Espadas Famosas de Skyrim para D&D 5e. – 1ª Parte

 

Dawnbreaker

Artefato divino, Único, Espada média (Versátil).

Criado por Meridia, uma dos treze príncipes daédricos. Meridia é a divindade da luz e das energias infinitas e criou esta espada para espalhar sua fé e sua luz pelo mundo, destruindo mortos-vivos e criaturas das trevas em geral.

A espada funciona como uma espada média normal e pode ser reconhecida por sua guarda redonda peculiar. Ela emite uma luz forte (equivalente a área iluminada por duas tochas) que pode ser vista mesmo durante o dia. Em combate, além do dano normal, ela causa um dano extra de 1d6 (fogo). O fogo se extingue no final da rodada seguinte. Entretanto, se enfrentar mortos-vivos o dano extra passa a ser 2d6 (fogo/sagrado). No caso de um acerto crítico esse dano extra passa para 4d6 (fogo/sagrado) e o alvo explode, levando esse dano de explosão para todas as criaturas mortas-vivas num raio de 20ft.

A espada ainda conta com um poder extra: se usada por um paladino que sirva à Meridia ele pode adicionar parte do seu nível às jogadas de ataque com a arma. Sendo assim esse bônus divino é de +1 no ataque no 5º nível, +2 no 10º nível, +3 no 15º nível e finalmente +5 no 20º nível.

Aegisbane

Martelo de guerra, Mágico, Pesado, Duas mãos.

Aegisbane é um martelo de guerra de ferro e também é a arma ancestral do Clã Shatter-Shield. Ele recentemente havia sido roubado pelo bandido Alain Dufont. Esta arma ancestral causa dano normal e para cada acerto causa um bônus de 1d6 pontos de dano (por frio). Além disso, ele faz com que qualquer alvo atingido por ela tenha que re-rolar sua iniciativa, com desvantagem, para a próxima rodada.

Bloodthorn

Adaga de aço, Mágica, leve, ágil, arremesso.

Criada por um dos primeiros conventos de bruxas de Skyrim, ainda nos tempos de Tiber Septimus é usada normalmente para sacrifícios. Sempre que ela acerta um alvo, todo o dano causado por ela é convertido em pontos de vida para o seu portador. Caso o portador esteja com seus pontos de vida no máximo, os pontos de vida extra tornam-se temporários por 24 horas.

Ghostblade

Espada de aço, Mágica, Espada curta (Versátil).

Criada pelo casal de aventureiros Fjori e Holgeir na Segunda Era esta espada é fria e translúcida ao toque, como se fosse um fantasma.  Embora não apresente nenhum bônus especial, ela ignora completamente qualquer armadura que o alvo esteja usando.

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RPG-a-Day 2015 – parte 2.

#RPGaDay2015: parte 2 (8-14)

Dia 8 – Aparição favorita de RPG em outras mídias

Foi numa minissérie do Robin, onde ele tem que enfrentar o Coringa sozinho, numa Gothan em pleno inverno. Ele tem a ideia de rastrear o vilão depois de uma partida de D&D com os amigos nerds da escola.

It was a miniseries of Robin where he has to face the Joker alone, a Gotham in winter. He has the idea to track the villain after a game of D & D with school friends.

Dia 9 – Mídia favorita que você queria que se tornasse RPG

Atualmente tenho jogado bastante Assassins Creed (1, 2, 3, e 4) e acho que o cenário seria bem interessante para ser convertido num jogo de mesa. Não sei se já existe, mas se existisse eu gostaria de dar uma olhada.

Currently I have played quite Assassins Creed (1, 2, 3, and 4) and I think the scenario would be interesting to be converted into a board game. I do not know if it exists, but if there were I would like to take a look.

Dia 10 – Editora de RPG Preferida

Para esse ano fico com a Wizards que ainda não atrasou e nem lançou nenhum produto abaixo da média. Mas se for para pensar com carinho e honestidade eu não tenho nenhuma editora em alta estima.

For this year I get the Wizards who have not delayed and not released any product below average. But if it is to think fondly and honestly I have no publisher in high esteem.

Dia 11 – Escritor favorito de RPG

Monte Cook, com certeza. O cara é um visionário e quase sempre que ele põe as mãos em algum cenário é certeza de que teremos alguma coisa diferente do comum. Apesar dos dissabores que passei recentemente com o Numenera ainda admiro muito o trabalho do cara.

Mount Cook, for sure. The guy is a visionary and often he puts his hands on some scenery is sure we will have something different from the ordinary. Despite the setbacks recently spent with Numenera still I admire the guy’s work.

