Meu mundo é um feijão

O que você faria se descobrisse que o seu mundo e tudo o que você conhece não passa de uma experiência de ciências de uma criança de segunda série do ensino fundamental?

Estava lendo assistindo o TitansGrave: Ashes of Valkana, o novo cenário/show do Wil Wheaton, esses dias. A premissa do show é mostrar seus colegas famosos num cenário que parece um porão “super cool nerd dream” jogando o jogo. Mas tudo feito com um profissionalismo bacana e com ilustrações animadas dos personagens e das cenas principais da história. Titansgrave é um show bacana e se você sabe falar inglês vai gostar muito. Mas como eu ia dizendo, quando estava vendo esse show e soube da premissa do cenário não pude deixar de fazer a ligação com outra premissa que eu conheço bem: a de cultivar feijões em algodão molhado.

Para quem não teve infância ou estudou em escolas que não apresentavam o menor desafio intelectivo para seus alunos ou mesmo aqueles que já esqueceram do que se trata eis um lembrete: pegue um chumaço de algodão molhado, coloque-o em um recipiente qualquer, jogue ali alguns grãos de feijão, espere alguns dias, e, você terá um belo pezinho de feijão em sua casa! Tais plantinhas deixam as crianças em uma felicidade tão contagiante, que a gente dá risada à toa, só de ver as carinhas triunfantes deles, “olha, mamãe, como o meu feijão está grande!”. Pois bem, não ria, mas essa experiência já foi realizada até na estação espacial!

E o que uma coisa tem a ver com outra? O que o show de Wil Wheaton tem a ver com a experiência de cultivar feijões em algodão?

Na premissa do Show ficamos sabendo que há muito tempo atrás uma raça de alienígenas poderosos veio ao mundo estéril de Valkana e através de tecnologia ou magia poderosa, deu vida ao planeta, criando suas principais raças, que, logo depois, lutaram entre si pela supremacia do planeta.

Sei que não está incluído na mitologia de Wheaton, mas e se a força criadora que a milhões de anos atrás veio ao mundo e deu-lhe vida não passasse de uma experiência de crianças da segunda série? Uma raça tão avançada e evoluída como essa seria para nós tanto quanto somos avançados em comparação às amebas! É algo bem interessante de se pensar, não é mesmo?

E o mais interessante: como se sentiriam os personagens da história ao saber de algo assim? Quem sabe, investigando os destroços do mundo antigo eles descobrem pistas para essa bizarra descoberta? O que seriam das religiões vigentes, da filosofia, das cidades-estados e das leis caso algo assim fosse revelado? Seria o caos? A destruição de tudo? Ou não mudaria nada? Quem sabe já haja pessoas que saibam da verdade e fariam de tudo – incluindo matar os personagens – para manter a informação sobre sigilo absoluto? É como aquela cena de Men In Black: “O ser humano sozinho é esperto, mas em grupo ele é idiota”. Numa interessante reviravolta do cenário os próprios jogadores podem vir a ser os guardiões desse secular segredo.

Outras reviravoltas que essa premissa pode oferecer é a volta dos criadores. Quem sabe o cara esqueceu de jogar seu algodão com semente de feijão fora e anos depois encontra a planta ainda viva. Como ele lidaria com o que a experiência se tornou? Num dos episódios de “Os Simpsons” Lisa tem uma experiência semelhante, a partir de um mundo criado de um dente seu.

Como essas informações impactariam na sua mesa de jogo? Na minha saberei a resposta no próximo encontro d30: relíquias. Espero vocês lá.

Um conto rápido de shadowrun

Mais uma noite no paraíso

O armazém tinha a aparência de velho e abandonado. Só deus sabe porque estava assim. Os tijolos vermelhos, castigados pela ação do tempo davam uma dica quando tinha sido construído.  Ficava a poucos quilômetros de importantes rodovias e a menos de dez minutos do aeroporto. Aliás, quando os grandes aviões de carga passavam por ele as janelas que não estavam bem chumbadas vibravam e algumas lâmpadas penduradas tremiam.

Julius parou o carro dentro da cerca de arame farpado, procurando um lugar discreto entre os postes de luz que restavam no pátio. Estacionou ao lado de uma lixeira-contâiner de modo que quem passasse pela rua não veria o seu caro. O seu dallek vermelho era um semi-esportivo urbano de motor híbrido. Era um carro razoavelmente rápido e eficiente e não estava na lista dos mais roubados. Mas cuidado nunca era demais.

