Entrevista João Paulo Francisconi

Aproveitando a série de Postagens sobre Bestiário, vamos entrevistar um cara que fez um Bestiário inteiro: João Paulo Francisconi.

 

1 – Olá João e obrigado por ter aceito esta pequena entrevista. Além de lutador de Muay Thay, universitário, garçom e agora escritor de RPG, o que você pode nos contar a seu respeito?

R: Bom, “lutador” é um pouco demais, né? Eu sou um cara normal, e provavelmente um caipira do ponto de vista da maioria das pessoas. Moro em uma cidadezinha chamada Morro da Fumaça, em Santa Catarina, que tem cerca de 15 mil habitantes. Menos da metade disso mora na zona urbana, que poderia ser cruzada em alguns minutos de carro ou uma hora a pé. Por aqui eu administro um negócio familiar junto com meu pai, pago as contas de casa e cuido da minha família tão bem quanto eles cuidam de mim.

2 – Bacana.  E como surgiu a idéia e a oportunidade de escrever o livro?

Bom, eu recebi um convite do Guilherme, editor-chefe da Jambô Editora. O Bestiário já estava nos planos da editora e o Guilherme quer manter um ritmo de lançamentos bastante agressivo para Tormenta e para a editora como um todo, então é natural que ele contratasse novos autores para manter o ritmo.

Acho que a ocasião que fez ele me chamar foi um artigo em que adaptei quase cinqüenta criaturas da aventura clássica O Disco dos Três para Tormenta RPG. Como fiz isso em apenas alguns dias, acredito que foi aí que o Guilherme teve a certeza que eu dava conta do recado com as centenas de fichas do Bestiário de Arton.

3 – Como foi a parceria com o Gustavo Brauner? Alguma história digna de ser contada?

O Gustavo é um amigo de longa data, então é óbvio que foi muito tranqüilo trabalhar com ele no projeto.

4 – O que podemos esperar do Bestiário de Arton?

Vocês podem esperar qualidade e diversidade. O Bestiário de Arton traz criaturas de praticamente todos os níveis de desafio, tem novas opções raciais para jogadores e um apêndice com a história dos diabos e demônios de Arton atualizada, com fichas de seus comandantes e uma classe de prestígio para seus cultistas.

Além disso, eu diria que é um livro essencial. Não é a toa que ele vai ser o primeiro da linha com versões em brochura e capa dura. Veja bem, não estou dizendo que é um livro básico, por que não é. Com o capítulo 11 do Tormenta RPG e o Manual de Criação de Monstros disponível no site, o Bestiário de Arton é um livro opcional como qualquer outro. Mas não há como negar que ele é uma enorme ajuda a qualquer mestre de jogo.

5 – Percebi que vocês usaram no livro o mesmo modelo de diagramação presente no Livro dos Monstros 3.5, da devir livraria. É um modelo muito parecido com o usado no Pathfinder Bestiary Vol 1. Por que da escolha dessa diagramação? Não seria hora de diferenciar o produto sob o selo Tormenta do SRD do 20?

Eu realmente não sei responder essa pergunta, já que não sou o diagramador do livro, nem entendo nada do assunto. Tormenta RPG possui um projeto gráfico bastante atraente de autoria do Dan Ramos, ex-Paragons, e particularmente gosto de como as informações são dispostas, acho elas mais fáceis de usar na mesa do que o próprio Livro dos Monstros da 3.5.

6 – O livro tem um número limitado de páginas e, portanto, um número limitado de criaturas. Quais das criaturas que você quis colocar ali e ficaram de fora?

Sim, eles existem, e olha que a gente estourou o limite de páginas duas vezes! Quando o projeto começou, a primeira idéia do Guilherme era de um livro de 80 páginas. Na primeira reunião com o Gustavo, quando escolhíamos as criaturas que iam entrar no livro, já ficou claro que o espaço não ia dar e aumentamos o Bestiário para 112 páginas.

Então começamos o trabalho e, caramba, antes que notássemos havíamos estourado novamente o limite conforme íamos tendo novas idéias. Não me preocupava muito com isso porque sempre soube que, se uma idéia não fosse aproveitada no primeiro volume, entraria para o próximo. Foi o caso de várias criaturas que já estão prontas, mas que ficaram de fora do Bestiário de Arton, como a quimera e as feras-coral, para ficar apenas em dois exemplos.

7 – Eu li em algum lugar que o livro trás criaturas específicas de Arton. Pode nos dar exemplo de algumas delas?

Acho que o caso mais emblemático são os diabos e demônios, que ganharam bastante espaço no livro. Em vez de simplesmente adaptarmos a estrutura vista no Livro dos Monstros 3.5, reinventamos a hierarquia deles com novas espécies, os deixamos definitivamente artonianos. Claro, você ainda encontra alguns velhos conhecidos, como súcubos, mariliths e o balor, mas estes são apenas os que são realmente populares entre os jogadores.

Além deles consigo lembrar, de cabeça, dos elementais da luz e trevas, novos tipos de gênio (em Arton, existe um para cada um dos seis elementos), os Eiradaan, Homem-Vegetal, Tigre-de-Hyninn e mais uma penca de outros monstros clássicos. Quem acompanhou meu twitter durante a época da produção do livro deve ter uma idéia bem acurada do que vai encontrar no livro.

8 – Depois do livro pronto, como você está se sentindo?

Ocupado. Sério, este livro abriu várias oportunidades para mim, além de alguns trabalhos em Tormenta que se mantêm nos bastidores por enquanto, estou trabalhando como editor do livro de um amigo do peito, o Adão Pinheiro, chamado Re.ação! que a galera que acompanha o .20 já conhece. É uma correria bem cansativa, para falar a verdade, que tem me esgotado um bocado.

Também me fez ter ainda mais admiração e respeito pelos profissionais da área. Ter um texto pronto é apenas o início de todo um processo de trabalho que pode durar semanas ou meses e você obtêm uma nova perspectiva da coisa toda quando você é o responsável por fazer isto funcionar.

9 – O uso da internet com a mídia escrita está cada vez mais comum. Vocês pretendem lançar algum aprimoramento virtual para ele?

Isso já foi feito e continuará sendo feito. O Manual de Criação de Monstros foi atualizado com vários talentos que originalmente entrariam no livro, mas achamos que ficaria melhor centralizar o material onde todos os mestres de Tormenta RPG possam consultar, quer eles tenham comprado o Bestiário ou não. Também tenho algumas outras idéias que pretendo colocar em prática quando do lançamento do livro, você verá.

10 – Mais  uma vez, vi em algum lugar que o título do livro mudou retirando o subtítulo “Volume I”. Isso indica que não teremos um Volume 2?

Não, indica que o nome ficou melhor como Bestiário de Arton. Sem o “volume 1”. Outros livros de monstros estão previstos, talvez até para este ano, dependendo de como as coisas acontecerem.

11 – Tormenta, a tempestade mágica que dá nome ao cenário veio representada de que forma no livro? Existe alguma seção apenas para criaturas da Tormenta ou tocados por ela?

Os lefeu aparecem no livro, mas não são o foco, até porque o Área de Tormenta ainda está aí e não há razão para aposentá-lo tão cedo.

12 – Mais uma vez, muito obrigado por responder a estas perguntas. Existe alguma coisa que você gostaria de acrescentar?

Eu espero que todos se divirtam muito com o Bestiário de Arton a apreciem o nosso trabalho nele, e que esperem por muitas novidades: Tormenta RPG entrou na quinta marcha e não vai diminuir a velocidade tão cedo.

 

 

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