Dia 12 – RPG Mais Aguardado Ainda a Ser Lançado

Titans Grave – ashes of Valkana. Pretendo dar uma olhada no PDF assim que sair.

Titans Grave – ashes of Valkana. I intend to take a look at the PDF right out.

Dia 13 – Ilustração Favorita de RPG.

A capa do The Sword Coast Adventurer’s Guide  me fez desejar ter mais dinheiro e tempo para jogar um bom RPG de mesa com os amigos. Adoro capas e ilustrações que retratam grupos de aventureiros.

The cover of The Sword Coast Adventurer’s Guide made me want more money and time to play a good table RPG with friends. I love covers and illustrations that depict adventurous groups.

Dia 14 – Jogo Que Mais Lhe Deu Prazer Apoiá-lo no Kickstarter.

Nenhum. Depois dos problemas que tive com o Numenera BR eu mantenho distância de qualquer iniciativa de financiamento coletivo. Se eu não puder comprar o livro depois, eu não vou me importar.

None. After the problems I had with Numenera BR I keep away from any crowdfunding initiative. If I can not buy the book then I will not care.

RPG-a-DAY 2015.

RPG–a–Day é uma proposta do blog Autocratik  para postagens sobre RPG durante o mês de agosto, sobre assuntos específicos. Eu participei do ano passado e esse ano eu me demorei a decidir se participaria esse ano. Para evitar poluição visual, vou postar 7 itens de cada vez.

RPG-a-Day is a proposal for the Autocratik blog posts about RPG during the month of August, on specific issues. I participated last year and this year it took me decide to participate this year. To avoid visual clutter, I’ll post seven items at a time.

Dia 1 – Qual o futuro lançamento que você está mais ansioso?

Titansgrave: Ashes of Valkana, do Will Weathon. Parece ser um cenário interessante. Eu achei muito bacana o show on line que ele faz para divulgar o cenário.

Titansgrave: Ashes of Valkana, by Wil Wheaton. It seems to be an interesting scenario. I found it very nice the show online than it does to disclose the setting.

Dia 2 – Qual o jogo do Kickstarter que você participou e te deixou mais satisfeito?

Nenhum. Participei de apenas um, o Numenera da editora New Order, que já está atrasado e não tem previsão de quando vai chegar. Por causa disso eu desisti de participar de qualquer atividade de Kickstarter. Se eu não puder comprar o livro depois, numa loja, eu não faço questão de ter o livro.

None. I attended only one, the Numenera, by the publisher New Order, which is already late and has forecast when they will arrive. Because of this I gave up participating in any activity Kickstarter. If I can not buy the book later, a store, I do not issue of having the book.

Dia 3 – O novo jogo favorito dos últimos 12 meses (ou algo assim)

D&D quinta edição. O jogo ficou muito apurado, simples, e extremamente divertido. A melhor edição nos últimos anos.

D&D fifth edition. The game became very acute, simple, and extremely fun. The best edition in recent years.

Dia 4 – Jogo mais surpreendente

Raklot, do autor brasileiro Eugênio “Gene” Cavalcante. É um cenário medieval diferenciado. Está em fase de testes.

Raklot, the Brazilian author Eugene “Gene” Cavalcante. It is a distinctive medieval setting. It is in the testing phase.

Dia 5 – Compra mais recente RPG

Guia dos monstros de D&D, quinta edição. Ainda estou curtindo o livro. Um dos melhores bestiários que eu já vi.

Monster Manual of D&D, Fifth Edition. I’m still enjoying the book. A bestiary one of the best I’ve ever seen.

Dia 6 – RPG jogado mais recentemente

D&D quinta edição. Uma aventura que narrei no evento d30, com uma pegada mais steampunk.

D&D fifth edition. An adventure that narrated the event d30, with a more steampunk feeling.

Dia 7 – RPG favorito (grátis)

Uma adaptação para jogar Final Fantasy Tactics: War of the lions para D&D quinta edição. Achei muito bacana o jeito que transportaram o Black Sheep Knight para o Eldritch Knight.

An adaptation to play Final Fantasy Tactics: War of the Lions for D&D fifth edition. I found it very nice the way it carried the Black Sheep Knight for the Eldritch Knight.

Se você gostou disso e quer escrever também, não esqueça de acrescentar #RPGaDAY2015 quando for compartilhar nas redes sociais

Financiamento coletivo? Não obrigado.