Jullius era o que podia ser chamado de especialista de segurança freelance. Seu trabalho era, até dois anos arás, testar sistemas de segurança. Se conseguissem pegá-lo invadindo o sistema do lugar, o sistema era aprovado. Era considerado OK. Teve uma carreira sólida até que durante uma de suas incursões a empresa tinha sido invadida de verdade. Uma vez que os funcionários estavam com munição não letal e os invasores estavam com munição letal foi um verdadeiro banho de sangue. O julgamento foi rápido e Julius pode provar sua inocência, mas seu nome estava marcado como “não confiável”. No seu ramo de atuação era o mesmo que uma sentença de morte.

Ele perambulou por alguns bicos até que um dos seus contatos o enviou para empregos “abaixo da linha do radar”. Isso tem um ano. Aquela deveria ser sua sexta missão freelance. Como sempre não tinha muitos detalhes do que ia fazer ou com quem ia trabalhar. O segredo faz parte do negócio. Mas tinham pedido especialmente por ele e não por um especialista em segurança. Ficava divagando quem dos seus antigos empregadores – todos satisfeitos diga-se de passagem – poderia tê-lo indicado.

Antes de descer Julius verificou o equipamento. Uma pistola 10mm carregada com munição explosiva, dois pentes extras de munição, uma granada de fumaça e duas granadas de combate (cortesia do exército). O colete por baixo da camisa lhe daria uma vantagem extra, se ele precisasse usar. Os cabelos negros, curtos e penteados de forma tradicional ajudavam a passar a imagem de profissionalismo. Ele colocou os óculos escuros que lhe garantiam visão noturna e um cyberlink com sua pistola e foi indo em direção a entrada lateral do prédio. Era apenas mais um contrato de trabalho, mas não custava ter cuidado. Ele aproximou seu id-card da porta e a ouviu destrancar. O sistema de segurança do lugar era bom. Bem demais para um prédio que parecia abandonado. As paredes tinham reforço balístico e abafadores. Deveria ter geradores de ruído branco por toda parte. As portas pareciam de madeira compensada, mas isso era apenas casca. Portas blindadas de 6mm de espessura. Seja lá quem for o dono do lugar gostava de privacidade.

Ele seguiu até uma área central onde centenas de máquinas de costura jaziam cobertas com plástico uma do lado da outra. O lugar deveria ser ou ter sido uma confecção clandestina. Centenas de trabalhadores ilegais devem ter derramado muito suor naquele lugar, em turnos de mais de dezoito horas de trabalho. Ele passou pelas máquinas virando a direita para uma placa que dizia escritório do gerente. Ele entrou sem bater.

– Parece que nosso último convidado chegou. Como senhor chegou atrasado vai ter qe ficar com o codinome que sobrou. Nesta missão nos tratamos apenas por codinomes. Quanto menos cada um de nós souber… – “Menos cada um de nós pode dedurar os outros” pensou Julius pensando que tipo de codinome idiota tinha sobrado para ele. Ele olhou demoradamente para o que parecia ser o seu contratador. Era um ork de meia idade, usando calça jeans e sapatos de imitação de couro. Usava uma camiseta preta e por cima dela uma camisa de flanela vermelha. – Bem, o senhor vai ficar com Yellow-5. Deixe-me apresentar seus colegas de equipe.

Ele foi apontado para cada um deles. Primeiro um humano de feições orientais cheio de implantes cibernéticos. Deveria ser um samurai urbano. Combatente de primeira. Red-1. O segundo foi uma menina elfa (ou seria menino? elfos são todos assim meio andróginos). Tinha olhos espelhados e deveria ser uma decker de mão cheia a julgar pelo bracelete high-tech que tinha num dos braços. Blue-2. O terceiro era um mago urbano, sem dúvida. Trazia uma bengala de aço escovado com uma cabeça de dragão estilizada na ponta. Sua pele negra e as cicatrizes de queimadura apenas afirmava o óbvio: o cara aprendeu magia pelo meio mais difícil. Black-3. Não deixava de ser irônico. O quarto deles era um ork, calvo e com a aparência de drogado. Suas mãos tremiam de leve. Ele deveria ter tantos chips de ampliação de reflexos que provavelmente seria capaz de pegar uma bala de magnun com os dentes. Green-4.

– Agora de volta ao plano…

Julius, ou melhor, Yellow-4 olhou para a tela de projeção onde mapas e fotos eram mostradas. Seria uma missão das boas.

Era bom demais para ser verdade.

