Meu mundo é um feijão

O que você faria se descobrisse que o seu mundo e tudo o que você conhece não passa de uma experiência de ciências de uma criança de segunda série do ensino fundamental?

Estava lendo assistindo o TitansGrave: Ashes of Valkana, o novo cenário/show do Wil Wheaton, esses dias. A premissa do show é mostrar seus colegas famosos num cenário que parece um porão “super cool nerd dream” jogando o jogo. Mas tudo feito com um profissionalismo bacana e com ilustrações animadas dos personagens e das cenas principais da história. Titansgrave é um show bacana e se você sabe falar inglês vai gostar muito. Mas como eu ia dizendo, quando estava vendo esse show e soube da premissa do cenário não pude deixar de fazer a ligação com outra premissa que eu conheço bem: a de cultivar feijões em algodão molhado.

Para quem não teve infância ou estudou em escolas que não apresentavam o menor desafio intelectivo para seus alunos ou mesmo aqueles que já esqueceram do que se trata eis um lembrete: pegue um chumaço de algodão molhado, coloque-o em um recipiente qualquer, jogue ali alguns grãos de feijão, espere alguns dias, e, você terá um belo pezinho de feijão em sua casa! Tais plantinhas deixam as crianças em uma felicidade tão contagiante, que a gente dá risada à toa, só de ver as carinhas triunfantes deles, “olha, mamãe, como o meu feijão está grande!”. Pois bem, não ria, mas essa experiência já foi realizada até na estação espacial!

E o que uma coisa tem a ver com outra? O que o show de Wil Wheaton tem a ver com a experiência de cultivar feijões em algodão?

Na premissa do Show ficamos sabendo que há muito tempo atrás uma raça de alienígenas poderosos veio ao mundo estéril de Valkana e através de tecnologia ou magia poderosa, deu vida ao planeta, criando suas principais raças, que, logo depois, lutaram entre si pela supremacia do planeta.

Sei que não está incluído na mitologia de Wheaton, mas e se a força criadora que a milhões de anos atrás veio ao mundo e deu-lhe vida não passasse de uma experiência de crianças da segunda série? Uma raça tão avançada e evoluída como essa seria para nós tanto quanto somos avançados em comparação às amebas! É algo bem interessante de se pensar, não é mesmo?

E o mais interessante: como se sentiriam os personagens da história ao saber de algo assim? Quem sabe, investigando os destroços do mundo antigo eles descobrem pistas para essa bizarra descoberta? O que seriam das religiões vigentes, da filosofia, das cidades-estados e das leis caso algo assim fosse revelado? Seria o caos? A destruição de tudo? Ou não mudaria nada? Quem sabe já haja pessoas que saibam da verdade e fariam de tudo – incluindo matar os personagens – para manter a informação sobre sigilo absoluto? É como aquela cena de Men In Black: “O ser humano sozinho é esperto, mas em grupo ele é idiota”. Numa interessante reviravolta do cenário os próprios jogadores podem vir a ser os guardiões desse secular segredo.

Outras reviravoltas que essa premissa pode oferecer é a volta dos criadores. Quem sabe o cara esqueceu de jogar seu algodão com semente de feijão fora e anos depois encontra a planta ainda viva. Como ele lidaria com o que a experiência se tornou? Num dos episódios de “Os Simpsons” Lisa tem uma experiência semelhante, a partir de um mundo criado de um dente seu.

Como essas informações impactariam na sua mesa de jogo? Na minha saberei a resposta no próximo encontro d30: relíquias. Espero vocês lá.

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