Os novos heróis do Olimpo – Capítulo 15

A profecia

O conselho fora reunido de emergência. Todos reunidos no prédio central da administração, um lugar que por fora parecia um prédio ou fórum romano. Doze colunas de mármore branco ladeavam a fachada principal. As colunas deveriam ter uns 13 metros cada, sustentando uma fachada triangular, ricamente decorada com adornos e figuras mitológicas.

Lá dentro, numa espécie de auditório misturado com anfiteatro o conselho estava reunido. Alguns estavam vestidos de pijamas, e outros com roupas às avessas. O sono estava temporariamente afastado deles pela gravidade da situação: primeiro os novatos, depois o ataque durante um treinamento e agora a situação inédita: Zeus preso pela própria lei.

Dezan estava com uma camiseta da última turnê do One Direction no Brasil. Todo o chalé tinha ido e ele não poderia ter ficado de fora. Compunha o resto da usa imagem um cabelo um pouco assanhado, uma bermuda cor de caqui e chinelos tipo havaiana. Ele começou a falar:

– Bom, pelo que sabemos a situação é esta: O sr. Zeus atacou sua filha, a deusa das estrelas, a sra. Astréia. O sr. Hermes, temendo o pior, invocou o édito de Zeus. – ele olhou fixamente para Oliver e Eric e falou com profundidade – para quem não sabe o Édito é um conjunto de leis criadas por Zeus para manter a ordem no Olimpo. Uma de suas normas é que “nenhum deus levantará a mão contra o outro ou organizará guerra um contra o outro, sob pena de encarceramento no na prisão do olimpo” – ele continuou ainda mais solene – “uma prisão que só pode ser aberta por Zeus e pelo lado de fora”.

– É como se fosse um erro de programação – interveio uma menina de cabelos escuros, amarrados no alto da cabeça num penteado antigo e uma camisa vermelha muito grande para ela escrito “bazinga” – obviamente quando criou o Édito, Zeus não esperava ser réu de sua própria criação. Não sei se existe uma porta dos fundos ou uma brecha jurídica celestial neste caso, mas no momento a situação é que Zeus, o líder do Olimpo está encarcerado. O Olimpo está sem um líder. O édito continua valendo ou os outros deuses já teriam entrado em guerra por seu posto – ela olhou longamente para Nathália, a única vestida com armadura completa e pronta para ação – mas se os inimigos souberem que os deuses estão sem seu líder, eles podem tentar atacar o Olimpo. Temo que seu os poderes ou a liderança de Zeus, nem mesmo os outros deuses seriam capazes de vencer.

– E o que podemos fazer Eugênia? Ficar sentados esperando? – Era um senhor magro, alto, cabelos negros espessos, cavanhaque e bigodes escuros.

– Não mesmo Filoctetes! – Nathália respondeu com vigor – quero levar a luta de volta aos nossos inimigos e libertar o senhor Zeus. Quatro dos meus irmãos foram mortos hoje. Sem falar dos feridos. Atena, Hermes e Afrodite também tiveram baixas! Não querem vingar seus irmãos e irmãs? Não querem salvar Zeus?

– Não podemos simplesmente sair por aí combatendo sem rumo. Temos de descobrir primeiro como salvar Zeus, depois podemos pensar em descobrir quem nos atacou. Mas duvido que um problema fique longe do outro por muito tempo – a Eugênia falou de novo, enquanto fazia e desfazia o cabelo na frente de um espelho de prata polida. – Acho que devemos trazer o Oráculo para cá. Ela deve nos dar uma ideia do que fazer.

– Ela já foi chamada – Dezan respondeu secamente – eu mandei dois lanceiros escolta-la em segurança até aqui.

Eric estava ainda atônito. Tudo era novidade para ele. A conversa com o pai não estava sendo de muita ajuda, embora estivesse acontecendo exatamente como ele disse. Logo ia chegar a hora de fazer a sua jogada. Uma jogada ensaiada. “É como um golpe. Para funcionar precisa de duas pessoas. Você vai ser meu parceiro nesta – não me decepcione”. Será que ele teria coragem para fazer? As palavras de Hermes ainda queimavam na sua mente quando ele tomou ciência de que Oliver estava ao seu lado, mas completamente em choque. Ele respirava lento e pesado, como se estivesse em transe. Tinha o olhar longo e perdido. Era informação demais, mesmo para ele.