Quando a esmola é demais o santo desconfia, já dizia o adágio popular que tantas vezes ouvira na juventude. A missão até agora tinha sido uma uva. Todos os colegas eram profissionais de alto nível. Especialistas em suas zonas de atuação. A missão era simples: seguir até um laboratório mais ou menos secreto no meio de uma floresta e trazer de lá um cientista chamado Dr. Fuentes. O cara trabalhava com um novo tipo de lente de contato holográfica. Moda cyber. O tipo da coisa que nem dá assim tanto dinheiro, mas que gera muita renda para quem sabe aproveitar.

O empregador não tinha economizado no budget: o piloto era dos melhores. Já tinha ouvido falar nele. Um texano chamado Wild Bill McCloud. Eles foram até um aeroclube, pegaram um VDV (Veículo de decolagem vertical) chamado comumente de Vert-bird pintado com as cores da empresa e foram até o ponto de extração.

Tudo corria bem. A autorização foi concedida via rádio com os códigos comprados daquele ex-funcionário da empresa. Estavam todos vestidos com uniforme da equipe de segurança. Deveria ser apenas uma visita de rotina. Todo mundo descia. O elfo deveria tomar conta do sistema de dados deles para facilitar a nossa entrada e saída do lugar, enquanto Yellow-4 buscava o doutor, garantindo que ele se vestisse como um funcionário da segurança.

O elfo invadiu os sistemas e o doutor coube no macacão de piloto. Mesmo carregando uma maleta com todos os dados de pesquisa conseguiram deixar a base. Estavam todos a caminho de volta, quase comemorando, quando alguma coisa deu errado. Não dá para saber o que foi. Quem sabe algum decker corporativo percebeu a invasão ou outro funcionário se tocou de que a autorização de pouso e decolagem eram de um piloto desligado da empresa. Fato é que meia hora depois da partida meia dúzia de drones veio cuspindo fogo no vert-bird.

A diferença entre um piloto vagabundo que apenas “se conecta” à máquina com chips baratos e um verdadeiro rigger como Wild Bill ficou patente dos dez primeiros segundos de batalha aérea: 3 drones abatidos e nenhum tiro na aeronave. Mas um tiro de sorte acabou acertando o rotor de uma das asas e sem ele o vert-bird voava igualzinho a um tijolo.

Bill fez tudo o que podia para amortecer a queda. e conseguiu… com o custo de sua vida. A nave havia caído em algum lugar entre o laboratório da Future Lens e o ponto de extração. Floresta temperada. Meio densa. Todo mundo desceu mais ou menos inteiro. Pegaram o equipamento que podiam carregar e se puseram em marcha, seguindo Green-4 mata á dentro.

É… estava bom demais para ser verdade…

Pague pelo que comeu, ou morra de fome

Ou… nem relógio trabalha “degraça”.

Olá gente, faz tempo que não escrevo aqui. Nem sei se ainda tem alguém que acessa isso. Mas vamos ver se consigo colocar algumas palavras que andam me afligindo nos últimos dias. É uma situação do mundo real que eu queria transportar para o mundo do jogo, mas acabei raciocinando melhor e penso que ela deve discutida no seu mundo de origem, o nosso.

Como lido com o rpg por hobbie tem alguns anos eu já vi de tudo neste meio. Conheço um bom número de autores e escritores do meio, sem falar de tradutores, diagramadores e desenhistas. Muitos deles meus amigos pessoais.  Essa postagem é meio que dedicada a gente como Cláudio Pozzas, Márcio Fiorito, Marco Morte, Maria Zanini, entre outras.

Mas foi a postagem de uma desenhista chamada Samara que me chamou atenção. Ela postou os “screenshots” de uma conversa que ela teve com um rapaz chamado Robson que queria que ela fizesse umas poucas ilustrações para ele (15 num total, coisa rápida), mas que não tinha condições de pagar porque tinha “outras despesas”.

A profissional agiu com a ironia que gente como esse tal de Robson merece. Vivemos num mundo capitalista onde, nas palavras de Pedro Bial, “tudo tem um preço e nada tem valor”. Uma coisa é você querer fazer trabalho voluntário e doar seu tempo, recursos e trabalho para alguém, mas outra é as pessoas acharem que “o que custa você usar o talento que Deus lhe deu para ajudar o próximo”.