Eu entendo perfeitamente que o crowdfunding (financiamento coletivo) é uma forma bacana de dar à luz a projetos que de outra forma não poderiam ser viabilizados. Muitos livros de rpg e até mesmo pequenas invenções estão sendo financiadas dessa forma. Mas a partir de hoje eu vou manter distância de qualquer forma de financiamento coletivo.

Quando optei por apoiar o Numenera RPG pela editora new order fui informado que o livro estaria pronto no final de julho de 2015. Recebi a confirmação desta data num e-mail da editora de 17 de abril do mesmo ano.  No dia 17 de junho recebi outro e-mail da editora confirmando que o livro já estava sendo diagramado, ou seja, que o livro já estava pronto e mais uma vez confirmaram a data de entrega para o final de julho de 2015.

 Fato é que dado término do mês de julho nada foi entregue. A editora lançou o financiamento de mais dois livros, o 13º era e o Lenda dos cinco anéis e nada do Numenera chegar.

Eis que recebo, no dia 02 de agosto, o e-mail que reproduzo a seguir: “O trabalho ficará pronto no mês de agosto ainda sem dia definido, mas ja podem contar que agosto sera lembrado como o mês que Numenera será publicado no Brasil , iremos apresentar o PDF do livro ja diagramado antes da impressão do livro, com o intuito de que nos ajudem a encontrar possiveis erros na diagramação ou digitação, ou seja qualquer tipo de erro”.

O livro não estava pronto no prazo. De acordo com o que ouvi no facebook a tradução sequer está pronta. Se não é isso, foi a impressão que eu tive ao conversar com uma pessoa que se intitula Eva Morrissey. Entendo perfeitamente que as outras pessoas que pagaram podem achar lindo e maravilhoso que o livro esteja atrasado por N motivos. Mas eu não sou um deles. Eu já fiquei com o pé atrás de financiar um projeto que eu só veria meses 8 depois (efetuei o pagamento em novembro de 2014, num total de R$ 140,00) e agora tenho mais motivos ainda para me preocupar.

Eu, enquanto consumidor, não quero saber de problemas. Quero saber do que foi acordado. Com todo respeito, os problemas de tradução não me interessam. Se eu vou a um restaurante e preço um prato que está no cardápio, quero o prato e não uma desculpa sobre não ter o prato em tempo hábil. O livro foi prometido para uma data. A promessa não foi cumprida. Mas o pagamento foi realizado, no prazo, devo acrescentar. Então, em vez de dar desculpas e tentar ridicularizar quem pagou pelo livro, era melhor a editora trabalhar nele.

A própria Eva Morrissey, que acredito trabalhar para a editora como tradutora faz crer que os consumidores que querem o livro no prazo combinado estão “enchendo”.

É por isso que esta será a primeira e última vez que eu participo de um financiamento coletivo. Se não puder comprar o livro nas lojas depois, que se dane! Continuo jogando em inglês mesmo. O que eu não vou fazer pra deixar o meu dinheiro parado durante vários meses apenas para receber um e-mail dizendo que financiamento atrasou.

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UPDATE: Resolvi não esperar mais pelo livro. Chame do que quiser. Eu solicitei meu dinheiro de volta. É aborrecimento demais por um livro só.

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Meu mundo é um feijão

O que você faria se descobrisse que o seu mundo e tudo o que você conhece não passa de uma experiência de ciências de uma criança de segunda série do ensino fundamental?

Estava lendo assistindo o TitansGrave: Ashes of Valkana, o novo cenário/show do Wil Wheaton, esses dias. A premissa do show é mostrar seus colegas famosos num cenário que parece um porão “super cool nerd dream” jogando o jogo. Mas tudo feito com um profissionalismo bacana e com ilustrações animadas dos personagens e das cenas principais da história. Titansgrave é um show bacana e se você sabe falar inglês vai gostar muito. Mas como eu ia dizendo, quando estava vendo esse show e soube da premissa do cenário não pude deixar de fazer a ligação com outra premissa que eu conheço bem: a de cultivar feijões em algodão molhado.

Para quem não teve infância ou estudou em escolas que não apresentavam o menor desafio intelectivo para seus alunos ou mesmo aqueles que já esqueceram do que se trata eis um lembrete: pegue um chumaço de algodão molhado, coloque-o em um recipiente qualquer, jogue ali alguns grãos de feijão, espere alguns dias, e, você terá um belo pezinho de feijão em sua casa! Tais plantinhas deixam as crianças em uma felicidade tão contagiante, que a gente dá risada à toa, só de ver as carinhas triunfantes deles, “olha, mamãe, como o meu feijão está grande!”. Pois bem, não ria, mas essa experiência já foi realizada até na estação espacial!

