Cinco bons motivos para jogar o novo D&D

Não vou mentir. No começo eu fui cético. Aliás, eu tinha todos os motivos para ser depois de uma quarta edição tão desastrosa quanto a do Dungeons & Dragons. Peço desculpas a quem realmente gosta do sistema 4e, mas ele é tudo o que eu não gosto no D&D. Ele não tem cara, nem cheiro e nem gosto de D&D. Ainda bem que o texto que hora escrevo não é sobre ele e sim sobre a sua nova encarnação.

O texto a seguir nasceu de um domingo debilitante de dor nas costas. Sem poder sair e com meus jogadores contumazes tocando a vida deles eu pude gastar um tempinho fazendo algumas fichas e testando algumas jogadas de dados. O termo comparativo é a atual campanha de D&D 3.5e que estou mestrando atualmente “O inverno do anão de ferro”, baseado na tirinha tabletitans.com.

Vamos às razões.

  1. É D&D, como o próprio D&D não era a muito tempo.

Comecei a jogar em 1989 e o meu primeiro sistema “sério” foi o D&D. depois, em 1994-95 passei a jogar o AD&D com o advento da edição da Abril Cultural. Os dois sistemas eram razoavelmente parecidos e com o AD&D dando mais opções (mais complicações diriam alguns) aos jogadores foram anos e anos de boa jogatina.

Cada personagem era único. Os desafios eram monumentais. Ou havia união na mesa ou havia TPK. Quando eu digo que cada um era único não é saudosismo à toa. Pode consultar quem viveu essa época: o personagem era uma HISTÓRIA e um sistema. E não um sistema de combos e poderes, por dia ou por encontro. Não tem ninguém tomando decisões por você, decidindo o que você quer ou pode ser.

  1. Dungeons and Dragons é um jogo que versa especialmente sobre a imaginação.

Você está sentado em uma mesa, com alguns livros, papel e lápis (ou seu equivalente eletrônico, PDFs ou planilhas), e usando o poder da sua mente para lançar-se em um mundo de fantasia. Tudo o que seu personagem faz é algo que você, jogador, decidiu para que ele faça. Este não é um designer de videogames ou o diretor de um filme que as escolhas para você. Em meus mais de 20 anos de jogos, diretamente da mesa da sala ou da cozinha, começamos e terminamos guerras, resgatamos príncipes e princesas, matamos monstros, exploramos cidades, desafiamos e vencemos organizações criminosas, além de inúmeras outras coisas.

Não me entenda mal: não é que outros jogos não façam isso, mas eu acredito que a fantasia medieval é um escapismo que tem um nicho especial em nossos corações nerds. Existe algo de charmoso, envolvente e até mesmo primitivo em ficar em torno da mesa e caçar feras míticas ou mesmo derrubar reis. É como se pudéssemos ser Aragorn, Gandalf, Frodo, Legolas e Gimli, entre tantos outros, só que sendo nós mesmos.

  1. D&D é um jogo social.

Jogos modernos e indies exploram a opção de histórias individuais que se encontram em determinados pontos. De certa forma virou até uma modinha. Mas e o trabalho de equipe? E a interação com os outros jogadores na mesa? Eu não sei quanto a vocês, mas eu prezo e muito isso.

RPG de mesa como D&D foi feito para ser jogado em grupo. Você não pode, ou não deveria ser capaz de jogá-lo sozinho, sem outros jogadores. Interagir com outros jogadores, cara a cara e não por uma tela estúpida. É assim que se joga.

  1. D&D é um jogo de muitas faces.

Ao jogar D&D você tem pelo menos três coisas legais para fazer: explorar um mundo fantástico, cheio de mistérios e histórias a serem vividas; combater feras e monstros que em circunstâncias normais matariam qualquer um de nós com o olhar; interpretar alguém que não é você, mas é algo que você gostaria de ser – e por algumas horas por semana você é.

Explorar aguça a nossa imaginação, combater nos ensina sobre lutar, ganhar ou perder enquanto que interpretar nos coloca na pele de outras pessoas. Só não ajuda a evoluir quem não quer.

  1. D&D é um jogo de resolver problemas, onde cada ação gera uma conseqüência.

Cabe ao mestre do jogo desafiar os jogadores. É ele que traz os desafios, desde os combates com grifos gigantes mortos-vivos e escorpiões feitos de lava vulcânica viva, passando pelos enigmas e charadas que os jogadores podem ou não solucionar, e oferecendo a possibilidade das decisões dos jogadores mudarem a face do mundo para sempre. Eu não sei que parte do cérebro humano isso ajuda, mas tenho certeza que jogadores e mestres se beneficiam disso de alguma forma.

 

1 comentário (+adicionar seu?)

  1. Julio Chiquetto
    ago 25, 2014 @ 12:43:20

    Muito legal Beto!
    Ultimamente, tenho jogado mais boardgames e cardgames porque consomem menos tempo e exigem menos preparação do que RPG, mas não é a mesma coisa.

    Esse seu post me deixou saudade de quando eu conseguia tempo pra mestrar e jogar D&D! Estou tentando me reorganizar para voltar, uma hora eu consigo:-)

    abraço

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