Financiamento coletivo? Não obrigado.

Eu entendo perfeitamente que o crowdfunding (financiamento coletivo) é uma forma bacana de dar à luz a projetos que de outra forma não poderiam ser viabilizados. Muitos livros de rpg e até mesmo pequenas invenções estão sendo financiadas dessa forma. Mas a partir de hoje eu vou manter distância de qualquer forma de financiamento coletivo.

Quando optei por apoiar o Numenera RPG pela editora new order fui informado que o livro estaria pronto no final de julho de 2015. Recebi a confirmação desta data num e-mail da editora de 17 de abril do mesmo ano.  No dia 17 de junho recebi outro e-mail da editora confirmando que o livro já estava sendo diagramado, ou seja, que o livro já estava pronto e mais uma vez confirmaram a data de entrega para o final de julho de 2015.

 Fato é que dado término do mês de julho nada foi entregue. A editora lançou o financiamento de mais dois livros, o 13º era e o Lenda dos cinco anéis e nada do Numenera chegar.

Eis que recebo, no dia 02 de agosto, o e-mail que reproduzo a seguir: “O trabalho ficará pronto no mês de agosto ainda sem dia definido, mas ja podem contar que agosto sera lembrado como o mês que Numenera será publicado no Brasil , iremos apresentar o PDF do livro ja diagramado antes da impressão do livro, com o intuito de que nos ajudem a encontrar possiveis erros na diagramação ou digitação, ou seja qualquer tipo de erro”.

O livro não estava pronto no prazo. De acordo com o que ouvi no facebook a tradução sequer está pronta. Se não é isso, foi a impressão que eu tive ao conversar com uma pessoa que se intitula Eva Morrissey. Entendo perfeitamente que as outras pessoas que pagaram podem achar lindo e maravilhoso que o livro esteja atrasado por N motivos. Mas eu não sou um deles. Eu já fiquei com o pé atrás de financiar um projeto que eu só veria meses 8 depois (efetuei o pagamento em novembro de 2014, num total de R$ 140,00) e agora tenho mais motivos ainda para me preocupar.

Eu, enquanto consumidor, não quero saber de problemas. Quero saber do que foi acordado. Com todo respeito, os problemas de tradução não me interessam. Se eu vou a um restaurante e preço um prato que está no cardápio, quero o prato e não uma desculpa sobre não ter o prato em tempo hábil. O livro foi prometido para uma data. A promessa não foi cumprida. Mas o pagamento foi realizado, no prazo, devo acrescentar. Então, em vez de dar desculpas e tentar ridicularizar quem pagou pelo livro, era melhor a editora trabalhar nele.

A própria Eva Morrissey, que acredito trabalhar para a editora como tradutora faz crer que os consumidores que querem o livro no prazo combinado estão “enchendo”.

É por isso que esta será a primeira e última vez que eu participo de um financiamento coletivo. Se não puder comprar o livro nas lojas depois, que se dane! Continuo jogando em inglês mesmo. O que eu não vou fazer pra deixar o meu dinheiro parado durante vários meses apenas para receber um e-mail dizendo que financiamento atrasou.

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UPDATE: Resolvi não esperar mais pelo livro. Chame do que quiser. Eu solicitei meu dinheiro de volta. É aborrecimento demais por um livro só.

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6 Comentários (+adicionar seu?)

  1. Fernando Hax
    ago 02, 2015 @ 21:37:54

    Realmente é o que acontece nos financiamentos coletivos no Brasil. Participei de 2, um atrasou bastante, mas agora já estou com tudo que foi prometido (o do Savage World’s, da Retropunk) o outro (o do Crônicas RPG) ainda estou no aguardo e não espero tê-lo tão cedo. Pensei muito em entrar no do Lenda dos Cinco Anéis, mas não o fiz devido a estas experiências.
    Mas o cenário do RPG no Brasil é este: ou acreditamos nos financiamentos ou ficamos esperando, como o Mutantes & Malfeitores 3ª Edição da Jambô (que não deve sair mais) ou o famigerado Pathfinder da infame Devir…

  2. Daniel Albino (@Danielalbino)
    ago 03, 2015 @ 11:18:45

    Complementando o comentário do Fernando: é verdade que o financiamento do Savage Worlds da Retropunk atrasou MUITO, a campanha foi no final de 2012, e só recebemos os últimos livros impressos prometidos mês passado. Mas a minha experiência com a Retropunk foi muito positiva: em nenhum momento, nesses quase dois anos, me senti abandonado pela empresa, que sempre fez questão de nos manter informados de todos os problemas, nos consultar sobre possíveis soluções, e no geral compensar o atraso da maneira que eles podiam. O Guilherme, fundador da Retropunk, sempre foi muito solicito, respondendo a todos os e-mails que enviei ao longo do processo.