E o que uma coisa tem a ver com outra? O que o show de Wil Wheaton tem a ver com a experiência de cultivar feijões em algodão?

Na premissa do Show ficamos sabendo que há muito tempo atrás uma raça de alienígenas poderosos veio ao mundo estéril de Valkana e através de tecnologia ou magia poderosa, deu vida ao planeta, criando suas principais raças, que, logo depois, lutaram entre si pela supremacia do planeta.

Sei que não está incluído na mitologia de Wheaton, mas e se a força criadora que a milhões de anos atrás veio ao mundo e deu-lhe vida não passasse de uma experiência de crianças da segunda série? Uma raça tão avançada e evoluída como essa seria para nós tanto quanto somos avançados em comparação às amebas! É algo bem interessante de se pensar, não é mesmo?

E o mais interessante: como se sentiriam os personagens da história ao saber de algo assim? Quem sabe, investigando os destroços do mundo antigo eles descobrem pistas para essa bizarra descoberta? O que seriam das religiões vigentes, da filosofia, das cidades-estados e das leis caso algo assim fosse revelado? Seria o caos? A destruição de tudo? Ou não mudaria nada? Quem sabe já haja pessoas que saibam da verdade e fariam de tudo – incluindo matar os personagens – para manter a informação sobre sigilo absoluto? É como aquela cena de Men In Black: “O ser humano sozinho é esperto, mas em grupo ele é idiota”. Numa interessante reviravolta do cenário os próprios jogadores podem vir a ser os guardiões desse secular segredo.

Outras reviravoltas que essa premissa pode oferecer é a volta dos criadores. Quem sabe o cara esqueceu de jogar seu algodão com semente de feijão fora e anos depois encontra a planta ainda viva. Como ele lidaria com o que a experiência se tornou? Num dos episódios de “Os Simpsons” Lisa tem uma experiência semelhante, a partir de um mundo criado de um dente seu.

Como essas informações impactariam na sua mesa de jogo? Na minha saberei a resposta no próximo encontro d30: relíquias. Espero vocês lá.

Um conto rápido de shadowrun

Mais uma noite no paraíso

O armazém tinha a aparência de velho e abandonado. Só deus sabe porque estava assim. Os tijolos vermelhos, castigados pela ação do tempo davam uma dica quando tinha sido construído.  Ficava a poucos quilômetros de importantes rodovias e a menos de dez minutos do aeroporto. Aliás, quando os grandes aviões de carga passavam por ele as janelas que não estavam bem chumbadas vibravam e algumas lâmpadas penduradas tremiam.

Julius parou o carro dentro da cerca de arame farpado, procurando um lugar discreto entre os postes de luz que restavam no pátio. Estacionou ao lado de uma lixeira-contâiner de modo que quem passasse pela rua não veria o seu caro. O seu dallek vermelho era um semi-esportivo urbano de motor híbrido. Era um carro razoavelmente rápido e eficiente e não estava na lista dos mais roubados. Mas cuidado nunca era demais.

Jullius era o que podia ser chamado de especialista de segurança freelance. Seu trabalho era, até dois anos arás, testar sistemas de segurança. Se conseguissem pegá-lo invadindo o sistema do lugar, o sistema era aprovado. Era considerado OK. Teve uma carreira sólida até que durante uma de suas incursões a empresa tinha sido invadida de verdade. Uma vez que os funcionários estavam com munição não letal e os invasores estavam com munição letal foi um verdadeiro banho de sangue. O julgamento foi rápido e Julius pode provar sua inocência, mas seu nome estava marcado como “não confiável”. No seu ramo de atuação era o mesmo que uma sentença de morte.

Ele perambulou por alguns bicos até que um dos seus contatos o enviou para empregos “abaixo da linha do radar”. Isso tem um ano. Aquela deveria ser sua sexta missão freelance. Como sempre não tinha muitos detalhes do que ia fazer ou com quem ia trabalhar. O segredo faz parte do negócio. Mas tinham pedido especialmente por ele e não por um especialista em segurança. Ficava divagando quem dos seus antigos empregadores – todos satisfeitos diga-se de passagem – poderia tê-lo indicado.