Gente como o Robson me deixam sinceramente enojado. Quer dizer que você pode pagar para comer no seu restaurante de fastfood favorito, pode dar uma esticada no seu cinema favorito para ver o filme 7 da sua franquia favorita (menos o Fábio Pochat que só assiste “tudo pela audiência”), paga de bom grado para poder voltar de transporte público para casa e depois quer que alguém faça algo para você de graça? Assim, na boa? 0-800?

Ah Betão, mas estes artistas vendem rios de dinheiro e recebem muito bem. O que são umas poucas 15 ilustrações de photoshop no estilo “Sakimi-chan”, uma traduçãozinha de 150 páginas (você é talentosa, faz isso num piscar de olhos), dar uma revisada de leve na minha monografia, tudo de graça, com a promessa de que você pode contar com a pessoa depois? Se é assim, Zeca de Pindura, por que você não abastece o carro e deixa de pagar? Tenho certeza que o posto de gasolina que vende milhões de litros por semana não vai se importar com isso. Por que pagar pela comida de um restaurante ou mercado quando tem tantos outros clientes que pagam pelo serviço? Aliás, por que você, que concorda com gente como o Robson, não chega para o seu chefe e diz que esse mês você não quer receber seu salário? Que nesse mês em especial você vai fazer tudo de graça. Não rola né? Por que com outras pessoas você acha que rola?

Parabéns à desenhista e ilustradora Samara, da comunidade Mundo Mara do facebook, que acaba de ganhar um fã e um like. E Robson, se você estiver lendo isso, vá se foder.

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42º Encontro d30 de RPG e Armas de fogo para D&D 5e.

A ideia para este pequeno artigo vem maturando na minha cabeça desde que eu fiquei sabendo do 42º segundo evento do grupo d30. O tema era o steampunk ou o vaporpunk. Para quem não sabe steampunk é um subgênero da ficção científica que ganhou fama no final dos anos 1980 e início dos anos 1990. Trata-se de obras ambientadas no passado, no qual os avanços e descobertas tecnológicas modernas ocorreram mais cedo do que na História real (ou em um universo com características similares), mas foram obtidos por meio da ciência já disponível naquela época – como, por exemplo, computadores de madeira e aviões movidos a vapor.

O gênero steampunk  é baseado num universo de ficção cientifica criado por autores consagrados como Júlio Verne no fim do século XIX, ele mostra uma realidade espaço-temporal na qual a tecnologia mecânica a vapor teria evoluído até níveis impossíveis (ou pelo menos improváveis), com automóveis, aviões e até mesmo robôs movidos a vapor já naquela época.

Então eu resolvi criar uma aventura que usava o sistema D&D 5e, mas com toque de steampunk: barcos voadores movidos a vapor, aventuras estilo pulp ou folhetim, personagens fortes, vilões marcantes e, é claro, armas de fogo.

O cenário era o planeta terra mesmo, mas com muitas diferenças históricas. A magia existia desde sempre e as raças fantásticas também. Vou descrever abaixo o mesmo que falei no prelúdio aos jogadores.

O império românico (baseado na Roma antiga) era o maior império do planeta e em seu auge ia desde a Bretônia (Inglaterra) até as terras do Porto Oriental (Constantinopla/Istambul). Do alto das terras dos Rus (Rússia) até o mar mediterrâneo (neste cenário o continente africano não existe a não ser por pequenas porções de terra mais ao norte onde ficava o antigo império Egipcio). Mas uma mal sucedida incursão do exército românico despertou uma antiga e adormecida raça de gigantes, invulneráveis às armas e as magias do ocidente. Uma enorme muralha, chamada de Muralha de Adriano foi construída. Com 300 metros de altura e mais de 6 mil quilômetros de extensão a muralha foi construída em pouco mais de dois anos. Novas armas foram inventadas para vencer tais feras gigantes. Mas as armas usavam um minério raro para serem fabricadas: orichalcum.

Os custos da muralha foram um golpe poderoso demais para o império. Ele se fragmentou em uma dezena de reinos menores logo depois, cada um deles prometendo manter a muralha em pleno funcionamento – caso não o fizessem, seriam destruídos pelos inimigos. Com o passar do tempo os veios do minério de orichalcum escassearam. Uma medida desesperada foi enviar barcos para ver o que havia do outro lado do oceano.

Novas terras foram descobertas no ano 392 dM (depois da Muralha). As novas terras não eram apenas ricas em minério como também em muitas outras riquezas, como a lenha de ferro (uma madeira tratada que era tão resistente quanto o ferro), o café, o chocolate (a bebida dos deuses) entre outros tesouros.