Não demorou muito as portas do salão foram abertas e dois lanceiros entraram apressados trazendo com eles uma senhora. Se era uma oráculo, provavelmente era filha de Apolo, ou pelo menos passaria com tranquilidade por uma filha de Apolo: loira, cabelos encaracolados, pele bronzeada e um porte que já foi atlético, embora Eric suspeitasse que se ela quisesse poderia fazer os 400 metros com barreiras melhor que alguns medalhistas olímpicos. Tinha um jeitão de “tia”. Ela passou rapidamente por todos, dando um único e lacônico “boa noite” como se dissesse realmente: vamos acabar logo com isso.

Ela andou sem cerimônia até uma poltrona larga do outro lado da sala, puxou uma carteira de cigarros Belmont da bolsa e acendeu um na vela acesa no castiçal ao seu lado. Deu uma tragada longa que consumiu metade do cigarro de uma única tacada! Depois ela soprou a fumaça para cima. A fumaça concentrou-se em cima dela como uma nuvem de chuva e foi ficando cada vez mais escura a medida que descia em direção à sua cabeça. Finalmente a nuvem de fumaça negra cobriu seu rosto e ela começou a dançar. A máscara de fumaça não a abandonava, não importava que movimentos ela fizesse. Sua dança era impressionante. Até que ela parou bruscamente e começou a falar:

– Cinco são eles: um traidor, um marcado para morrer, um que vai se sacrificar e dois fadados à maldição de Afrodite. A marca brilhante em suas peles marcará os escolhidos, mas não salvará suas almas. Onde a terra toca o Olimpo, onde o fogo queima silencioso, a batalha final pelo mapa da casa dos deuses será travada. Libertem Zeus ou sofram o fado…

Sua voz era sobrenatural, cavernosa. Seus olhos brilhavam vermelhos e dourados por trás da máscara de fumaça. Seu corpo se contorceu e a fumaça elevou-se normalmente, dissipando-se no ar. Ela caiu sem forças, aparada por Filoctetes.

– Uma profecia. Grande! – exclamou uma menina gorda, sentada com uma camiseta preta com os escritos seashepherd.org. Ela se ajeitou na cadeira, puxou do bolso algumas sementes de goiaba e catou uma delicadamente. Ela colocou a semente na mesa e apertou com o dedo indicador da mão direita. Num segundo a semente virou uma flor e depois um fruto de goiaba, casca fina e amarelada. Em questão de segundos estava maior que uma bola de baseball. Ela pegou a goiaba e partiu um quatro pedaços. O cheiro da fruta invadiu o salão, expulsando de vez o fedor do cigarro. Ela mordeu um dos pedaços com tanta satisfação que até algumas gotas de suco escorreram por suas bochechas. Até Eric que não era muito chegado a frutas quis dar uma mordida. – temos de mandar cinco pessoas, cinco de nós, numa busca. Sabendo que um de dos que vamos mandar será um traidor. Esse time está fadado ao fracasso. E aliás, o que é que vão buscar?

– Está na cara, Amanda… você não ouviu a parte do “pelo mapa da casa dos deuses”. O mapa de uma casa é a sua planta estrutural. E a casa dos deuses só pode ser o Olimpo. Então o que eles vão buscar é a planta estrutural do Olimpo. – Dezan empertigou-se na cadeira depois de abrir uma latinha de muppy. Então ele olhou demoradamente para Eugenia e perguntou: Existe mesmo esse tipo de coisa Eugênia? Se existe uma planta a sua mãe, que é a deusa dos arquitetos deve saber alguma coisa. O que o chalé de Atena diz sobre essa planta e a sua localização?

Eugênia ficou pálida por um instante. Sentiu falar o seu ar. Depois seu rosto irrompeu em cor avermelhada. Ela desviou o olhar das pessoas da sala – todos a fitavam em busca de resposta – Eu não sei de nada disso. Nunca ouvi falar de nada disso.

