Em busca do equilíbrio

Entre o sandbox e o railroad

 

Se você acompanhou algumas das últimas postagens do blog, viu que eu comecei a dissecar alguns dos estilos mais comuns de RPG e aventuras de RPG existentes. Tratei dos prós e contras dos estilos sandbox e railroad. Acho que agora chegou a hora do arremate.

A verdade é que ninguém, ou quase ninguém consegue fazer aventuras ou estilos de jogos que são puramente uma coisa ou outra. Claro, existe a possibilidade ínfima de, em algum dia da sua vida, você tenha pego um ou outro mestre ou aventura mais ligado a um ou outro tema, mas isso é exceção á regra.

O bom equilíbrio de jogo versa justamente quando se equilibra as duas tendências dentro do conjunto que eu chamo planejamento amplo, boa bíblia do cenário, e livre-arbítrio.

O planejamento amplo indica que o mestre começa com um “rascunho” de história. Não precisa nem mesmo ser um rascunho. Pode ser uma rápida descrição do cenário, seguido de uma série de ganchos de aventura que os personagens podem escolher seguir ou não. Este primeiro momento serve para que os jogadores vislumbrem o estilo de jogo não apenas do mestre, mas deles mesmos e que também dêem uma “espiada” no que a história e as aventuras têm a oferecer. O termo amplo indica justamente que se cubram várias possibilidades de jogo e de aventuras. A idéia aqui é que tem sempre alguma coisa acontecendo em algum lugar.

A boa bíblia do cenário é justamente isso. Quando as pessoas estão escrevendo um show de TV, eles costumam escrever a “bíblia” do show. É o termo utilizado para referir-se a um livro que traz todas as informações sobre o show. É aquilo que vai e o que não vai acontecer no show, as diretrizes, o que pode e o que não vai acontecer de forma alguma. Um dos exemplos de bíblia é a do “mestres do Universo” que deixa claro que apesar de formarem um par romântico óbvio o relacionamento de Tee-la e He-man deveria ser puramente platônico.

O livre-arbítrio vem como um dos elementos mais importantes. Os jogadores têm que ter liberdade para experimentar o cenário e as situações dos jogos como acharem melhor. Mas este livre-arbítrio não significa ligar o “foda-se” e sair por aí avacalhando tudo. É saber que as escolhas que são feitas vão ter efeitos em consequencias, não apenas na vida dos personagens como na vida de todo o resto do mundo.

David Franzoni tem uma frase que quase não é creditada a ele mesmo, que reza o seguinte: “o que fazemos na vida, ecoa na eternidade”. É a mais pura verdade. O que os personagens fazem ecoa por todo o cenário. Pense nisso e bons jogos.

 

 

2 Comentários (+adicionar seu?)

  1. Arquimago
    mar 09, 2011 @ 16:59:29

    Grande fechamento

  2. ellayne
    mar 10, 2011 @ 12:06:49

    novamente um post muito bom. Tenho uma tendência a buscar histórias muito detalhadas e por isso sempre tive algum receio dos jogadores simplismente virarem na direção oposta (a direção que não tenho nada planejado) e eu ter que improvisar na hora. Mas com o passar do tempo fui aprendendo que muitas vezes deixar o jogador livre é uma grande chance de boas risadas.

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