A fim de colonizar essas terras os conjuradores das grandes nações descobriram uma terra paralela onde havia um continente cheio de seres humanos saudáveis. A única diferença deles para os humanos de Eurásia é que eles tinham pele negra, Eles então começaram a sequestrar essas pessoas de sua dimensão de origem, convertendo-os em escravos. Tratados como mercadoria esses seres são vendidos como mão de obra barata nas terras do novo mundo. Muitos deles se revoltaram e fugiram, buscando a tão sonhada liberdade.

Hoje, 300 anos depois navios carregados de riquezas singram os mares ocidentais carregados de riquezas. O mundo novo, como foi batizado, atrai exploradores de todos os tipos em busca de fama, fortuna e aventura.

Vocês foram convocados para a cidade de Ravana, a maior cidade do império de Castelã, a convite de um antigo companheiro de viagens do Lorde Corsário…

Os personagens estavam ligados ao cenário para facilitar a aventura:

  • Lady EdwinaRoxton – Humana – ranger 3. Neta de Robert Roxton, o famoso Lorde Corsário que comprou sua própria nobreza e filha de Edward Roxton, nobre e co-fundador do clube dos exploradores de Londinium. Educada pela alta nobreza Edwina cresceu ouvindo as histórias do avô e do pai sobre suas aventuras. Vista como uma aventureira audaz e imprevisível Edwina singra os mares do novo mundo em busca de emoção, fortuna e aventura.
  • Gordon “Alf” Chamway – Elfo – mago 3. Mago criado dentro das tradições arcanistas dos altos elfos. Dono de um vasto conhecimento sobre história, teoria da magia, é um pesquisador incansável e insaciável. Ele é fascinado, especialmente, pelas ruínas das civilizações perdidas do novo mundo. Ele é um dos poucos não-dragões que falam fluentemente a língua dos dragões.
  • Adelawe – Meio-elfo – ladino 3. Filho ilegítimo de Legartius, bucaneiro, assassino, atirador e antigo companheiro do famoso corsário Robert Roxton, avô de Edwina. Marinheiro desde o nascimento ele viaja pelo mundo em busca do maior tesouro (na sua opinião): a aceitação e aprovação do seu pai (que atualmente vive numa mansão na ilha de Tortuga). Marinheiro sagaz, ele segue os passos do pai, também conseguindo ser aceito na infame irmandade dos assassinos. Corajoso, discreto, e seguro de si é um companheiro valioso para se ter ao lado e um inimigo temido para se enfrentar. Não confia em armas de fogo.
  • Draggo – Dragonborn – Guerreiro 3. Guerreiro mercenário, contratado por Edwina para ser “um juggernaut no campo de batalha”. Visto pelos outros como uma máquina de morte e destruição, Draggo é um guerreiro honrado que sempre cumpre com a palavra. Na verdade ele viaja com Edwina como desculpa. Ele está em busca de vingança, buscando um mago de cabelos azuis e que usa uma exótica máscara de cerâmica branca que matou todos os seus companheiros.

Não vou falar do roteiro da aventura aqui, mas o final não foi o que os jogadores esperavam. Bom, mas para que a aventura rolasse bacana eu precisava das regras para armas de fogo. Como o novo D&D é simples resolvi manter tudo simples. Existem Quatro tipos de armas de fogo: pistolas, mosquetes, granadas e canhões.

Usei como referência o guia de armas do d20 moderno. Ficou assim:

Pistola – 2d6 – perfuração. 1 disparo. 6 rodadas para recarregar.

Mosquete – 2d8 – perfuração. 1 disparo. 6 rodadas para recarregar.

Granada – 3d6 – explosão fogo/corte. Pavio de 1 a 3 rodadas.

Canhão – 4d6 + 10 – explosão (daquelas).

Ficou bem simples. Usa Destreza para atacar o modificador de Destreza vai para o dano. Edwina, por exemplo, carregava 4 pistolas carregadas, prontas para ação.

Pistola pederneira [+4; 2d6+2 perfuração, 1 tiro, recarga 6 rodadas completas]. Como regra se o cara passasse num teste de salvamento de Destreza CD 15 poderia fazer a recarga na metade do tempo.

A aventura ficou bacana, uma vez que todo mundo poderia ter acesso às tais armas – menos o elfo, que achava que elas faziam barulho demais. Aliás eu gostei tanto dessa regra simples eu mesmo que saia alguma coisa oficial da wizards eu vou continuar usando essa aqui.