    Preciso dizer que falo com a experiência de longa data com o RPG nacional e as empresas mais antigas do ramo (especialmente Daemon e Devir), que sempre trataram os clientes como se estivessem fazendo favor em lançar um livro, com falta de informação e grosseria. Já tive que ouvir “Vai sair quando ficar pronto, trate de esperar” de um funcionário da Daemon, a respeito de uma errata de um livro que comprei.

    Quando se trata de financiamento coletivo então é mais grave, pois os clientes já pagaram adiantado pelo produto. O mínimo que se espera é respeito e clareza no trato com o cliente, e pelo experiência narrada pelo Valberto no dialogo com a tradutora, muitas empresas ainda não entenderam isso.

  3. Gilson Rocha
    ago 03, 2015 @ 23:22:50

    A RetroPunk tem meu voto de confiança, pelo atendimento do Guilherme. Financiei Savage Worlds, apenas o módulo básico.

    Desisti de financiar depois da PÉSSIMA experiência com MonsterHearts, da Kobold’s Den. Falta de respeito total com todos.

    Gilson

  4. Eva Morrissey
    ago 05, 2015 @ 10:05:56

    Oi!
    Vim aqui apenas porque você “me conjurou”. Então vamos lá.

    Então: você sabe que você tirou posts de perfis pessoais do Facebook (que são exatamente isso: pessoais), trouxe para cá e está tratando desta forma, certo? Exatamente por isso que no post em questão eu me auto-denomino “Eva Morrissey”, embora inclusive no PDF do livro que já está liberado com o conto inicial, conste meu nome, que é como eu assino os trabalhos. Caso prefira, posso disponibilizar meu nome e meu perfil no Linkedin, para que possa conferir minha experiência profissional e minha formação.

    Não respondo pela editora, mas sim como a pessoa e profissional que sou, jogadora de RPG de muito tempo e que sempre fez o que pôde pelo RPG no paós, dentro das minhas possibilidades. O Numenera está totalmente traduzido. Está passando por um último processo de revisão, dada a dificuldade que o cenário apresenta, que é próprio de sua natureza inovadora e proposta única. Como você mesmo colocou, não está interessado nos motivos, e eu respeito isso. Respeito de verdade. Porém estávamos em uma brincadeira entre amigos, em perfis pessoais, e brincávamos com o fato de que eu praticamente não estou dormindo para que o Numenera atrase o mínimo possível – e exatamente por isso minha cara poderia assustar pessoas, afinal, estou “com aquela cara” de quem não dorme, sabe?

    Tive o prazer de conhecer pessoalmente os editores da New Order e tenho certeza de que se perguntados nos canais oficiais, ou mesmo por inbox ou e-mail, sobre uma posição oficial diante do atraso, não haveria brincadeira alguma, nem ridicularização de ninguém, de forma alguma. Acredito que nunca foi o intuito ridicularizar ninguém, como colocado antes, tratava-se apenas de uma brincadeira entre amigos que estão trabalhando muito duro.

    Estamos trabalhando sim, e duro, para que vocês tenham o melhor livro, a melhor experiência em português, que pudermos proporcionar. Caso tenha dúvidas, tenho total certeza de que os editores podem respondê-lo sobre o andamento do trabalho diretamente, como têm feito desde o início.

    Só peço um pouco mais de paciência, ok? Estamos aprendendo, e aprendemos bastante, todos nós, sobre algumas coisas relacionadas aos cuidados de um livro tão complexo, para que novos atrasos não ocorram no futuro. Estou realmente fazendo até mais que o possível dada a atual conjuntura, afinal seres humanos também precisam comer e dormir. E caso sinta a necessidade, deixo meu e-mail aberto, também, para tirar dúvidas sobre “o que estou fazendo” atualmente no Numenera. Que, sim, está a caminho.

    Espero que o pessoal da New Order “não me mate” por ter vindo aqui me posicionar sem consultar ninguém. Estou voltando para o trabalho – porque assim como todos, quero ver o livro pronto o mais rápido possível.

    Abraços, e espero que, assim que tiver o livro em mãos, suas dúvidas e preocupações se dissipem.

  5. Eva Morrissey
    ago 05, 2015 @ 10:07:13

    E peço que desculpe os erros de digitação. Estou no exato momento concentrada na leitura da tradução, para conferir que tudo se encaixe. Estamos trabalhando duro aqui :)

  6. valberto
    ago 05, 2015 @ 21:02:15

    Não creio que adiantaria dizer que eu só queria o livro, não é? Não creio que adiante dizer que nos últimos anos que venho construindo a casa onde atualmente moro eu já tomei muitos tombos de empresas que “prometeram e não cumpriram com o que foi prometido”, não é? Não creio que adiante dizer nada disso, certo?
    Eu estou mesmo muito chateado. De verdade. Você quer fazer o melhor trabalho, eu quero o livro nas minhas mãos. Você pede um voto de confiança, eu estou muito pé atrás de confiar. Quer saber, acho que vou acabar desistindo dessa espera toda.

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