Advanced Dungeons and Dragons

Muitos anos se passaram desde que eu rolei os atributos do meu primeiro ladino em D&D da Grow. Daquele tempo para cá eu vi o RPG figurar em muitas mídias. Desde coadjuvante em histórias do Robin (você sabia que Tim Drake joga RPG?), do seriado teen  malhação, passando pelas páginas policiais, pelos inúmeros cadernos de cultura e fazendo suas pontinhas mais recentes em web-series como “The Guild”, entre outras. Mas nunca tinha visto nada como foi feito no seriado Community. Mais especialmente no episódio 2×14: Advanced Dungeons & Dragons.

Aclamado pelos fãs do seriado como um dos cinco melhores episódios (concorrendo com episódios como Modern Warfare e o Abed’s Uncontrollable Christmas). Se você é jogador de RPG, sabe que este é o tipo de episódio de não-importa-qual-série que você sabe que será D-I-V-E-R-T-I-D-O. E como uma boa partida de RPG à moda antiga não tinha como tudo ter sido mais épico. Desde a narração da faxineira, até os closes em cada pessoa, passando pela introdução dos personagens . Tudo emulou os grandes momentos dos jogos de maneira fascinante. E até a utilização de clichês destas histórias foi feita da melhor maneira possível.

E o que dizer de ver todos aqueles livros de AD&D ali? Uma coisa é ler o PDF no seu tablet, mas outra coisa é pegar no papel e folhear com calma, sem depender da bateria. Ali eu invejo, e muito os atores daquela série.

O mais interessante foi ver como deixamos passar algumas coisas em nossas mesas de jogo. Um dos destaques sem dúvida foi o Abed, fazendo sua parte como o mestre do jogo, como também fazendo alguns personagens. Ficou realmente marcado na minha memória a cena em que ele interpreta um gnomo-garçon que só falava em gnomo. Imagino que se eu fizesse isso em minha mesa meus jogadores iam se assustar muito mais do que qualquer outra coisa.

Acho que é isso que eu busco quando estou jogando RPG. Alguma interpretação. Não precisa exagerar, como na cena dos pégassus, mas também não precisa agir mecanicamente. Acho que é disso que sinto falta nas mesas que eu freqüento, por que foi deste jeito que eu aprendi a jogar: empostando um pouquinho a voz e criando algum maneirsmo para sabermos que estamos diante de outra coisa que não o nosso narrador.

O episódio deixou um gostinho de “quero mais” o final é bacana. Mostra que RPG pode ser retratado na mídia sem ser uma coisa de satanista ou sem ser rotulado como coisa de retardado. Mostra que depois de tantos anos de mesa, ainda tem muita coisa para aprender. Falando nisso, cadê meu manual de AD&D mesmo?