Os novos heróis do Olimpo – Capítulo 6

Segredos serão revelados e cosias serão quebradas

Dez minutos. Dez longos minutos de espera. Eric estava impaciente. Tinha feito tudo o que Oliver tinha pedido, incluindo que ele ficasse quieto, dez minutos atrás. Sempre que tentava falar, Oliver levantava a mão na sua direção como se pedisse mais alguns minutos. Eric suspirou e olhou pela janela do carro. O motor estava ligado, assim como o ar-condicionado. Oliver estava com o frank conectado a uma entrada de usb onde deveria haver o rádio. Ele riscava os dedos furiosamente na tela do tablete-celular-torradeira. Por fim Oliver suspirou, recostou-se no banco do passageiro deixou-se relaxar.

– Está feito – disse ele, com um tom de “dever cumprido”.

– Tem certeza disso? – Eric parecia incrédulo – explica de novo o que você fez, mas dessa vez em língua de gente.

– Bom, eu tinha a suspeita que os tais agentes de preto estavam me seguindo e que tinham um modo de me localizar. Eles tinham anotado a assinatura eletrônica do frank . Por isso sempre que eu me conectava á rede eles me localizavam.  O que nos leva a essa área. O riacho lá atrás e essas linhas de transmissão, fora o solo extremamente ferroso dessa região criam uma estrutura parecida com a gaiola de Faraday. Parecida, mas não igual. Eles não podem nos localizar, mas eu pude entrar por uma “porta dos fundos” do sistema deles quando conectei o frank ao sistema deles. Agora programei um aplicativo para ficar oculto no sistema deles, dando informações errada da nossa localização.

– E o lance das fichas?

Isso incomodava Oliver muito mais que a insistência dos homens de preto. Eles tinham um arquivo com fichas pessoais. Lá estavam Oliver e Eric, além de outras pessoas. Estava tudo lá: nome, idade, peso, locais visitados, amigos, endereço provável e até mesmo as últimas compras que cada um fez. Tinham outros nomes da lista, mas estava encriptadas. Oliver brigava nos últimos minutos para descobrir quem era a pessoa, porque, ao que tudo indicava, ela seria a próxima a receber a visita dos homens de preto.

– A minha, a sua e mais algumas pessoas. Cara isso é muito estranho. Até onde eu sei, nada no seu passado se liga no meu…  mas eu resolvi pelo menos um problema. Mudei a nossa cara nos arquivos deles. Espero que o pessoal do One Direction não se importe de receber uma visita deles sempre que passarem por um aeroporto.  – Apesar da óbvia piada, Oliver parecia realmente chateado.

– E eles não vão nos achar aqui?

– Duvido muito. Desliguei o GPS deles assim que entrei no carro. Eles não têm como nos localizar. Acho que a melhor coisa a fazer é tentar chegar a uma cidade. Lá podemos acessar a internet de uma lan house e conseguir ajuda com um contato do meu tio em Brasília.

– Alguma ajuda com o contato do tio “teoria da conspiração”? Não sei se parece uma boa ideia.- Eric não se sentia à vontade com teorias mais complicadas do que a do sorvete napolitano.

O silêncio imperou. Dava para ouvir o motor do carro e o barulho do ar condicionado funcionando e mais nada. O ar estava denso, tenso e pesado. Por fim Oliver comentou:

– Eu estou cansado de correr. Quero saber as respostas. Se para conseguir essas respostas eu vou ter de confiar num estranho indicado pelo meu tio é isso que eu vou fazer.

– E você vai com esse carro? – Eric parecia mesmo com vontade de dirigir aquela beleza de novo.

– Não. Vão procurar por ele. Melhor irmos a pé.

Desceram do carro. Eric arrumou a mochila de viagem nas costas, e foi até o riacho encher o seu cantil. Foi quando ele os viu. Piscou duas vezes e sentiu a cabeça começar a doer. Oliver sentiu também. Já tinha visto aqueles caras e sabia que eram encrenca.