O evento foi tudo de bom. Quem perdeu, perdeu!

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Vigilantes

Vigilante

Uma proposta de RPG para ser debatida, ou no mínimo testada.

Vou começar esse post fazendo uma charada: o que Robin, Arqueiro Verde, Batman, Capuz Vermelho, Justiceiro, Shang-Chi (o mestre do Kung Fu), Elektra, Cavaleiro da Lua, Palhaço e Filha (Caça-corpos), Big Daddy e HitGirl têm em comum? Pense um pouco. Além do óbvio, de serem todos personagens dos quadrinhos, muitos dos quais eu gosto muito, o que mais eles têm em comum? Super poderes zero. São personagens que representam um conceito chamado Pico da Condição Física Humana: todos eles estão em uma condição física superior para um ser humano da sua idade. Outro item em comum é que todos, a seu modo, são combatentes do crime.

Existe algo de realmente fascinante em super heróis que não tem superpoderes. O poder deles vem muito mais de suas determinações e habilidades desenvolvidas do que de seus gadgets: embora o Batman tenha o cinto de utilidades, não é ele o cinto que faz o herói, bem ao contrário do homem de ferro. Sem o cinto o Batman pode dar conta de dez bandidos tem muitos problemas; sem a armadura Stark não daria conta de vencer a maioria das pessoas que está lendo isso aqui.

Outro ponto interessante do conceito do vigilante é a mortalidade envolvida. Um bom tiro no peito pode ser a morte instantânea, ou pelo menos alguns meses de molho na sua “vigilante-caverna-esconderijo-secreto”. Eles estão muito mais próximos da humanidade e seus problemas mais escorchantes do que qualquer um. Ok, o Super Homem pode deter um meteoro que destruiria a terra e o Quarteto Fantástico pode impedir que o Dr. Destino viaje no tempo e  conquiste o mundo, mas é gente como o Cavaleiro da Lua e o Arqueiro Verde que vão lidar com traficantes de drogas, assaltantes de banco e pistoleiros contratados para dar fim a pessoas indesejáveis. Outro ponto digno de nota é a vida dupla que a maioria deve seguir. Manter as aparências, os relacionamentos com amigos e familiares, o emprego formal podem ser desafios tão grandes quanto uma gang de rua que de repente tem acesso a equipamento militar de alto nível.

A maioria dos rpgs disponíveis hoje em dia apresenta suporte para esse tipo de campanha, muito mais do que se imagina. Um mortal em Vampiro: a máscara, montado com o sub-sistema de Caçadores Caçados, um herói de 101 pontos em Daemon, um vigilante NP 08 (ou menos!) em Mutantes e Malfeitores, todos eles e muito mais exemplos, podem servir para pano de fundo pra esse tipo de campanha. Sem misticismo. Sem correr mais rápido que uma locomotiva ou saltar altos prédios com um simples passo. Sem anéis da tropa dos lanternas verdes. Sem soro do supersoldado. Sem armaduras de combate supertecnológicas.

Penso em escrever um mini-cenário sobre isso. Descritivo, apenas, para que você possa usar suas idéias na sua própria mesa e sistema de vigilantes sem precisar se preocupar em adaptar nada.

Classes extras para D&D 5e.

Precisamos mesmo delas?

Recentemente um conhecido meu postou duas core-classes “novas” para o novo D&D 5e. O Samurai e o Cavaleiro. Cada classe tinha suas próprias características, poderes e habilidades – algumas bem roubadas e desbalanceadas. Mas não foi nem isso que chamou a minha atenção. O que chamou a atenção foi justamente outro comentário:

“Não acho que seja necessário criar uma classe pra representar o samurai ou o cavaleiro. Ambas as classes podem ser guerreiro ou até paladino com um background bem escolhido e escrito. As escolhas do elo e do defeito podem fazer fácil o arquétipo do samurai. (…) Resumindo: quebrado e desnecessário. Basta um Guerreiro (com o background Nobre) e a especialização Mestre da Guerra para fazer um bom samurai ou um paladino nas mesmas condições para fazer um cavaleiro”.

Isso abre uma discussão interessante: precisamos mesmo de classes novas com um sistema tão novo como o 5e? Não exploramos nem 20% do livro ainda! Pare para pensar: o que é um Viking se não um bárbaro ou guerreiro com roupas, armas e costumes diferentes? Uma bruxa boa nada mais é do que uma Warlock que se ressente do seu pacto. Mesmo um Caçador de Vampiros nada mais é do que um personagem que foi focado em na perseguição, destruição e eliminação destas criaturas: paladinos, rangers, bárbaros, magos, clérigos, e até mesmo ladinos podem ser ótimos caçadores de vampiros. Cada um com suas características únicas, só que direcionadas pela escolha do background e da especialização.