Antes de descer Julius verificou o equipamento. Uma pistola 10mm carregada com munição explosiva, dois pentes extras de munição, uma granada de fumaça e duas granadas de combate (cortesia do exército). O colete por baixo da camisa lhe daria uma vantagem extra, se ele precisasse usar. Os cabelos negros, curtos e penteados de forma tradicional ajudavam a passar a imagem de profissionalismo. Ele colocou os óculos escuros que lhe garantiam visão noturna e um cyberlink com sua pistola e foi indo em direção a entrada lateral do prédio. Era apenas mais um contrato de trabalho, mas não custava ter cuidado. Ele aproximou seu id-card da porta e a ouviu destrancar. O sistema de segurança do lugar era bom. Bem demais para um prédio que parecia abandonado. As paredes tinham reforço balístico e abafadores. Deveria ter geradores de ruído branco por toda parte. As portas pareciam de madeira compensada, mas isso era apenas casca. Portas blindadas de 6mm de espessura. Seja lá quem for o dono do lugar gostava de privacidade.

Ele seguiu até uma área central onde centenas de máquinas de costura jaziam cobertas com plástico uma do lado da outra. O lugar deveria ser ou ter sido uma confecção clandestina. Centenas de trabalhadores ilegais devem ter derramado muito suor naquele lugar, em turnos de mais de dezoito horas de trabalho. Ele passou pelas máquinas virando a direita para uma placa que dizia escritório do gerente. Ele entrou sem bater.

– Parece que nosso último convidado chegou. Como senhor chegou atrasado vai ter qe ficar com o codinome que sobrou. Nesta missão nos tratamos apenas por codinomes. Quanto menos cada um de nós souber… – “Menos cada um de nós pode dedurar os outros” pensou Julius pensando que tipo de codinome idiota tinha sobrado para ele. Ele olhou demoradamente para o que parecia ser o seu contratador. Era um ork de meia idade, usando calça jeans e sapatos de imitação de couro. Usava uma camiseta preta e por cima dela uma camisa de flanela vermelha. – Bem, o senhor vai ficar com Yellow-5. Deixe-me apresentar seus colegas de equipe.

Ele foi apontado para cada um deles. Primeiro um humano de feições orientais cheio de implantes cibernéticos. Deveria ser um samurai urbano. Combatente de primeira. Red-1. O segundo foi uma menina elfa (ou seria menino? elfos são todos assim meio andróginos). Tinha olhos espelhados e deveria ser uma decker de mão cheia a julgar pelo bracelete high-tech que tinha num dos braços. Blue-2. O terceiro era um mago urbano, sem dúvida. Trazia uma bengala de aço escovado com uma cabeça de dragão estilizada na ponta. Sua pele negra e as cicatrizes de queimadura apenas afirmava o óbvio: o cara aprendeu magia pelo meio mais difícil. Black-3. Não deixava de ser irônico. O quarto deles era um ork, calvo e com a aparência de drogado. Suas mãos tremiam de leve. Ele deveria ter tantos chips de ampliação de reflexos que provavelmente seria capaz de pegar uma bala de magnun com os dentes. Green-4.

– Agora de volta ao plano…

Julius, ou melhor, Yellow-4 olhou para a tela de projeção onde mapas e fotos eram mostradas. Seria uma missão das boas.

Era bom demais para ser verdade.

Quando a esmola é demais o santo desconfia, já dizia o adágio popular que tantas vezes ouvira na juventude. A missão até agora tinha sido uma uva. Todos os colegas eram profissionais de alto nível. Especialistas em suas zonas de atuação. A missão era simples: seguir até um laboratório mais ou menos secreto no meio de uma floresta e trazer de lá um cientista chamado Dr. Fuentes. O cara trabalhava com um novo tipo de lente de contato holográfica. Moda cyber. O tipo da coisa que nem dá assim tanto dinheiro, mas que gera muita renda para quem sabe aproveitar.

O empregador não tinha economizado no budget: o piloto era dos melhores. Já tinha ouvido falar nele. Um texano chamado Wild Bill McCloud. Eles foram até um aeroclube, pegaram um VDV (Veículo de decolagem vertical) chamado comumente de Vert-bird pintado com as cores da empresa e foram até o ponto de extração.

Tudo corria bem. A autorização foi concedida via rádio com os códigos comprados daquele ex-funcionário da empresa. Estavam todos vestidos com uniforme da equipe de segurança. Deveria ser apenas uma visita de rotina. Todo mundo descia. O elfo deveria tomar conta do sistema de dados deles para facilitar a nossa entrada e saída do lugar, enquanto Yellow-4 buscava o doutor, garantindo que ele se vestisse como um funcionário da segurança.