Era um bando estranho. Tinham quase 20 pessoas. Alguns em motos, outros em carros, mas todos com a mesma roupa: coletes e bonés vermelhos onde se lia ao longe Giges Segurança. Na frente deles o que parecia uma mulher com asas de morcego, chifres e um rabo de diabinho de desenho animado. Eles vinham pela estrada, devagar, como que farejando o caminho. A moça com jeitão de cosplay da Morrigan sorriu de satisfação ao vê-los e lançou-se ao ar. Como se as coisas não pudessem ficar pior, além de estarem sendo alvos de uma conspiração super tecnológica agora enfrentavam meio mulheres meio demônios. Os coletes vermelhos largaram carros e motos e começaram a andar ameaçadoramente na direção deles. Alguns pele avermelhada, outros com caudas de diabinho, outros com chifres e outros com asas (mas nenhum deles levantou vôo). Além disso, todos com cara de cachorro.

– Achei que eles não poderiam nos achar – disse Eric agarrando um pedaço de pau no chão.

Olliver sentiu sua tatuagem queimar. O nome surgiu na sua mente. Ele queria dizer, mas se controlou para manter-se calado. Ao invés disso, assumiu uma pose de luta qualquer, como se fosse um nerd imitando os movimentos do UFC.

A cosplay de Morgan passou por cima deles e pousou entre eles e o carro. Ela sorria com a boca cheia de dentes pontiagudos, mãos terminando em garras compridas, pintadas com esmalte vermelho. Quando não estava na forma de “coisa saída dos infernos” ela bem que poderia ser jeitosinha, pensou Eric sem dizer nada.

– Olá meio-sangues. Vocês podem ter deixado os lacaios do “garoto da técnica” para trás, mas o meu pai não quer perder mais tempo. Rendam-se e eu garanto uma morte rápida – ou uma existência dolorosa e excruciante para sempre como escravos mortos-vivos no mundo inferior caso resistam. – A voz dela era como unhas arranhando um quadro negro. Era claro que ela estava falando a verdade.

Eric olhou para Oliver e estendeu a mão. Oliver estendeu a mão em resposta e deram um aperto de mão longo e forte, olhando um nos olhos do outro. Por fim, disseram juntos de uma só vez:

– Desculpe ter metido você nessa, cara!

– Espere aí! Eles não estavam atrás de mim e sim de você?

Ambos, Oliver e Eric sentiram-se tolos. Os inimigos se aproximavam. Aquilo não era uma história em quadrinhos onde eles tinham que proteger suas identidades secretas. Nem a Liga da Justiça nem as Meninas Superpoderosas iam aparecer no último minuto para salvar o dia. Era lutar ou morrer. Oliver soltou a mão de Eric, deu dois passos em direção a Morrigan dentes de tubarão e disse: astéron thráfsma! Um flash de luz explodiu a o fragmento de estrela surgiu em sua mão mais uma vez, dessa vez imitando a espada de um velho desenho animado chamado “Blackstar”. Eric descalçou os sapatos. A tatuagem de seus tornozelos tinham se tornando asas de verdade, com penas e tudo. Os dois meninos se olharam, como se fizessem uma promessa silenciosa um ao outro: “quando isso tudo terminar temos que conversar”.

A súcubo berrou ao ver a espada. Ela começou a amaldiçoar num misto de grego, inglês e outras línguas que pareciam ter mais consolantes do que vogais. Ela alçou voo mais uma vez, mergulhando em seguida, garras afiadas mirando no peito de Oliver. Mais uma vez Oliver se moveu como se fosse outra pessoa: a espada saltou para frente, bloqueando o ataque e deixando a guarda da súcubo aberta, apenas para ser atingida por uma paulada certeira de Eric.