O mesmo vale para qualquer um, mesmo o mais vil dos assassinos: matar não requer nenhum poder especial – apenas a habilidade de distribuir encontros entre deuses e seus devotos por meio da morte. Escolher um título pomposo não deveria forçar você a ir dentro de um livro novo apenas para escolher uma nova classe. No que o assassino do manto branco é melhor que o assassino comum, igualmente bem montado?

Escolher um conceito novo não deveria dar a você também novos poderes ou habilidades. Um samurai especialista em arcos poderia muito bem ser feito com um guerreiro ou ranger com especialização em arcos e não com uma classe completamente nova, cheia de poderes normalmente desproporcionais. Bons personagens são aqueles que focalizam suas perícias e habilidades para fazer aquilo que o jogador deseja.

Um bom exemplo disso é a personagem secundária Miko Miyazaki (http://en.wikipedia.org/wiki/Miko_Miyazaki) da web comic “Order of The Stick”. Apesar de portar uma katana e uma wakizashi, e de ter sido criada em Azure City – uma cidade que lembra de certa forma a cultura militarizada dos samurais do Japão Feudal, Miko não tem nada de samurai com ela. Ela é apenas uma Paladina – como frisou o autor em uma de suas tirinhas – com pouca capacidade de diferenciar bondade de justiça. Em outras palavras, você pode usar uma katana, uma wakizashi e falar de honra e de justiça, sem jamais ter posto os olhos no “Aventuras Orientais” ou no Mítica – os caminhos do oriente”. E o mesmo vale para qualquer outra coisa: você não precisa ter lido nenhuma linha de novos sub sistemas dentro do próprio D&D pra se divertir com alguma coisa nova e interessante.

Outro bom exemplo disso é o personagem encarnado por Silvester Stallone – John Rambo. No primeiro filme ele não passa de um ex-fuzileiro que se tornou um andarilho num mundo que não o quer ou que não precisa mais de seus serviços. O que ele lhe parece? Um ranger (com o background Forasteiro) que depois da guerra perdeu seu lar e seus amigos e hoje vive como um pária sem rumo. Adicione a isso as lições de sobrevivência do Rambo I e você terá um ranger como nenhum outro.

Quer dizer que é errado usar multiclass, classes extra-oficiais ou coisas assim? De forma alguma. Você usa aquilo que prefere. Para alguns jogadores não basta o título – para eles um ninja é mais que um cara que usa roupas negras e porta uma espada com um monte de shurikens. Para eles, o ninja precisa ser retratado como eles acham que ele é. Daí surgem as centenas de variáveis da classe. Mas tudo bem. RPG sempre foi e sempre vai ser um jogo de escolhas e não de restrições.

Background: Ex-escravo para D&D 5e

Ex-escravo

“Eu não tenho recordações da minha vida anterior, da minha vida antes dessas marcas que cobrem todo o meu corpo. A minha primeira lembrança é a dor excruciante que senti ao recebê-las. O meu antigo mestre me chamava de pequeno tigre por conta dessas marcas que ele me fez. Hoje o tigre cresceu e está faminto por vingança”. – Fenris, Elfo Guerreiro, Ex-escravo.

 

Você passou toda ou boa parte de sua vida trabalhando como escravo para o benefício de outras pessoas. Você pode ter sido sequestrado e vendido como escravo, condenado por um crime especialmente cruel ou simplesmente ter nascido nesta condição. Seja lá como for hoje você é livre para se aventurar pelo mundo tendo comprado ou conquistado sua liberdade.

 

 

Proficiências:

Insight e Sobrevivência.

 

Ferramentas

Um conjunto de ferramentas de artesão relacionado à sua antiga profissão como escravo.

 

Idiomas

Uma linguagem bônus usada por seus antigos mestres.

 

Equipamento

Uma muda de roupas comuns, um conjunto de ferramentas de artesão, uma pequena bolsa contendo objetos sortidos como moedas e pedras semipreciosas num valor total de 10 moedas de ouro.

Customização

Escolha ou role na tabela abaixo para determinar sua antiga função como escravo.

Minerador.
Escravo doméstico.

Trabahador braçal.

Condutor de carruagem, pajem, ou treinador de animais.

