecânica de jogo”, e assim por diante.

As palavras nascem pela necessidade, e se consagram pelo uso. Uma das funções dos nomes é, portanto, ajudar a categorizar e organizar o conhecimento humano. Damos nome, não apenas para estereotipar, mas para dar sentido. Se outras mídias, como o cinema, fazem isso, por que o RPG não faz? Nem todo filme é de ação. Nem todo RPG é mainstream.

Entrando ainda mais neste ponto, como qualquer elemento formativo humano, o RPG é uma construção diversa. Existem tantos tipos e estilos diferentes de jogos como existem pessoas interessadas em adquiri-las e jogá-las. Saber o rótulo daquele RPG o auxilia na escolha certa. Afinal, se não tem plaqueta na sorveteria self service, você corre o risco de levar para casa o sorvete de coco no lugar do de creme.

Então, termos como “railroad”, “sandbox”, “fluffy”, “crunch”, “mainstream, “indie”, “storyteller” nada mais são do que pequenos rótulos que nos ajudam a escolher melhor o jogo que nos serve. Saber seu significado é apenas mais uma informação relativa aos jogos.