– Não estamos falando “disso” e sim do “Pergaminho Áureo”. Logo após a primeira titanomaquia Zeus determinou que uma casa inexpugnável fosse construída. Indestrutível, como uma caixa forte e agradável como os campos elísios. Ele deixou a construção a cargo de deuses e semideuses. Um filho de Atena, chamado Pathos Verdes I, ficou incumbido da missão. Ele recebeu a ajuda de outros semideuses e alguns deuses. Ao final de sua construção, já meio louco pelo hercúleo trabalho, Pathos escondeu os planos para o Olimpo num lugar distante. Estes planos, que ele chamou de “Pergaminho Áureo” tem todos os segredos do Olimpo. Entradas secretas, salas que ninguém mais conhece, o segredo para entrar e sair de qualquer lugar. Mesmo da prisão de Zeus. – Quando Oliver terminou de falar todos o olharam com uma expressão de espanto – Os deuses que o ajudaram foram Hermes, Demeter, Astréia, Ares e Apolo. A cada um destes deuses foi dado a parte de uma chave para abrir o santuário onde o pergaminho fica escondido. – Oliver parou de falar e ficou se perguntando de onde vinha aquela informação toda. Seria uma benção de sua mãe? Seria alguém falando por ele? Era coisa demais para pensar.

– Então precisamos de cinco heróis escolhidos para buscar um pergaminho perdido, que nem os deuses sabem onde está, para poder libertar Zeus e impedir uma possível guerra civil entre os deuses ou ainda pior, uma invasão do Olimpo por conta de nossos inimigos. É isso? E eu que achava que as coisas aqui no acampamento estavam começando a ficar chatas. – falou Filoctetes, ao se levantar da cadeira e se espreguiçar longamente. Por um instante ele pareceu bem mais velho do que aparentava.

– Com licença, senhor, mas o chamaram de Filoctetes. Está correto? – Eric perguntou.

– Sim, eu mesmo – respondeu confiante o herói – por mando de Zeus eu treino e mantenho todos na linha aqui no Santuário.

– O senhor é o mesmo Filoctetes, ex-companheiro de armas de Hércules, que depois da morte do herói guardou suas cinzas e suas armas para que não caísse nas mãos dos inimigos – insistiu Eric.

– Sim, sou eu mesmo.

– O senhor não deveria ser meio bode?

A expressão de Filoctetes passou da serenidade para a raiva em milésimos de segundo. Ele agarrou uma taça de cobre que estava sobre a mesa e a esmagou imediatamente, deixando parte do seu conteúdo espirrar no chão. Ele olhou para Eric com uma expressão digna de um assassinato, virou de costas e saiu bufando alguma coisa sobre mijar no túmulo de Walt Disney.

Assim que ele saiu da sala todo mundo começou a rir. Nathália chegou a dar um tapão nas costas de Eric antes de se dobrar rindo. Dezan limpou as lágrimas do rosto antes de continuar a falar.

– Como é que vamos identificar estes heróis?

– A profecia fala alguma coisa de marca. – Amanda abocanhou mais duas goiabas e uma pera antes de continuar – Não fala?

– “A marca brilhante em suas peles marcará os escolhidos” – recitou Eugênia. Tatuagens que brilham no escuro?

Oliver e Eric se entreolharam, explodindo em cumplicidade. Tatuagens mágicas, que brilham e dão poderes extras. Coisa que os dois conheciam bem. Justamente por isso ficaram com medo e se afundaram e suas poltronas.

– Eu sei de pelo menos um deles – disse Nathália – Conheço pelo menos uma pessoa que se encaixa nesta descrição. – Eric e Oliver se entreolharam de novo enquanto ela andou calmamente até o centro do salão e começou a despir o peitoral da armadura. A peça de couro e bronze bateu com um som seco no chão. Por baixo a camisa do acampamento. Ela a retirou também, deixando apenas um pequeno top a cobrir a parte superior de seu peito. Mas nas suas costas, lá estava: Uma lança grega, ponta voltada para cima, adornada pelo que ela mesma chamou de “o Dragão de Tebas”. – Eu sou a primeira heroína da profecia. Vamos, temos de achar os outros.

Contagiados ou intimados pela coragem de Nathália, Oliver e Eric demonstraram suas tatuagens. Três dos cinco já haviam sido encontrados.

 

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