– Strike um! – ele gritou enquanto levantava a clava improvisada para mais um golpe. Já em solo a súcubo cuspiu alguns dentes pontiagudos no chão, gesticulou e uma força invisível jogou Eric em direção das árvores com um baque surdo. Ela se virou para Oliver e começou a golpear com as garras seguidamente. Estava possessa, incrivelmente furiosa. Oliver mal dava conta de se defender, segurando a espada com ambas as mãos. Foi quando escutou o que parecia ser uma explosão de ar, como a câmara de ar de um pneu estourando. Instintivamente ele se virou e então foi derrubado por uma rasteira da cauda de Morrigan. Ela se jogou sobre ele e Oliver viu o que parecia ser um borrão com forma de Eric mergulhando em direção à súcubo. Outra pancada certeira na cabeça, só que ainda mais forte que a primeira! – Strike dois! – ele gritou de novo enquanto um enorme hematoma vermelho se formava na cabeça do monstro. A clava improvisada partiu-se em dois pedaços.

Oliver aproveitou a chance. Era única. A súcubo estava desnorteada pelo golpe. Ele ergueu sua espada e desferia um golpe de cima para baixo, com as duas mãos. O golpe partiu a súcubo ao meio e antes que ela pudesse tocar o chão partida em duas metades desiguais evaporou-se no ar. No chão apenas mais alguns dentes restaram.

– Strke três! Você está fora, bruxa! – Eric gritou apontando para o lado como um juiz de jogo de baseball.

Oliver sorriu, mas sabia que não estava terminado. Ele olhou para o lado e viu os homens-cachorros-demônios com uniforme da Giges Segurança mantendo uma distância segura. Parecia que não sabiam bem o que fazer já que sua líder havia evaporado no ar. Eric parou do seu lado e comentou com um sorriso maroto:

– Espada maneira cara. Se isso for um sonho eu não quero acordar agora.

Oliver olhou para o amigo. Sem sapatos, com asas saindo dos calcanhares. Imediatamente invocou na cabeça duas imagens: Namor, o príncipe submarino (antigo quadrinho da Marvel Comics) e a figura de Hermes, o mensageiro dos deuses. Imaginava qual dos dois seria a referência correta ou se havia uma terceira ainda mais estranha.

– Asas maneiras, eu acho. O príncipe Namor sabe que você as pegou emprestado?

– Príncipe quem?

Um dos coletes vermelhos gritou (ou uivou, depende do ponto de vista) e começou a correr na direção dos dois. Hesitantes, atrás deles outros começaram a correr. Alguns tinham garras e outros carregavam o que pareciam armas antigas, todas de ferro e algumas feitas de brilhantes peças de bronze. Oliver lembrou-se do avião. Ergueu a espada em direção dos inimigos e lembrou-se do combate com o katómeros. De novo o flash de luz explodiu da ponta da sua espada, avançando como um raio no peito do auto-proclamado “novo líder da matilha Giges”. Ele explodiu como a súcubo, deixando no seu lugar um para de adagas de bronze.

– Bankai! – gritou Eric de puro prazer – Tensa Zangetsu! Acaba com eles Ichigo!

Oliver não podia ouvir. Na sua cabeça só escutava o pulsar do seu coração, num ritmo muito forte. Ele mirava e disparava. Um novo disparo e mais outro. A cada disparo mais um dos jaquetas vermelhas era eliminado. A visão turvou. Mas ele sabia que tinha que continuar. Caiu de joelhos e deixou a espada cair de lado. De repente ela pesava tanto, que mal podia suportar erguê-la novamente. Foi que ele viu. Ou achou ter visto. Eric havia pegado as adagas do primeiro jaqueta vermelha que ele havia despachado e com elas corria no meio dos inimigos restantes desferindo golpes. Ele corria rápido e se esquivava com rapidez dos ataques. De vez em quando suas asas dos pés estalavam, como uma grande explosão de ar, projetando-o para frente como um míssil humano. Usando a espada para se levantar Oliver viu o último deles ser derrotado com um movimento que lembrou um fatality do jogo Mortal Kombat. Até mesmo frank pareceu comemorar, tocando tema da vitoria de Final Fantasy X.

Agora estavam os dois, frente à frente de novo. Alguns arranhões aqui e ali pela luta, mas nada que não pudessem contornar. Resolveram pegar uma das motos e seguir em direção à Brasília. O contato do tio de Oliver tinha muito a explicar.

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