RPG é um jogo caro.

RPG é um jogo caro?

Recentemente vi o meu amigo João Paulo Finório comentando acerca de uma alegação de que jogos de RPG no Brasil não são caros. A argumentação dele é que no Brasil, os manuais de jogo são muito econômicos porque contam com um bom número de páginas, ilustrações, capa dura, mesmo que tenham uma tiragem baixa. Ele compara inclusive o material com os livros de direito que tem tiragens muito maiores e nenhuma ilustração, custando muito mais.

Acredito que o JP é um dos maiores entusiastas do jogo no Brasil. Um cara que ama de paixão o seu hobby. Ele escreve de forma apaixonada, defendendo seu ponto de vista com unhas e dentes. Mas nem sempre consegue dar a explicação adequada a seus pontos de argumentação. A minha contribuição para ele hoje e para você que está lendo isso é tentar fornecer argumentos para a discussão: os livros de RPG são caros no Brasil?

Antes de tecer qualquer linha argumentativa vamos entender o que é caro. No dicionário online (é estou com preguiça de desembalar o meu Aurélio) temos que:

De preço elevado.

De preço excedente ao real valor.

Adv. Por alto preço: vendeu caro a casa.

Mais do que seria razoável ou normal: custa caro o ingresso.

Como estou falando de livros, vou me focar em dois pontos da definição: “De preço excedente ao real valor, mais do que seria razoável pagar pelo item”. É isso que eu defino como “caro” e é em cima desta definição que começarei a tecer as minhas idéias.

Em 02 de abril de 2009 eu publiquei neste mesmo blog uma postagem questionando se RPG era um jogo de elite. A resposta que obtive na época é que sim, o RPG é um jogo de elite. Mas não por conta de seu preço e sim por uma série de outros fatores que deles se exigem para que se comece a jogar.

Daquele mesmo texto trarei alguns argumentos:

“Normalmente seus manuais são caros. São livros em tamanho grande, com pelo menos 64 páginas e que quase sempre ultrapassam a soma dos 20 reais. Possuem ilustrações e tiragens normalmente pequenas o que encarece mais ainda o seu custo. O fato de precisarem de acessórios como dados, por exemplo pode transformar uma inocente partida de fim de semana num gasto que pode facilmente superar os 300 reais. Tão certo quanto existem livros caros também existem suas contrapartes mais econômicas”.

Acho um erro comparar um livro de RPG com um livro de direito. Se seu livro de RPG vem com algum defeito o efeito na sua vida é mínimo: e daí se a mantícora tem 10 pontos de vida a menos? Mas uma falha num livro de direito pode levar um advogado ou juiz a interpretar mal à lei e mandar um inocente para a cadeia. Um Vade Mecum é um livro caro porque é um livro de nicho muito específico, com uma linguagem e um cuidado que livros de RPG não precisam ter.

Se eu quero saber se um livro de RPG é caro ou barato como devo proceder então? Olhar os preços do passado a simplesmente jogar os indicativos econômicos do período parece ser uma idéia boa, mas gera muitas distorções. Não existe como mensurar o custo do papel, da editoração eletrônica, da estocagem e de mil outros fatores que influem no preço. Então a melhor saída, a meu ver, é comparar os livros, contar seus benefícios e ver o que se sai melhor. É o que fazemos quando vamos comprar um carro, uma bicicleta, um videogame. Acho mais que justo.

Para saber se seu livro está caro, compare-o com outros do mercado. Leve em consideração se tem ilustrações e se estas lhe são agradáveis. Capa dura é outro ponto a ser visto. Quantidade de material disponível para o citado livro, se tem boa base de fãs e finalmente se você pode pagar por ele um preço considerado justo.

Faça a comparação você e me diga o que você acha?