Os novos heróis do Olimpo – Capítulo 11

Como eu conheci sua mãe.

Eric e Oliver seguiam sua anfitriã pelo acampamento. Ele era mesmo enorme. Uma fazenda, dessas de milhares de hectares. Era uma mistura de campo de treinamento, colônia de férias e museu a céu aberto. A primeira coisa que Jade fez questão de lhes mostrar eram as acomodações.

– Cada filho ou filha dos deuses tem que ficar com seus meio-irmãos.  Se você é filho de Ares, o deus da guerra, tem que ficar no chalé de Ares. Eu sou filha do deus sol, do poderoso Apolo. – ela apontou para uma casa de estilo renascentista, como se tivesse sido arrancada da costa da sul da Itália. Três andares, tijolos brancos e janelas de madeira vermelha lustrosa. Uma enorme claraboia se destacava na fachada da casa.  Ali é o nosso santuário ao senhor Apolo. É lá que oramos e esperamos a sua voz de sabedoria – Completou ela.

– Acho que você está desatualizada – começou Eric – Kratos é o novo Deus da guerra desde 2005.

Oliver não deixou de dar um sorrisinho. Aparentemente Jade não era assim tão espirituosa. Ela olhou para Eric numa expressão que lembrou muito uma certa égua infernal que os dois conheciam muito bem.

– Rogo aos deuses para que nenhum de vocês seja meu parente de sangue. Aliás eu sou a líder do chalé de Apolo. Seguindo pela avenida dos deuses temos os outros chalés. Em ordem: O chalé 01, com os filhos e filhas de Zeus. Atualmente temos apenas uma filha de Zeus conosco. O chalé 02 é a casa de Hera e está sempre vazia. Ao contrário de Zeus, Hera não tem filhos fora do casamento. O chalé 03 é o de Posseidon. O seu único filho está em missão atualmente. Um combatente valente. O chalé 04 é o da deusa Atena. – ela olhou fixamente para Oliver – acho que ela é sua mãe, quatro-olhos. É típico de Atenas ter os filhos mais nerds de todos.

Oliver empertigou-se. Ele tinha uma séria suspeita de quem era sua mãe e sabia que Atenas não se encaixava no pacote. Estava na hora de sacar uma das tiradas geniais que o seu tio lançava em momentos como esse. Mas ele não conseguiu pensar em nada. Não que ele precisasse, pois Eric saiu em sua defesa:

– Dobre a língua, menininha. O seu pai pode ser um deus, mas o trabalho dele é dirigir uma carroça por aí. Não sei quem é meu pai, ou minha mãe, ou quem são os parentes do Oliver, mas tá na cara que não somos filhos dum carroceiro. Além do que, o Oliver aqui tem uma bankai. Não é nada que você vá saber do que se trata, mas ele pode acabar com você num piscar de olhos. Aliás, já vivemos mais aventuras que você. Somos praticamente cavaleiros do zodíaco – ele cutucou Oliver ao dizer isso – sendo que estou mais para Mu de Áries e você, quem sabe o Shura de Capricórnio.

– Um desafio? Por que não? Eu não entendi bem suas palavras, magrelo, mas sei identificar um desafio quando vejo um. Que tal um combate. Temos a arena, o labirinto e os campos de jogos. Como são visitantes, deixo que escolham.

Oliver ponderou. Estava na cara que a menina Jade estava trapaceando. Qualquer coisa que escolhessem, ela teria vantagem, uma vez que ela já conhecia cada um dos lugares. Ele pensou o que seria cada coisa e antes que Eric pudesse dar sua opinião ele escolheu:

– Quero Arena. Até o primeiro sangue. Disputa simples.

Jade deu um passo para trás e deixou a boca entreabrir-se numa expressão de espanto. Era certo que nenhum dos dois jamais havia estado no santuário, mas como o menino quatro-olhos sabia das regras da Arena? O primeiro sangue era um combate não letal que quem derramasse sangue primeiro perderia. Ela se recompôs e assumindo uma pose de heroína, puxou da cintura uma espécie de corneta. Ela soprou na corneta, imitando o que parecia ser uma mistura de trombeta do apocalipse com berrante de festa de Barretos. Logo, viu-se um burburinho e dezenas de pessoas largavam suas atividades indo na direção do que parecia uma versão menor do coliseu de Roma.

– Eu não queria derrotar vocês sem plateia, novatos. – disse ela com um sorrisinho de canto e boca.

Quase todos pareciam adolescentes normais, saindo para o intervalo de alguma aula. As idades variavam, mas Oliver supôs que os mais novos estavam na casa dos nove, dez anos de idade e os mais velhos não passavam dos dezessete. A maioria usava as camisetas amarelas e pretas. Outros ainda portavam escudos e pedaços de armaduras como se tivessem saqueado o armazém de fantasias do filme 300 de esparta.  O número de meninos e meninas era bem equilibrado e tinha gente de todos os tipos: de garotos negros magrelos que pareciam uma mistura de Neymar e Anderson Silva, passando por uma dupla de japonesinhas gêmeas com tranças à moda Pucca. Alguns passavam por eles cumprimentando Jade, dando-lhe tapinhas nas costas e desejando boa sorte.

Seguiram com ela pela entrada principal do coliseu. Jade foi até um rack de armas e vestiu um corselete de couro e depois calçou duas grevas (um tipo de caneleira) feitas de couro. Depois foi até o outro lado, pegou o seu arco e ficou na posição de espera.