Servo pessoal.

Guarda.

 

Características

 

Recurso: Se encaixando. Como um ex-escravo você conhece bem os meandros da vida nas casas grandes, nos castelos, nos templos e nos diversos locais e instituições. Você pode localizar instantaneamente a “entrada de empregados” e desde que seus colegas de grupo não estraguem tudo você pode negociar com facilidade a sua entrada nesses lugares. Você pode andar quase que livremente nesses lugares, agindo como se fosse um dos empregados do local.

 

Características Sugeridas

Escravos ou ex-escravos normalmente são pessoas com comportamento humilde e discreto, como se possuíssem uma aura de subserviência, mesmo anos após serem libertados. Um ex-escravo tende a obedecer autoridade, temer ou evitar aqueles com alto poder. Em contraste, alguns desenvolvem aversão por autoridade, desafiando abertamente ordens e comandos, não importando de quem elas venham.

 

Personalidade

  1. Eu tenho um olhar temeroso e sempre falo de forma apaziguadora e cordata. É difícil para mim impor a minha opinião.
  2. Minha experiência como escravo me deixou muito teimoso e resistente às ordens. Desobedecerei ordens e instruções sempre que eu puder.
  3. A vida institucionalizada como escravo foi a única que conheci. Sinto-me desconfortável em público, justamente pelo caos que é a liberdade e secretamente anseio pela vida ordeira que uma vez conheci.
  4. Eu conquistei minha liberdade e hoje sou uma pessoa livre. Felicidade é o meu novo sobrenome. Quero conhecer o mundo e descobrir tudo que existe.
  5. Agora que posso ter coisas que são só minhas, as guardo com muito zelo e avareza, justamente por ter medo que sejam tomadas de mim.
  6. Os anos como escravo me fizeram uma pessoa diplomática, sempre buscando soluções a partir do diálogo pra resolver problemas.

 

Ideal

  1. Vingança. Escravistas e pessoas que se aproveitam do trabalho escravo em enfurecem. Sou hostil e vingativo perante tais pessoas.
  2. Apesar da minha liberdade eu não tenho remorsos de minha vida passada. As regras eram um conforto nos tempos de cativeiro e leis são algo que recebo de braços abertos.
  3. Eu acredito que todas as pessoas devem ser livres, e eu farei de tudo para viver integralmente este ideal.
  4. Eu invejava o poder que meus antigos mestres tinham sobre mim e sobre os outros e desejo, secretamente, o mesmo tipo de poder para mim.
  5. Exaltação. Uma vez livre eu posso experimentar todos os prazeres do mundo – e eu faço com alegria e prazer.
  6. Apesar de hoje ser livre eu acredito que fui abençoado por isso. A maioria das outras pessoas deve nascer e viver nas suas calasses sociais, pois esse é o desejo dos deuses.

 

Elo

  1. Minha família, ou alguém que eu prezo muito morreu na escravidão. Terei minha vingança contra seus assassinos não importa o que aconteça.
  2. Minhas memórias de casa são apenas fragmentos distantes, mas prometi jamais voltar àquele lugar.
  3. Eu tenho uma grande dívida de gratidão com aqueles que me libertaram e farei de tudo para saldar essa dívida.
  4. Eu não fui libertado; eu fugi. Por hoje e por todos os dias que me restam de vida estarei sempre olhando por cima do meu ombro, esperando o momento de ser recapturado.
  5. Eu fui separado da minha família e hoje busco encontra-los.
  6. Meus antigos donos, apesar de tudo, me tratavam com humanidade e fizeram de mim o que sou hoje. Sou muito grato a eles.

 

Defeitos

  1. Não sou capaz de encarar pessoas de classe social maiores do que eu.
  2. Sou egoísta quando o assunto e comida. Anos de fome no cativeiro me deixaram assim.
  3. Se eu fui capaz de conquistar a minha liberdade, acredito que qualquer um possa fazer o mesmo. Não tenho respeito por pessoas que aceitam ser escravos na vida.
  4. Uma vez livre eu trato escravos como seres inferiores. Não posso evitar. Talvez eu sempre tive essa fome por poder.
  5. Eu sou um covarde e sempre vou tentar fugir de situações que me coloquem em risco de vida.
  6. Eu aprendi a mentir como forma de escapar de situações que me colocariam em encrenca. Mentir se tornou um hábito para mim, mesmo quando não é necessário. Eu sempre tendo a enganar os outros sobre as coisas que eu faço ou deixo de fazer.

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