O elfo invadiu os sistemas e o doutor coube no macacão de piloto. Mesmo carregando uma maleta com todos os dados de pesquisa conseguiram deixar a base. Estavam todos a caminho de volta, quase comemorando, quando alguma coisa deu errado. Não dá para saber o que foi. Quem sabe algum decker corporativo percebeu a invasão ou outro funcionário se tocou de que a autorização de pouso e decolagem eram de um piloto desligado da empresa. Fato é que meia hora depois da partida meia dúzia de drones veio cuspindo fogo no vert-bird.

A diferença entre um piloto vagabundo que apenas “se conecta” à máquina com chips baratos e um verdadeiro rigger como Wild Bill ficou patente dos dez primeiros segundos de batalha aérea: 3 drones abatidos e nenhum tiro na aeronave. Mas um tiro de sorte acabou acertando o rotor de uma das asas e sem ele o vert-bird voava igualzinho a um tijolo.

Bill fez tudo o que podia para amortecer a queda. e conseguiu… com o custo de sua vida. A nave havia caído em algum lugar entre o laboratório da Future Lens e o ponto de extração. Floresta temperada. Meio densa. Todo mundo desceu mais ou menos inteiro. Pegaram o equipamento que podiam carregar e se puseram em marcha, seguindo Green-4 mata á dentro.

É… estava bom demais para ser verdade…

Pague pelo que comeu, ou morra de fome

Ou… nem relógio trabalha “degraça”.

Olá gente, faz tempo que não escrevo aqui. Nem sei se ainda tem alguém que acessa isso. Mas vamos ver se consigo colocar algumas palavras que andam me afligindo nos últimos dias. É uma situação do mundo real que eu queria transportar para o mundo do jogo, mas acabei raciocinando melhor e penso que ela deve discutida no seu mundo de origem, o nosso.

Como lido com o rpg por hobbie tem alguns anos eu já vi de tudo neste meio. Conheço um bom número de autores e escritores do meio, sem falar de tradutores, diagramadores e desenhistas. Muitos deles meus amigos pessoais.  Essa postagem é meio que dedicada a gente como Cláudio Pozzas, Márcio Fiorito, Marco Morte, Maria Zanini, entre outras.

Mas foi a postagem de uma desenhista chamada Samara que me chamou atenção. Ela postou os “screenshots” de uma conversa que ela teve com um rapaz chamado Robson que queria que ela fizesse umas poucas ilustrações para ele (15 num total, coisa rápida), mas que não tinha condições de pagar porque tinha “outras despesas”.

A profissional agiu com a ironia que gente como esse tal de Robson merece. Vivemos num mundo capitalista onde, nas palavras de Pedro Bial, “tudo tem um preço e nada tem valor”. Uma coisa é você querer fazer trabalho voluntário e doar seu tempo, recursos e trabalho para alguém, mas outra é as pessoas acharem que “o que custa você usar o talento que Deus lhe deu para ajudar o próximo”.

Gente como o Robson me deixam sinceramente enojado. Quer dizer que você pode pagar para comer no seu restaurante de fastfood favorito, pode dar uma esticada no seu cinema favorito para ver o filme 7 da sua franquia favorita (menos o Fábio Pochat que só assiste “tudo pela audiência”), paga de bom grado para poder voltar de transporte público para casa e depois quer que alguém faça algo para você de graça? Assim, na boa? 0-800?

Ah Betão, mas estes artistas vendem rios de dinheiro e recebem muito bem. O que são umas poucas 15 ilustrações de photoshop no estilo “Sakimi-chan”, uma traduçãozinha de 150 páginas (você é talentosa, faz isso num piscar de olhos), dar uma revisada de leve na minha monografia, tudo de graça, com a promessa de que você pode contar com a pessoa depois? Se é assim, Zeca de Pindura, por que você não abastece o carro e deixa de pagar? Tenho certeza que o posto de gasolina que vende milhões de litros por semana não vai se importar com isso. Por que pagar pela comida de um restaurante ou mercado quando tem tantos outros clientes que pagam pelo serviço? Aliás, por que você, que concorda com gente como o Robson, não chega para o seu chefe e diz que esse mês você não quer receber seu salário? Que nesse mês em especial você vai fazer tudo de graça. Não rola né? Por que com outras pessoas você acha que rola?

Parabéns à desenhista e ilustradora Samara, da comunidade Mundo Mara do facebook, que acaba de ganhar um fã e um like. E Robson, se você estiver lendo isso, vá se foder.

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