– O que faremos? – perguntou Oliver, que tinha certeza que lutar com a chefe de um chalé, filha do deus do sol, não era uma boa maneira de conseguir amigos num lugar que supostamente deveria ajuda-los e protege-los. – Será que é tarde para pedir desculpas e continuar com o tour?

Eric olhou o amigo com estranheza, como se não o reconhecesse. Depois fitou o rack e dele sacou duas vambraces (um tipo de caneleira, só que para os antebraços) e um escudo de madeira redondo, reforçado com tiras de metal cor de ferrugem. Depois de ajustar as peças falou com firmeza.

– Sabe de uma coisa cara? Eu me cansei. Tô cansado mesmo dos outros passarem por cima de mim. Foi assim a minha vida toda. Foi aquele cara do restaurante, o rei dos porcos e o cara de serpente. Chega. Além do mais, alguém tem de baixar a bola dessa minazinha. Quem ela pensa que é? A irmã do Ash Ketchum?

Enquanto terminavam de falar os meninos foram interrompidos por uma voz possante saindo dos alto-falantes. Ao fundo tocava uma música épica, dessas que poderia fazer parte da trilha sonora de qualquer seriado de fantasia medieval. A voz soou grossa e empolgada:

– Olá amigos! Olá aos deuses e todos os presentes que se fazem presentes e que não podemos ver! Hoje teremos um evento especial, extraordinário na arena. Um combate. De um lado Jade Fofô, a campeã invicta dos jogos do chalé oito. Do outro, dois novatos. Nem sequer foram reclamados ainda! Quem será que vai começar? Vamos ao combate em trinta segundos.

Um enorme telão começou a mostrar a contagem regressiva. Eric deu um passo à frente e foi ao encontro da sua oponente.

Com a contagem zerada o combate teve inicio. Jade sacou uma flecha muito rápida, disparando na direção de Eric. Era uma flecha de treino, com ponta rombuda. Não era capaz de matar, mas Eric suspeitava que poderia doer tanto quanto uma bolinha de paintball. Eric moveu-se rápido, mas a flecha insistia em seguir na sua direção. Por fim ele bloqueou a seta com o seu escudo. A plateia ovacionou. A voz do locutor estava incrédula. Era a primeira vez que Jade não terminava um duelo na primeira flecha. Foi que Eric percebeu: ele era filho de um Deus e tinha poderes. O mesmo era com ela. O poder dele era se mover rápido. O dela era com flechas. Ela não errava o alvo. Sua única chance era correr e tentar achar uma brecha para atacar entre um e outra de suas flechadas.

Jade disparou mais duas vezes. Eric bloqueou de novo com o escudo, mas sabia que era um jogo que não poderia manter muito tempo. De seu canto Oliver estava parado, vendo os dois lutando. Não sabia o que fazer. Estava paralisado. De repente tomou frank em suas mãos e começou a passear os dedos pela tela.

Eric bloqueou uma quarta flecha e teve o momento que desejava: Jade se atrapalhou para pegar a próxima e ele resolveu arremessar o escudo contra ela. O disparo foi longo e certeiro. Só que ele não contava com uma coisa: a trapalhada de Jade era apenas uma finta. Ela segurou o arco com as duas mãos, como se fosse um taco de baseball e rebateu o escudo, que foi se espatifar na arquibancada onde os filhos de Hermes estavam reunidos. Recebeu algumas vaias, especialmente de uns meninos mais afoitos, mas desconsiderou quando a plateia do seu chalé berrou de emoção. Depois, reposicionou o arco e disparou novamente. Eric mal teve temo de fechar os olhos quando sentiu seu maxilar estralando, como se o Vitor Belford tivesse lhe dado um soco. Ele caiu para trás, completamente nocauteado, o gosto de sangue invadindo a sua boca.

– De acordo com as regras o primeiro sangue foi derramado! Mais uma vitória para a campeã do Chalé oito. Que venha o segundo lutador.

Oliver sabia que tinham ido longe demais. Certo ou errado ele não ia deixar que seu amigo tomasse uma surra na frente de todo mundo. Se era para apanhar, apanhariam juntos, pensou ele. Deu um passo a frente, sem pegar qualquer armadura e foi andando em direção ao centro da arena. Sacou o fone de ouvido bluetooth de seu frank e começou a falar. Para espanto de todos sua voz saiu nos alto-falantes. Era de certa forma ameaçadora.

– Olhe moça, isso termina aqui e agora.

Jade deu um pulo para trás disparou outra flecha. O grito de Astéron thráfsma ecoou pelos alto-falantes e o brilho cegou a todos por um instante. A espada estilizada em forma de estrela estava de novo nas mãos de Oliver, apontando para Jade. A flecha que ela disparou – ou o que sobrou dela – jazia no chão queimada.

Jade disparou mais duas vezes, mas sempre que fazia isso as flechas entravam em combustão antes de chegar no alvo, pousando inofensivamente no chão árido da arena. Oliver por sua vez continuava caminhando, concentrando-se em defender os ataque que vinham em sua direção.

Foi que aconteceu.

O sol escureceu-se por trás de nuvens grossas e relâmpagos cortaram o céu. Um deles atingiu o solo, fazendo com que sua energia desenhasse um círculo de entalhes arcanos. O centro do círculo rachou e de dentro dele uma peluda mão monstruosa saiu, trazendo consigo um enorme monstro peludo, com cabeça de lobo e garras afiadas.

De repente Eric e Oliver sabiam que de alguma forma, aquilo não estava nos planos de um duelo um contra um até que primeiro sangue verta.

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